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Premiação milionária e CR7 como embaixador: Mundial de E-sports reúne competidores e fãs de games em Paris

Paris recebe, entre os meses de julho e agosto, a EWC, Copa do Mundo de E-sports (esportes eletrônicos). Depois das duas primeiras edições em Riade, Arábia Saudita, o evento desembarca pela primeira vez na capital francesa, reunindo 25 competições de diferentes jogos eletrônicos, US$ 75 milhões em premiações e um público que vem dos quatro cantos do planeta.

26 jul 2026 - 09h01
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Renan Tolentino, para a RFI em Paris

As dezenas de competições são transmitidas online, para o mundo todo, além do público presente no complexo de exposições de Porte de Versailles, região oeste de Paris. Contando com Cristiano Ronaldo como embaixador, o evento tem torneios de games populares, como Fortnite, Counter-Strike, League of Legends, PUBG: Battlegrounds e EA Sports FC.

Atleta de Teamfight Tactics, um jogo de estratégia em equipe, o norte-americano Filup, de 25 anos, explica como é a preparação e os principais desafios na hora de competir.

"No caso do nosso game, como é do gênero de estratégia, é necessário muito tempo de planejamento em equipe quando vamos disputar uma competição como essa. Em geral, a gente se prepara jogando partidas e revendo os jogos de times adversários. Investimos muito tempo. E na hora de competir, acredito que um dos maiores desafios é justamente conseguir aplicar durante as partidas a tática que definimos nos treinamentos", detalha Filup.

Ex-jogador de futebol e ex-atleta de e-sports, o brasileiro Wendell Lira já participou de diversas competições internacionais. Hoje, mais focado no streaming e na produção de conteúdos, ele reforça que a rotina de um profissional de esportes eletrônicos vai além do que é mostrado nas telas. 

"As pessoas não têm noção do quanto é difícil ser um atleta de e-sports. Eu fui atleta de futebol na vida real e sei que você não tem esse cansaço (constante). Você é um atleta (de futebol), mas você tem treinador, tem preparador físico, nutricionista, fisioterapeuta… e você vai lá, treina e vai embora. Agora, um jogador de EA FC, por exemplo, treina umas 12 horas por dia", explica.

"Tem todo um esquema tático para aprender, com videoaulas para estudar a mecânica do jogo e, em paralelo, (para alguns) ainda tem a criação de conteúdos. É uma rotina muito desgastante, muito mais difícil do que as pessoas acham. Hoje, ser um pro player vai muito além do que só jogar", comenta Wendell Lira, que em 2015 venceu o Prêmio Puskás de gol mais bonito daquela temporada no futebol, antes de trocar a chuteira pelo joystick e mudar sua carreira para o mundo dos games.

Foto: RFI

Brasil representado

No campeonato do game de futebol EA FC Pro, que aconteceu durante a terceira semana da EWC, o Brasil esteve representado por três atletas: GugaFerraz, Paulo Neto e PHzin. Em entrevista à RFI, o holandês Renzo Oemrawsingh, técnico da Team Liquid, equipe de Paulo Neto, elogia o empenho do brasileiro.

"Eu fui treinador dele durante cinco anos. Paulo é um grande jogador, que costuma ter um bom desempenho nas competições", resume.

Renzo conta que, como treinador de futebol virtual, seu trabalho é ajudar o atleta a potencializar suas habilidades, além de definir as táticas mais adequadas para enfrentar cada adversário.

"Eu tento ajudar os players a desenvolverem as habilidades deles, a encontrarem as melhores estratégias, que podem mudar até mesmo durante as partidas… então, ao longo da semana, nós tentamos reproduzir nos treinamentos esses diferentes cenários de competição, também fazemos videoanálises e buscamos melhorar constantemente, como qualquer outro esporte competitivo", detalha o holandês.

"Obviamente, o player tem 98% da responsabilidade, o treinador pode auxiliar nos outros 2% extras. Mas isso é o mais importante, porque todos são bons nesse nível", avalia Renzo.

