No São Paulo, Dorival Júnior tem seu pior aproveitamento desde 2014
Treinador tem média de 1,17 ponto por jogo no clube, número superior apenas ao de trabalho no Palmeiras, 12 anos atrás.
Apesar da vitória sobre o Bragantino, que encerrou um longo jejum no Brasileirão, Dorival Júnior vive seu pior aproveitamento em quase 12 anos. Em sua terceira passagem pelo São Paulo, o técnico soma apenas 38,9% de aproveitamento em 12 jogos, desempenho superior apenas ao obtido no Palmeiras em 2014. Em 11º lugar na Série A e às vésperas de enfrentar o Boca Juniors na Copa Sul-Americana, o clube tenta reagir para afastar a crise esportiva e o atraso no pagamento de direitos de imagem.
A vitória sobre o Red Bull Bragantino no último sábado (29), no MorumBIS, encerrou uma longa série negativa do São Paulo no Brasileirão e deu um refresco para Dorival Júnior. Ainda assim, o treinador registra atualmente seu pior aproveitamento em quase 12 anos. Desde o fim de 2014, quando esteve à frente do Palmeiras, ele não tem números tão ruins no comando de uma equipe.
Dorival retornou ao São Paulo em maio, após a demissão de Roger Machado, para sua terceira passagem pelo clube. Treinador que liderou o clube na inédita conquista da Copa do Brasil de 2023, o experiente profissional tem 38,9% de aproveitamento. Em 12 jogos, são três vitórias, cinco empates e quatro derrotas, somados jogos por Brasileirão e Copa Sul-Americana. Ou seja, a média é de apenas 1,17 ponto por partida, de acordo com dados do site Sofascore.
Nos nove trabalhos anteriores de Dorival, série que inclui não só clubes e como também uma passagem pela Seleção Brasileira, Dorival teve números superiores. É importante ressalvar que apenas no Flamengo, em 2018, o recorte de partidas é da mesma dimensão da atual (12 jogos e média de 2 pontos por duelo). Em 2014, quando dirigiu o Palmeiras em 20 partidas, o treinador teve 38,3% de aproveitamento, com seis vitórias, cinco empates e nove derrotas - 1,15 ponto por jogo.
Anos vitoriosos de Dorival contrastam com momento no São Paulo
Ex-jogador, Dorival Júnior está ativo há mais de duas décadas como treinador. Sua primeira experiência no posto foi em 2002, pela Ferroviária, clube de Araraquara, sua cidade natal e onde também deu os primeiros passos como atleta. De lá para cá, raras vezes ele teve um aproveitamento inferior a 50% dos pontos no comando de uma equipe.
Multicampeão, no intervalo entre a passagem ruim pelo Palmeiras e o atual trabalho no São Paulo, ele liderou os dois outros grandes do estado, Corinthians e Santos, duas vezes o Flamengo, além de treinar Athletico-PR, Ceará e a Seleção Brasileira. Nesse período, conquistou a Copa do Brasil em três oportunidades por três clubes diferentes, além de chegar ao topo no Paulistão, no Paranaense e na Supercopa do Brasil.
O melhor aproveitamento nessa série foi no comando do Ceará, em 2022, quando conquistou 68,52% dos pontos (média de 2,06 em 18 partidas). Em junho daquele ano, Dorival optou por rescindir com o clube cearense para assumir o Flamengo, onde levantaria as taças da Copa do Brasil e da Libertadores na mesma temporada.
Fim de jejum e vitória inédita do São Paulo com Dorival
A vitória sobre o Bragantino, por 2 a 1, foi a primeira do São Paulo sob o comando de Dorival Júnior no Brasileirão de 2026. Desde 25 de abril, quando fez 1 a 0 sobre o Mirassol ainda com Roger Machado no banco de reservas, o Tricolor não vencia na competição. Antes do confronto de sábado, eram sete partidas com Dorival e apenas três pontos somados (três empates e quatro derrotas).
