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Desabafos, críticas e "causos"; relembre frases de Marcos

5 jan 2012 - 07h24
(atualizado às 10h01)
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Na última quarta-feira chegou ao fim uma era para o Palmeiras. O gerente de futebol do clube, César Sampaio, anunciou que o goleiro Marcos deu adeus aos gramados, encerrando uma carreira de 19 anos na equipe paulista. Neste tempo, o agora ex-jogador ficou marcado por atuações "milagrosas", defesas de pênaltis e frases polêmicas.

»Saiba mais sobre a carreira de Marcos e eleja o melhor goleiro da história do Palmeiras

Marcos não fazia o tipo de atleta que media as palavras e evitava assuntos difíceis, algo cada vez mais raro no mundo do futebol. Sempre se mostrou disposto a dar entrevistas nos momentos complicados, o que por vezes significava dar respostas que tumultuavam o próprio ambiente do Palmeiras.

"Se soubesse que o time estava em uma 'nhaca' dessa eu falava: 'pelo amor de Deus, não me coloca nessa'. Agora faço questão de jogar o outro jogo em casa. E já que o time abriu esse buraco vou enterrar também", disse o ex-arqueiro após a derrota histórica por 6 a 0 para o Coritiba, no duelo de ida das quartas de final da Copa do Brasil de 2011.

O jeito simples e honesto do camisa 12 ganhou a simpatia não só da torcida do Palmeiras, mas de fãs de clubes rivais. As entrevistas de Marcos tornaram-se favoritas de quem gosta de futebol, e as palavras dele estão na história do esporte.

Relembre a seguir algumas frases do goleiro que entrou para a história do Palmeiras:

"A torcida grita meu nome porque eu sou meio xarope. Eu me arrependo depois quando vejo na televisão. (...) Talvez a moral que eu tenho com a torcida do Palmeiras não é porque eu faço churrasco com a torcida, porque dou dinheiro para a torcida. Talvez seja pelas fraturas que eu sofri me jogando no pé dos outros. Quebrando a clavícula, batendo a cabeça na trave para poder tirar um gol. Pelos 16 anos prestados ao Palmeiras" - ao tentar explicar a identificação que possui com a torcida palmeirense.

"Já fiz grandes defesas, mas todo mundo diz que a mais importante foi o pênalti que defendi do Marcelinho Carioca na Libertadores de 2000. Eliminar o Corinthians pegando um chute dele realmente ficou marcado" - ao lembrar o pênalti defendido na semifinal da Copa Libertadores de 2000.

"Saí daqui jogador do Palmeiras e voltei jogador do Palmeiras" - após retornar de Londres enquanto negociava a ida ao Arsenal, em 2003.

"Um psiquiatra talvez entenderia o que eu fiz. Mas pelo menos eu melhorei porque saí do jogo e nem dei entrevista, senão estaria pior do que está. Saí de campo quieto e sei que já passei dos limites neste ano" - sobre o motivo de ter ido à área adversária aos 30min do segundo tempo na derrota do Palmeiras para o Grêmio no Campeonato Brasileiro de 2008.

"Eu fiquei preso na porta giratória de um banco. O vigia me mando tirar celular, chaves e tudo mais do bolso, mas a porta não abria. Mostrei meu braço para ele e disse: 'a placa está aqui dentro. Não tem como retirar'. Ele riu e abriu a porta" - ao comentar com bom humor sobre a placa de metal que tem no braço após sofrer uma lesão.

"Agora eu sou goleiro de jogo, não de treino. O que adianta me arrebentar pegando bolas em coletivo e depois falhar quando está valendo" - ao explicar que não tinha, em virtude da idade avançada, condições de participar de todos os treinamentos.

"Acho que ele (Neto) tinha que ter um pouco mais de ética. Ele fica sempre me colocando contra o Rogério (Ceni). Não sou amigo de mau caráter, nunca pedi para ele me defender. Se ele está esperando que eu o agrade para falar bem, pode meter o pau em cima de mim" - ao criticar a postura do comentarista e ex-jogador Neto.

"Eu gosto de jogar futebol, mas não é fácil com uma placa no antebraço. Quando a bola bate faz barulho. É um objeto estranho no seu corpo. Falaram para eu tirar, e quem sabe eu tire. Mas passar pela terceira cirurgia de jeito algum, não sou louco" - ao comentar sobre a placa de metal que tem no braço após sofrer uma lesão.

"Se soubesse que o time estava em uma 'nhaca' dessa eu falava: 'pelo amor de Deus, não me coloca nessa'. Agora faço questão de jogar o outro jogo em casa. E já que o time abriu esse buraco vou enterrar também" - após a derrota por 6 a 0 para o Coritiba nas quartas de final da Copa do Brasil de 2011.

