Prêmio da paz dado a Trump vira problema para Infantino na FIFA
Dirigentes da FIFA pressionam Infantino a reformular ou abolir o prêmio da paz após a homenagem a Donald Trump gerar críticas e preocupações políticas.
A entrega do prêmio da paz da Fifa a Donald Trump gerou forte pressão interna e levou o conselho da entidade a avaliar sua extinção ou reformulação. Dirigentes temem que a honraria vire instrumento político e aponte conflito com os estatutos, que vetam interferências governamentais. Entre as propostas está proibir a indicação de políticos e restringir o prêmio a figuras do futebol. O comitê de responsabilidade social avaliará o caso e apresentará recomendações até a reunião de dezembro, em Doha.
A homenagem a Donald Trump colocou o prêmio da paz da Fifa sob pressão e pode mudar os rumos da premiação. Integrantes do conselho da entidade defenderam a extinção do reconhecimento ou mudanças para afastá-lo de interesses políticos. A decisão ficará sob análise do comitê de responsabilidade social, que deverá apresentar recomendações ainda este ano.
O debate ganhou força durante a reunião do conselho da Fifa, realizada na quinta-feira (15), quando Gianni Infantino informou que a premiação havia sido encaminhada ao comitê de responsabilidade social. Posteriormente, dirigentes voltaram ao assunto ao questionar possíveis conflitos de interesse na entidade.
Parte dos membros considera que a associação do prêmio com o presidente dos Estados Unidos compromete a credibilidade da iniciativa. Também há preocupação com possíveis tensões diplomáticas caso Trump discorde da escolha de um futuro homenageado. Diante desse cenário, integrantes do conselho defendem mudanças para evitar que a premiação seja utilizada como instrumento político.
Uma das alternativas discutidas é transformar o reconhecimento em um prêmio destinado exclusivamente a pessoas do futebol que tenham contribuído de maneira excepcional para a harmonia e a responsabilidade social. Segundo um integrante do conselho ouvido pelo The Guardian, a proposta incluiria uma cláusula que impediria a concessão da homenagem a políticos.
A possível reformulação também envolve os princípios institucionais da Fifa. O artigo dois dos estatutos da entidade proíbe interferências políticas ou governamentais no futebol, uma das razões apontadas para a reação negativa à homenagem concedida a Trump. O comitê de responsabilidade social, formado por 22 integrantes, deverá avaliar as alternativas, embora sua composição, majoritariamente alinhada a Infantino, possa dificultar a abolição do prêmio.
A recomendação deverá ser apresentada antes da próxima reunião do conselho da Fifa, marcada para 16 de dezembro, em Doha. Criado em novembro do ano passado, o prêmio foi anunciado com a proposta de reconhecer pessoas responsáveis por ações extraordinárias em favor da paz e da união entre povos. Agora, a entidade terá de decidir se mantém a iniciativa, modifica seus critérios ou encerra a premiação.
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