Os dois únicos triunfos com o técnico haviam sido obtidos na Copa Sul-Americana - 2 a 0 no Boston River e 3 a 1 no Bolívar, ambos no MorumBIS. A equipe teve ainda dois empates no torneio continental com Dorival - 1 a 1 com o Millionarios, da Colômbia, na estreia do técnico, e o mesmo placar na partida de ida com o Bolivar, nas oitavas de final. Este resultado levou o São Paulo para as quartas de final da disputa internacional, quando fará duelos contra o Boca Juniors.
"Acho que a carga negativa que é carregada com todo esse momento vivido tem um peso muito grande. Não havia acontecido um período como esse na minha carreira. Tenho muita confiança naquilo que sempre me dispus a realizar em clubes, tenho certeza que no São Paulo não será diferente. Nos sentíamos na obrigação, incomodados que isso não acontecia. Graças a Deus foi hoje e espero que não pare", confessou o treinador após o jogo contra o Massa Bruta.
Cobrança e transparência marcam as entrevistas de Dorival Júnior
A franqueza de Dorival, sem esconder os problemas e dificuldades, tem sido uma marca nas suas entrevistas. Após derrota para a lanterna Chapecoense, na Arena Condá, no dia 23 de agosto, o treinador declarou ter considerado o resultado "inadmissível". O time catarinense não vencia desde a primeira rodada do Brasileirão.
"Eu fico às vezes até sem palavras para poder defender uma situação. Não é fácil, não é simples para todos nós, é vergonhoso. Nós temos que ter consciência do clube em que nós estamos, do tamanho que é o clube, o que representa em todos os sentidos", admitiu o técnico, que completou:
"E nós não temos mais o que falar. Nós não temos mais palavras. Está na hora de nós colocarmos ação e trabalho. Ainda mais trabalho do que vem acontecendo. Nós estamos nos dedicando muito, muito. Mas não está sendo suficiente. Então nós temos que buscar algo diferente para tentar mudar todo esse contexto. Porque não pode continuar da forma como está."
Uma semana antes, quando o São Paulo empatou com o Coritiba, no MorumBIS, Dorival assumiu a responsabilidade, falou que estava em "débito com o torcedor", mas declarou ter confiança de que a equipe dará a volta por cima. "O torcedor sabe que tem uma pessoa aqui muito preocupada com a si", ressaltou.
Alívio na tabela e desafios pela frente
Ao somar três pontos diante do Bragantino, com gols de Luciano e Gustavo Santana, o São Paulo chegou a 30 pontos, e evitou uma aproximação da zona do rebaixamento. A equipe é a 11ª colocada, com cinco pontos a mais que o Vasco, clube que abre o Z4. Porém, o Tricolor está no grupo daqueles que têm um jogo a menos, pois o clássico contra o Santos, pela 21ª rodada, foi adiado e ainda não tem nova data. Após a semana cheia para treinar, a equipe terá pela frente cinco partidas em setembro, antes da parada para a Data da Fifa, que serão decisivas para o rumos da temporada.
A sequência prevê três compromissos pelo Campeonato Brasileiro e dois pela Copa Sul-Americana. Na competição nacional, o São Paulo receberá o Atlético-MG e o Internacional, no MorumBIS, e terá clássico contra o Palmeiras, no Nubank Parque. Já no torneio continental, fará duelo de gigantes contra o Boca Juniors por vaga nas semifinais. Aliás, a conquista do troféu internacional é uma meta não só pelo prestígio de um título como por classificar para a próxima Copa Libertadores e render premiação que possa dar um pequeno alívio à delicada situação financeira do clube tricolor. O São Paulo deve dois meses de direitos de imagem ao elenco.
"Espero que seja o reinício de um grande momento da nossa equipe", disse Dorival após o jogo contra o Bragantino. O mês de setembro mostrará se a expectativa do treinador se concretizará.
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