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Roubo forjado de celular e compra de áudio: carta gera novo capítulo em crise política do São Paulo

Rita de Cássia Adriana recua sobre uso irregular de camarote do MorumBis e defende Júlio Casares; citados não responderam

15 jan 2026 - 17h11
(atualizado às 17h46)
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Rita de Cássia Adriana de Prado, pivô do caso envolvendo o uso irregular de um camarote no MorumBis, recuou e disse ter sido pressionada por opositores do presidente do São Paulo, Júlio Casares, para vender o áudio que revelava o esquema. Ela teria recebido R$ 275 mil. Os citados foram procurados pela reportagem do Estadão. Apenas Denis Ormrod respondeu, dizendo que não recebeu o áudio mesmo após ter efetuado o pagamento combinado.

A manifestação de Adriana foi feita em uma carta endereçada a Mara Casares, também gravada, junto de Douglas Schwartzman. Os dois eram diretores do São Paulo e se licenciaram após o caso se tornar público. Em um novo áudio, ao qual o Estadão teve acesso, Tom, marido de Adriana, fala com Denis Ormrod, ex-conselheiro do São Paulo e que teria acertado o pagamento pela gravação.

Esses fatos vêm à tona após a sindicância externa encomendada pelo São Paulo para o caso sugerir que sejam revisados os contratos firmados pelos dois diretores agora licenciados. Além disso, será votado, nesta sexta-feira, o impeachment de Júlio Casares, em que uma das acusações é o uso irregular do camarote.

A conversa de Adriana com Mara e Douglas aconteceu porque a intermediária abriu um processo contra uma terceira pessoa, cobrando por valores repassados. Os diretores, então, pediram para que a ação fosse encerrada a fim de o uso irregular do camarote não se tornar público.

São Paulo enfrenta crise política desde o fim de 2025.
São Paulo enfrenta crise política desde o fim de 2025.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

No novo áudio, é discutido entre Tom e Ormrod a ideia de forjar um furto do aparelho celular que continha a gravação de Adriana, Mara e Schwartzman. O marido de Adriana reclama que, em um encontro que serviria para tirar dúvidas sobre o caso, houve pressão para vender o áudio.

"Foi 'toma o dinheiro e me dá as provas. Eu só quero meia dúzia de áudio e está bom'", disse Tom na gravação.

Junto da carta e do áudio, foram vazados dois cheques no valor de R$ 100 mil cada, assinados por Ormrod, com datas de 5 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026. Há, ainda, um comprovante de um Pix no valor de R$ 75 mil, em nome de Frederico SA Grilo, que teria sido devolvido. Ele é apontado como alguém ligado a outros três conselheiros citados.

Na carta, Adriana nega irregularidades na cessão do camarote. Entretanto, o espaço da "Sala Presidencial" citado no áudio de fato não é comercializável. "Nunca vi ou soube de nada que desabonasse a sua (de Mara) conduta na administração do camarote. Sempre admirei sua correção e transparência", escreveu Adriana.

"Diante do que aconteceu, suspeito que terceiros, entre eles Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e Fábio Mariz, possam ter agido com a intenção de causar prejuízos, principalmente ao Júlio, sem que isso representasse minha vontade ou consciência", continuou.

Pinotti é tido como possível candidato da oposição para a eleição deste ano no clube. Já Denis Ormrod era conselheiro, mas foi expulso em 2021 por acusações de agressão. Na época, ele disse sua exclusão se deu após a tentativa de ele revelar irregularidades na gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco), entre 2015 e 2020.

Denis confirmou a negociação com Adriana e Tom. Ele disse, porém, que não recebeu o material, mesmo após o pagamento. "Não tem ato ilícito nenhum. Pelo São Paulo, eu faço qualquer coisa. O dinheiro é meu, faço o que quero", disse ao Estadão.

O que é o caso do camarote do São Paulo?

O Estádio do MorumBis conta com diversos camarotes que são usados em jogos e shows. Um deles é o camarote 3A, espaço que não é comercializado e que fica em frente ao gabinete do presidente Júlio Casares. O local é conhecido por "Sala Presidencial".

Mara Casares e Douglas Schwartzmann, estariam envolvidos em um esquema de venda de ingressos do camarote 3A, uma ação não autorizada e que seria feita de forma "clandestina", como os próprios diretores licenciados afirmam.

Nesta conversa, Mara e Schwartzmann falam com Rita de Cassia Adriana Padro, conhecida como Adriana, da The Guardians Entretenimento Ltda, que seria intermediária na venda e repasse das entradas desse camarote para terceiros.

Adriana ingressou com um processo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda, acusando-a de ter tirado de suas mãos 60 ingressos para um show da colombiana Shakira. Esses 60 tickets seriam comercializados por R$ 132 mil. No entanto, Adriana alega que recebeu apenas R$ 100 mil. Carolina diz que pagou o combinado, está sendo vítima de calúnia e teve prejuízos.

Ocorre que ao processar uma pessoa ou empresa por obter de forma irregular ingressos que foram gerados de maneira "clandestina" o caso se tornou público e passou a ser de conhecimento do São Paulo. Dada a situação, Mara e Schwartzmann pressionaram Adriana a retirar o processo para que a ação ilícita não se tornasse de conhecimento geral.

Mara diz que os áudios estão fora de contexto e alega que "não obteve ganho próprio de nenhuma natureza". Já Schwartzmann afirma que não teve "qualquer participação em venda, negociação ou comercialização de camarotes ou ingressos de eventos" e que agiu pontualmente para evitar que um problema particular afetasse o São Paulo.

O São Paulo, por sua vez, refuta a "existência de um esquema ilegal de venda de ingressos de camarotes" e abriu duas sindicâncias para apuração dos fatos. As aberturas dos processos foram solicitadas pelo superintendente do clube, Marcio Carlomagno. Ele também é citado no áudio vazado, mas diz que apenas teve o nome usado indevidamente.

Estadão
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