Salva-vidas de rodeio garante segurança ao peão
- Bernardo Albuquerque
Calças largas, camisa colorida e o rosto pintado de branco. Assim era o visual de um salva-vidas de rodeio, personagem que protege os peões depois da montaria. "Sem o salva-vidas, o caubói fica totalmente exposto ao ataque do touro", diz Ronan Felipe Neto, há 19 anos na profissão.
A história desses profissionais no Brasil começou há mais de 20 anos, com Antonio Carlos Damaceno, o Django, e seu irmão Deusicler, o Meio Quilo, considerados os melhores do ramo. Para se ter ideia do perigo que enfrentam, o primeiro já quebrou 12 costelas ao longo da carreira, enquanto o segundo ficou três dias no hospital em coma.
A regra da montaria estabelece que o peão permaneça oito segundos sobre o animal. Depois disso, precisa descer em segurança. Aí entra o trabalho do salva-vidas de rodeio, responsável por distrair o touro. O problema é que, ao chamar a atenção do animal, o anjo da guarda dos peões vira alvo de chifres e coices. Nesse momento, rapidez, agilidade e experiência são mais do que obrigatórios para sair ileso.
Neto sabe bem disso. Antes de seguir a carreira na arena, competia como peão. Em uma montaria, fraturou o braço esquerdo, que utilizava para segurar a corda. Para não abandonar os rodeios, iniciou o trabalho de salva-vidas ainda com o braço engessado. Certa vez, foi atingido pelo touro e sofreu uma lesão na espinha. "Quase fiquei paralítico", conta. Passou quatro meses em recuperação até voltar à arena.
Às vezes, acontece de a mão do atleta ficar presa à corda. Cabe ao salva-vidas de rodeio ajudar o competidor a se desprender, ainda com o animal em movimento. Por essa e outras razões, é comum vê-los rezando antes de entrar na arena. "O medo nos faz ter respeito pelo animal", comenta.
De acordo com Neto, o visual do profissional mudou. "Antigamente, o palhaço era também um animador do público. Hoje ele cuida só da segurança do peão". Por isso, os trajes passaram para bermudas, meiões esticados até os joelhos e uma camisa simples.
Por trás da roupa, um tipo de armadura protege o salva-vidas de danos maiores. No peito, um colete impede a perfuração do chifre, por exemplo. Na perna, caneleiras diminuem o impacto das pancadas do bovino. "Eu uso quatro caneleiras em cada perna", afirma Neto. Nada mal para quem tem o trabalho de despistar um animal de 600 quilos.