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São Paulo tem contas reprovadas por conselheiros após R$ 7 milhões de Casares sem explicação

Faturamento recorde de R$ 1 bilhão e redução de endividamento não impedem reprovação das contas do ex-presidente, que pode enfrentar pedido de expulsão

26 mar 2026 - 17h39
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O São Paulo teve reprovadas as contas da gestão de 2025, ainda no comando de Júlio Casares. A votação no Conselho Deliberativo reprovou o balanço por 194 votos a 34, com quatro abstenções. O ex-presidente pode encarar, a partir disso, um processo que peça sua exclusão do clube.

O principal motivo para a reprovação foram R$ 7 milhões que constam como "fundo promocional da presidência", sem comprovação de finalidade. O trabalho de análise externa do balanço e que atentou para a situação foi conduzido pela empresa RSM.

Para a atual gestão, não há sanções previstas a partir disso. Entretanto, a gestão de Harry Massis Júnior fica com imagem prejudicada perante o mercado, dificultando possíveis negociações de patrocínios e empréstimos, por exemplo. Na primeira semana de abril, em outra reunião, conselheiros irão votar dois novos pedidos de crédito do clube.

São Paulo tem última prestação de contas da gestão de Júlio Casares reprovada.
São Paulo tem última prestação de contas da gestão de Júlio Casares reprovada.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Em um caso mais grave, o São Paulo poderia ser excluído do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). O programa permite que clubes parcelem dívidas fiscais ou trabalhistas com a União em até 240 meses.

Já para o ex-presidente Júlio Casares, há outras consequências. A partir da reprovação, conselheiros podem abrir um processo que acuse Casares de gestão temerária. Isso pode levar até mesmo à exclusão do ex-dirigente do clube.

Os valores não declarados fazem parte de uma investigação da força-tarefa composta por Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Um dos inquéritos sobre o clube levantou suspeitas sobre R$ 11 milhões sacados em contas do São Paulo na gestão Casares.

Os R$ 4 milhões justificados são referentes a gastos com arbitragem e pagamento de "bicho" a jogadores. Era isso que a defesa de Júlio Casares havia apontado em janeiro, quando as investigações se tornaram conhecidas publicamente.

Internamente, os saques também são citados em relatório produzido por Paulo Affonseca de Barros Faria Neto, integrante do Conselho Fiscal do São Paulo. Ele havia recomendado a rejeição das contas do exercício de 2025.

Faturamento recorde e redução do endividamento não impediram reprovação

Apesar do "buraco" na prestação de contas, o São Paulo teve um exercício melhor em 2025 do que no ano anterior. O clube bateu recorde de faturamento, com R$ 1 bilhão, e reduziu a dívida em R$ 100 milhões.

O débito são-paulino ficou em R$ 858,2 milhões, reduzindo o valor de R$ 968,2 milhões de 2024. Houve, porém, aumento nas despesas, que foram de R$ 908 milhões (2024) para R$ 943 milhões (2025).

Em 2024, o São Paulo lançou um fundo de dívida (FIDC), visando à amortização da dívida do clube com instituições financeiras. O débito é "substituído", mas com juros menores.

Uma das regras do fundo era que o clube deveria ter superávit no exercício. No balanço de 2024, mesmo com déficit, foram consideradas receitas ainda a receber, diminuindo a dívida daquele ano.

O planejamento financeiro do próximo exercício (2026) prevê novo superávit, apesar de sucessivos déficits mensais. O orçamento é dependente da venda de jogadores (cerca de 40% da previsão de receita de R$ 931,8 milhões).

A gestão de Harry Massis Júnior trabalha com readequações no clube para economizar. Não havia como refazer o orçamento aprovado em 2025. O São Paulo já anunciou um movimento de equilíbrio financeiro, conforme o Estadão havia antecipado.

Estadão
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