Saretta intensifica torcida pelo Palmeiras para "sobreviver"
Flávio Saretta gosta de terminar seu expediente às quartas ou quintas-feiras e ir ao estádio apoiar seu time de coração. Para o ex-tenista, essa paixão se tornou ainda mais fácil nos últimos cinco meses: professor de tênis do Palmeiras, ele precisa apenas andar alguns metros e subir os degraus das arquibancadas do Palestra Itália para torcer pela equipe alviverde, que pode, no futebol, garantir a permanência de seu projeto dentro do clube.
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"Eu já era fanático pelo Palmeiras, agora vejo direto e vou a quase todos os jogos", conta Saretta, ciente de que uma má fase da equipe dentro de campo também pode gerar críticas externas, por pessoas que questionariam os gastos com outros esportes em pretensão ao futebol. "Dependo do time. Aqui é um clube de futebol", ressalta.
Mas o mau momento da equipe na temporada até a partida contra o Santos desanimava o Saretta torcedor, que recebeu a reportagem do Terra na antevéspera da emocionante vitória por 4 a 3 na Vila Belmiro. "Hoje dói, é triste", confessa.
"Falam que o corintiano é sofredor, mas isso é errado. O palmeirense que é sofredor. A camisa é pesada, a torcida é exigente e o pessoal sente", comenta, utilizando como exemplo Vagner Love - atacante que deixou o Palestra Itália criticado pela má campanha no Campeonato Brasileiro de 2009 e atualmente é artilheiro do Campeonato Carioca.
Além do desempenho dos jogadores nas partidas, uma possível mudança de gestão do clube, com as eleições presidenciais no início de 2011, também preocupam o ex-tenista. "O medo é óbvio, eu seria hipócrita se dissesse que não temo. Mas todos os departamentos do clube têm esse temor, até o pessoal do futebol", compara.
Para não ficar à mercê da continuidade da chapa de Belluzzo à frente do Palmeiras, o ex-atleta busca parceiros para apoiarem a Academia Palmeiras de Tênis by Saretta. "Por isso que precisamos de um patrocínio, pois o nosso projeto se bancaria sozinho. Hoje, o que eu mais quero é isso: um patrocinador", conta o professor, que tem o sonho de construir um centro de treinamento tenístico do clube.
Entretanto, mesmo funcionário do Palmeiras, Saretta não abre mão de expor sua opinião a respeito do futebol alviverde. O tenista, que sublinha o respeito que tem por Muricy Ramalho, crê que o treinador tricampeão brasileiro poderia ter permanecido à frente do time. "Desde a época do São Paulo eu sempre achei o Muricy um cara top, mas o projeto dele ficou muito caro para o clube", reconhece.
"O grande problema foi ter ficado fora da Libertadores", aponta o ex-tenista, que lembra com saudosismo da máquina alviverde bicampeã paulista e brasileira em 1993 e 1994 e das jogadas de efeito do meia Djalminha em 1996, no forte elenco que tinha Cafu, Rivaldo e Luizão.