Privatização da Fifa: Infantino é novamente criticado pela UEFA, mesmo após abandonar projeto polêmico
A UEFA criticou duramente neste sábado (1°) o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmando que o dirigente perdeu sua confiança. A declaração oficial foi feita mesmo após o ítalo-suíço ter desistido de seu controverso projeto de abrir as competições internacionais a investidores privados.
A menos de um ano do fim de seu mandato e da eleição, marcada para março de 2027, para a qual é, por enquanto, o único candidato, a UEFA acusou Infantino de ter renegado seus compromissos com esse "projeto medíocre, opaco e tramado nos bastidores". A instituição europeia afirmou que o ítalo-suíço havia "perdido a confiança" da entidade, bem como a de "muitos outros membros da família do futebol".
Alvo de críticas de todos os lados, Infantino, que foi secretário-geral da UEFA antes de assumir a presidência da Fifa, anunciou, na madrugada de sexta-feira (31) para sábado (1°), por meio de um comunicado, a retirada de seu projeto que previa a criação de uma empresa, a Fifa Forward Enterprise (FFE), aberta a investidores privados e encarregada de administrar as atividades comerciais e de eventos da entidade, incluindo a Copa do Mundo.
"Depois de ouvir atentamente todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões (...) que já não atendem mais ao objetivo inicial", reconheceu Infantino, fragilizado pela oposição de numerosas federações e pela renúncia de seu principal conselheiro, Carlos Cordeiro.
A proposta, revelada na terça-feira (28) para surpresa geral, foi amplamente rejeitada pelo mundo, especialmente pela UEFA. Na quinta-feira (30) a instituição, que reúne 55 federações europeias, ameaçou não participar das próximas competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso o projeto fosse adiante.
"Vender uma parte da Copa do Mundo"
Em comunicado publicado neste sábado, a UEFA classificou o abandono do projeto como uma "vitória para todo o futebol", mas ressaltou que isso não deve "marcar o fim da história". Segundo a instituição, "a proposta foi rejeitada, mas a tarefa de restabelecer a confiança na Fifa está apenas começando".
A UEFA, presidida pelo esloveno Aleksander Čeferin, via o projeto como uma tentativa de Infantino de "vender uma parte da Copa do Mundo" a investidores privados, o que alimentou temores de mercantilização do futebol em meio a suspeitas de conflito de interesses. "Se vendermos as joias do futebol a investidores privados, também estaremos vendendo uma parte deste esporte e, sobretudo, sua alma", comentou o ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter.
Em seu comunicado, a UEFA ataca diretamente Infantino, afirmando que, antes de sua eleição em 2016, ele defendia a transparência e assegurava que o dinheiro da Fifa pertencia às associações membros. "Ele não cumpriu essas duas promessas", acusa a organização. "O projeto medíocre, opaco e tramado nos bastidores que ele tentou impor à força estava longe de ser transparente."
Segundo a UEFA, o abandono desse projeto deve levar à criação de um "novo método de distribuição de recursos por meio do programa Fifa Forward, já existente", utilizando parte das reservas da entidade, avaliadas em US$ 5 bilhões. "Precisamos começar a usar parte desse dinheiro, parado nas contas bancárias da Fifa, para dar ao futebol o impulso de que ele necessita em cada um dos 211 países-membros da entidade. Mas não precisamos liquidar nossas joias da família para financiar isso", escreveu.
Caso o projeto de Infantino tivesse saído do papel, entre os potenciais investidores identificados pelos críticos estaria o fundo de investimento Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão de Jared, genro do presidente Donald Trump. A iniciativa do presidente da Fifa foi anunciada no contexto da proximidade frequentemente demonstrada por Gianni Infantino com o presidente americano, especialmente durante a Copa do Mundo.
(Com agências)
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