São Paulo é primeiro clube a ser notificado com risco de transfer ban pelo fair-play financeiro
Clube afirma ter encaminhado acerto para quitar débito com Novorizontino, que nega negociação
O São Paulo corre risco de sofrer um transfer ban da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), responsável pelo fair-play financeiro no Brasil. O clube diz que tem encaminhado um acordo para evitar a sanção. Seria a primeira aplicação de pena pelo não pagamento de uma dívida desde que o regulamento começou a ser aplicado no futebol brasileiro.
O débito em questão é com o Novorizontino pela contratação de Djhordney. O clube do nega que haja negociação em andamento sobre o caso. O meia foi formado pela equipe, chegou a ir para o Palmeiras ainda na base e chegou ao São Paulo antes de subir para o profissional.
Há pouco mais de um mês, o Novorizontino formalizou a denúncia de atraso de pagamento à ANRESF. O São Paulo devia, no momento, R$ 600 mil (três parcelas) do R$ 1 milhão que a operação custou.
Inicialmente, a agência intimou o clube tricolor a pagar a dívida em 10 dias úteis. Sem comprovação de quitação, foi determinado o pagamento integral, com juros e correção monetária em 45 dias a partir desta quarta-feira, dia 12.
Caso a dívida não seja sanada, o clube ficará impedido de registrar novos atletas até a regularização integral da pendência ou até que o Novorizontino comunique um acordo.
Em comunicado sobre a decisão, a ANRESF chama atenção para um ponto de calendário que todos os clubes precisam observar. As obrigações assumidas a partir de 1º de janeiro de 2026 estão sujeitas à aplicação de sanções do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF).
Como o acordo entre São Paulo e Novorizontino foi celebrado em janeiro, aplicou-se o regime pleno e não o de transição. Os casos anteriores foram encerrados por quitação ou repactuação, com arquivamento. Esta é a primeira decisão da agência a aplicar a sanção de bloqueio de registro pelo não pagamento de dívida.
"Ela (a decisão) mostra a outra face do mesmo mecanismo: quando a regularização não vem, o sistema dispõe de resposta própria. A decisão também assenta que dificuldades financeiras, ainda que públicas e notórias, não afastam o atraso, e que propostas de pagamento recusadas pelo credor não equivalem ao acordo escrito exigido", diz um trecho do comunicado.
Recentemente, o São Paulo já enfrentou um transfer ban, mas da Fifa. O clube foi notificado por uma dívida com a Lazio pela compra de Marcos Antônio. Após o pagamento, foi possível inscrever reforços como Iago e Domingos Duarte, titulares no empate contra o Bolívar pela Sul-Americana.
Djhordney tem apenas quatro jogos pelo profissional do São Paulo em 2026. Em julho, durante a pausa da Copa do Mundo, o meia chegou a atuar pelo sub-20 no Brasileirão da categoria. Ainda nesta semana, o jogador atuou pelo Brasil sub-20, em amistoso contra a Bolívia.
Veja o que diz o São Paulo
Antes da publicação da decisão pela agência, o São Paulo Futebol Clube, através do presidente Harry Massis, entrou em contato com Genilson Rocha, presidente do Grêmio Novorizontino, e ajustou um acordo de pagamento. As partes aguardam o alinhamento entre os departamentos jurídicos dos clubes para a formalização do compromisso.
Veja o que diz o Novorizontino
O Grêmio Novorizontino informa que o débito é referente à negociação de parte dos direitos econômicos do atleta Djhordney Ferreira. Das cinco parcelas previstas, nenhuma foi paga pelo São Paulo Futebol Clube.
O Novorizontino esclarece que não há negociação para um novo acordo e aguarda o cumprimento integral da obrigação.
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