Rússia se solidariza com Pirlo após fracasso em negociações com Itália
Técnico foi descartado por federação devido a envolvimento com bet de Moscou
O embaixador da Rússia em Roma, Alexey Paramonov, prestou solidariedade ao treinador Andrea Pirlo, que perdeu a oportunidade de assumir o comando da seleção italiana devido a seu envolvimento com a Fonbet, maior casa de apostas russa.
"Entristece constatar que, apesar de sua contribuição extraordinária ao esporte mundial e à imagem da Itália no mundo, você seja objeto de ostracismo por parte de um establishment definido por muitos como 'pseudodemocrático'", escreveu o diplomata no Telegram nesta segunda-feira (27).
De acordo com Paramonov, Pirlo foi vítima de uma situação que já atingiu, nos últimos anos, "milhares de esportistas, diretores de orquestra, músicos, artistas e diretores russos" impedidos de se apresentar no Ocidente devido à guerra na Ucrânia.
"É claro que minhas palavras não mudarão nada, mas quero expressar nossa sincera e humana solidariedade. E isso apesar de a seleção italiana, que o senhor poderia ter treinado e que talvez um dia venha a treinar, poder representar um adversário de alto nível para a Rússia em futuros campeonatos europeus e mundiais", acrescentou o embaixador.
Paramonov também comentou o fato de a mídia italiana ter chamado Pirlo de "embaixador da empresa russa Fonbet". "Em um período histórico em que a diplomacia atravessa uma profunda crise, poder contar com uma personalidade como a sua no papel de embaixador é, sem dúvida, uma honra para qualquer país ou clube", declarou.
Após as recusas de Carlo Ancelotti e Pep Guardiola, o ex-meio-campista campeão mundial pela Azzurra em 2006 era o favorito da Federação Italiana de Futebol (Figc) para assumir o comando da seleção e liderar um processo de reconstrução após três ausências seguidas em Copas.
No entanto Pirlo se tornou alvo de críticas na Itália por causa de sua ligação com a Fonbet, acordo fechado no âmbito de seu trabalho à frente do Dubai United, dos Emirados Árabes Unidos.
"Recebo com satisfação a escolha de não nomear Andrea Pirlo técnico da seleção. É uma escolha justa e obrigatória, considerando o que Pirlo escolheu fazer: emprestar o próprio prestígio a uma operação de normalização do regime Putin, participando de iniciativas de propaganda do Kremlin enquanto a Ucrânia é bombardeada", disse a vice-presidente do Parlamento da União Europeia, a italiana Pina Picierno.
"A seleção representa a Itália no mundo, e a Itália está do lado da Ucrânia, da União Europeia e do direito internacional", acrescentou. Já o senador Carlo Calenda, líder do partido de centro Ação, afirmou que a solidariedade de Moscou a Pirlo "encerra essa absurda discussão sobre contratar como treinador da seleção um senhor pago pelos russos".
O ministro do Esporte italiano, Andrea Abodi, também se pronunciou e salientou que a situação deveria ter sido conduzida de forma diferente. "Agora é preciso apagar essa má impressão", acrescentou.
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