CR7 embaixador, Aya Nakamura na abertura e Benzema na final

A abertura da EWC no início do mês contou com um grandioso show em Paris, com a participação de vários artistas, entre eles, DJ Snake e Aya Nakamura, estrelas da música francesa. O evento tem ainda Cristiano Ronaldo como principal embaixador e garoto-propaganda. De forma quase onipresente, a imagem dele aparece em inúmeros anúncios fixados nas ruas e no metrô de Paris.

Além dos competidores, a Copa do Mundo de esportes eletrônicos atrai fãs de diferentes países. Alessandro Grande, de 14 anos, veio de Mantova, norte da Itália, junto com sua família. "Eu gosto de videogames, especialmente jogos de futebol, então acho que é um evento bem legal. Estava esperando por isso há um longo tempo e estou me divertindo bastante. Posso dizer que me sinto muito animado. Vim também para ver meu player italiano favorito, Samugamer, da equipe Sassuolo".

Viajando ainda mais longe, a jovem Jawaher Nasser, de 25 anos, veio com a mãe e o irmão direto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, só para acompanhar o Mundial de E-sports. Ela conta que os jogos eletrônicos são muito populares no seu país.

"É muito legal ver as pessoas reunidas aqui para socializar e compartilhar experiências em torno da cultura dos games, como Fortnite, um dos que mais gosto", diz Jawaher.

O francês Balthazar Kiloso, de 12 anos, esteve presente com os pais e a irmã, para se divertir e torcer porsua equipe preferida, a Team Vitality, uma das principais da França.

"É um evento que eu recomendo às famílias, tem muita coisa para fazer, é tudo bem organizado. Me diverti bastante jogando vários games, tem muitos jogos à nossa disposição. Para quem gosta, assim como eu, é bem interessante", comenta Balthazar.

A final do campeonato da EA FC Pro acontece neste domingo (26), com a presença do ídolo do futebol francês Karim Benzema, Bola de Ouro e multicampeão nos gramados da vida real. Já a Copa do Mundo de E-sports de Paris continua até 23 de agosto com torneios de outros jogos eletrônicos.

Dos gramados reais ao futebol virtual

Em entrevista à RFI no EWC de Paris, Wendell Lira relembrou como, de forma inesperada, o gol mais importante de sua carreira nos gramados da vida real o levaram a se tornar um atleta de futebol virtual. Logo após levar o Prêmio Puskás há 10 anos, o brasileiro recebeu um convite para disputar uma partida de videogame que mudaria sua vida.

Ele enfrentou o saudita Abdulaziz Alshehri, então campeão mundial do jogo Fifa (que hoje recebe o título de EA FC). Lira não só venceu, como goleou o melhor do planeta da época por 6 a 1. Resultado impressionante que o fez ganhar notoriedade também no mundo dos games.

Ex-jogador de futebol e ex-atleta de e-sports, o brasileiro Wendell Lira esteve presente no EWC 2026, em Paris.
Ex-jogador de futebol e ex-atleta de e-sports, o brasileiro Wendell Lira esteve presente no EWC 2026, em Paris.
Foto: RFI

A fama repentina na comunidade de jogos eletrônicos o levou a pendurar as chuteiras e a investir na carreira como pro player, como são chamados os competidores profissionais.

"Eu trabalho com isso há dez anos. Quando deixei o futebol real para trabalhar com o mundo dos e-sports, eu já vislumbrava que esse mercado iria crescer. Mas, mesmo com todo o otimismo que sempre tive, não imaginava que poderia vir a ser tão grande quanto é atualmente".

"Então, hoje, quando eu vejo uma competição desse nível, como esse Mundial de E-sports, com premiações absurdamente altas, é um motivo de muito orgulho para mim saber que fiz parte disso. Se eu falasse isso há dez anos, ninguém acreditaria", conclui Lira.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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