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São Paulo recorre de decisão da Justiça que definiu voto híbrido em reunião que pode afastar Casares

Clube pede que impeachment seja pautado presencialmente e defende quórum mínimo para a votação do tema no Conselho Deliberativo na próxima sexta-feira

13 jan 2026 - 16h09
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O São Paulo recorreu nesta terça-feira, 13, da liminar expedida pela 3ª Vara Cível do Butantã que determinou voto híbrido (presencial ou virtual) na reunião do Conselho Deliberativo que pode afastar provisoriamente Júlio Casares da presidência do clube. O impeachment do mandatário será pautado na sexta-feira, 16, às 18h30.

Entre as argumentações listadas no agravo de instrumento, o São Paulo alega que o voto híbrido ignora o preceito do mínimo necessário para o acusado exercer o contraditório e a ampla defesa.

"A exigência do formato presencial, neste cenário, não é um mero capricho, mas a última linha de defesa para a garantia de um julgamento justo e equânime", diz trecho do recurso, que classificou o voto híbrido como "aberração jurídica".

São Paulo recorreu de decisão da Justiça de definiu voto híbrido em reunião do impeachment.
São Paulo recorreu de decisão da Justiça de definiu voto híbrido em reunião do impeachment.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O São Paulo também reforça a necessidade da manutenção do quórum mínimo de 75% do Conselho Deliberativo, estabelecido pelo estatuto do clube, para votar o afastamento do presidente. No despacho desta segunda-feira, a juíza Luciane Cristina Silva Tavares concluiu que os 75% necessários são apenas para a instalação da reunião. Já a destituição acontece com dois terços dos votos.

"A aplicação do quórum de 75% não é um capricho, mas a norma especial e garantista que se impõe diante da natureza sancionatória das acusações de atos contrários ao Estatuto e gestão temerária. Da mesma forma, a manutenção do formato presencial para a Reunião Extraordinária é um imperativo para assegurar a irrefutabilidade da votação secreta e, crucialmente, para conceder ao Presidente acusado a única e essencial oportunidade de defesa plena e transparente em um rito já concentrado", diz trecho do documento.

O recurso será julgado na 1ª Câmara de Direito Privado pela desembargadora Mônica Rodrigues Dias de Carvalho.

Casares é alvo de investigação em inquérito da Polícia Civil que apura um suposto esquema de desvio de verbas do clube. Ele perdeu apoio político após o caso vir à tona, mas descartou renunciar e garante que vai provar sua inocência.

Como funciona o impeachment no São Paulo?

O procedimento foi aberto por um pedido com 57 assinaturas (o mínimo era de 50). Casares teve respaldo do Conselho Consultivo, que emitiu parecer contrário ao impeachment. Na prática, o documento não é determinante, mas serve para embasar a discussão dos votos.

Se houver, no mínimo, dois terços dos votos, Casares é afastado provisoriamente. Em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples.

Se Casares for afastado no Conselho e pela Assembleia, ele é também banido do clube. Já em caso de renúncia, ele se mantém no Conselho Consultivo. Essa última situação é semelhante ao que viveu o ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Em 2015, ele deixou o cargo, sob acusações de desviar recursos do clube.

Estadão
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