São Paulo forma comissão para avaliar contrato com a Ticketmaster
O São Paulo criou uma comissão para analisar o contrato firmado com a Ticketmaster, empresa escolhida para assumir a gestão dos ingressos do Morumbis. A decisão foi tomada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, após questionamentos apresentados pela NewC, concorrente que participou do processo de escolha.
O Conselho Deliberativo do São Paulo criou uma comissão urgente para avaliar o contrato com a Ticketmaster e analisar queixas da concorrente NewC sobre o processo seletivo. A parceria prevê a gestão da bilheteria e do sócio-torcedor, além de injetar R$ 146 milhões no clube — sendo R$ 110 milhões em adiantamento para quitar dívidas com o elenco, R$ 30 milhões por um camarote e R$ 6 milhões na reforma do museu. A aprovação final do órgão é necessária para que o acordo entre em vigor.
Conselho Deliberativo do São Paulo vai avaliar questionamentos apresentados pela NewC sobre o processo que definiu a empresa como nova gestora de ingressos do Morumbis
A comissão será formada pelos conselheiros Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha. O grupo terá caráter de urgência e deverá apresentar um parecer sobre o acordo o mais breve possível. O contrato já foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Administração, mas ainda precisa passar pelo Conselho Deliberativo para entrar em vigor.
Segundo as informações apresentadas pela NewC, a empresa questiona a condução da concorrência realizada pelo São Paulo. Entre os pontos levantados está a demora para que a companhia pudesse participar do processo e a utilização de materiais que, posteriormente, teriam sido atualizados pelo clube.
A NewC também afirma ter apresentado uma nova proposta financeira ao São Paulo, estimada em cerca de R$ 500 milhões. A empresa diz que o projeto foi discutido com o clube em julho, mas que não recebeu retorno após o envio de uma versão atualizada da proposta. O São Paulo, por sua vez, entende que essa oferta não foi formalizada e considerou apenas a proposta oficialmente apresentada pela companhia.
Acordo com a Ticketmaster
A proposta escolhida pelo São Paulo prevê a antecipação de R$ 110 milhões ao clube, em até 45 dias após a assinatura do contrato. O valor funcionaria como um empréstimo e deverá ser devolvido ao longo de cinco anos, com juros equivalentes ao CDI mais 1,99%.
Além disso, a Ticketmaster pagará R$ 30 milhões para administrar o camarote 29A do Morumbis durante cinco anos. O acordo também prevê um investimento de R$ 6 milhões na reforma do Museu São Paulo.
Outro ponto da negociação envolve o programa de sócio-torcedor. A Ticketmaster passaria a administrar tanto a venda de ingressos quanto o programa, atualmente gerido pela Feng. O São Paulo entende que a centralização dos serviços pode reduzir custos para o clube.
A empresa cobrará uma taxa de administração de até 10% sobre os ingressos, ou 8% para entradas físicas. No programa de sócio-torcedor, a taxa prevista também é de 8% por associado.
Impacto nas finanças do clube
A aprovação do contrato é considerada importante pela diretoria tricolor diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube. O São Paulo pretende utilizar os recursos da operação para ajudar a quitar valores atrasados com jogadores, especialmente direitos de imagem.
A diretoria trabalha com a expectativa de regularizar os pagamentos ao elenco até o fim de setembro e afirma que a antecipação de receitas prevista no acordo é fundamental para cumprir esse compromisso.
Agora, a comissão formada pelo Conselho Deliberativo terá a responsabilidade de analisar os questionamentos feitos pela NewC e avaliar os termos da negociação antes da votação definitiva do contrato.
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