"Parecia que queriam que eu tomasse um monte de gol. Você fica olhando e perguntando o que está acontecendo. O time estava na semi do Paulista. Só se foi a derrota para o Corinthians que deixou os caras abalados. Então que me avisassem e deixassem o Deola jogar, não me colocar numa barca dessa" - após a derrota por 6 a 0 para o Coritiba nas quartas de final da Copa do Brasil de 2011.

"Não é fácil treinar em dois períodos. Quando acontece eu sofro muito, fico com dores em todo o corpo. Pareço a estátua do Borba Gato de tão duro" - fazendo referência à estátua do bandeirante Manuel de Borba Gato, localizada no bairro de Santo Amaro, em São Paulo.

"Se você tivesse R$ 1 milhão, apostaria no Palmeiras? Eu não apostaria! Se a gente tivesse feito pelo menos um gol, seria tranquilo. É difícil para a gente reverter em São Paulo. Nada é impossível, mas vamos ter muita dificuldade em São Paulo" - comentário após derrota para o Vasco da Gama no duelo de ida da fase brasileira da Copa Sul-Americana de 2011.

"O Carlos Pracidelli (preparador de goleiros) pega leve comigo. Se treinar como o Cavalieri e o Bruno, eu estouro. Não ando no outro dia. Quando o Caio Júnior faz treino de finalização, eu fujo. Não tenho mais idade para levar bolada" - em 2007, ao comentar sobre a rotina de treinos.

"Deus me livre! Ainda mais do jeito que é a política no Palmeiras. Lá tem 15 milhões de patrões. É uma das posições mais difíceis do mundo. Às vezes é mais difícil do que ser presidente do Brasil" - sobre se um dia gostaria de ser presidente do Palmeiras.

"Na Europa não existe treino em dois períodos. A pré-temporada é forte, mas depois os treinos viram enganação. Aqui os caras são tarados por treino. Não consigo entender como o Rogério Ceni consegue atuar em todos os jogos. Depois dos 30 anos, os goleiros estão sempre estourados" - mais uma vez ao comentar sua falta de sequência de jogos em virtude de problemas físicos e lesões.

Exemplo de amor à camisa no futebol moderno

A carreira de Marcos pode ser classificada como uma das mais bonitas dos últimos anos. Mesmo consagrado e objeto de desejo de grandes clubes europeus durante a trajetória dentro dos gramados, o goleiro deu um raro exemplo de "amor à camisa" no futebol moderno. O camisa 12 permaneceu os quase 20 anos de vida futebolística na mesma instituição: a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Com a camisa alviverde, Marcos conquistou os maiores títulos da organização paulista. Campeão brasileiro nos anos de 1993 e 1994, o goleiro alcançou o auge da carreira. Em um espaço de apenas três meses, deixou o banco de reservas para se tornar um dos principais responsáveis pelo título inédito da Copa Libertadores da América de 1999, a maior glória obtida pelo Palmeiras até hoje.

Já tratado como ídolo, Marcos conquistou ainda mais a torcida na edição seguinte da competição sul-americana. Embora tenha passado por um péssimo momento de pressão, após falhar na decisão do Mundial de 1999 (não conseguiu interceptar um cruzamento de Ryan Giggs, que resultou no gol do título do Manchester United, marcado por Roy Keane), o goleiro se tornou símbolo da vitoriosa geração alviverde ao novamente impedir o arquirrival Corinthians de seguir no torneio.

Na semifinal, Marcos defendeu o pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, principal ídolo corintiano na época, e classificou o Palmeiras à decisão da Libertadores de 2000 - competição na qual o time acabou como vice-campeão.

Ídolo consolidado dentro do clube, Marcos atingiu o Brasil inteiro em 2002. Goleiro de confiança do técnico Luiz Felipe Scolari, o representante palmeirense vestiu a camisa 1 da Seleção Brasileira e teve participação fundamental na conquista do pentacampeonato, especialmente na decisão contra a Alemanha.

As grandes atuações despertaram o interesse europeu. O Arsenal, depois de conhecer o goleiro palmeirense na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, buscou a contratação de Marcos. Entretanto, na contramão do futebol moderno de negócios, o jogador rejeitou a proposta e seguiu na instituição alviverde, apesar do rebaixamento à Série B do Brasileiro em 2003.

Marcos passou pela pior crise da história palmeirense sem ter o respeito adquirido durante o fim da década de 90. O jogador seguiu convivendo com lesões, alguns vexames (como a goleada de 7 a 2 para o Vitória, pela Copa do Brasil de 2003, no Palestra Itália) e grandes atuações. O último título conquistado pelo camisa 12 no único clube da carreira foi o Campeonato Paulista de 2008.

FICHA TÉCNICA

Nome: Marcos Roberto Silveira Reis
Posição: Goleiro
Cidade de nascimento: Oriente (SP)
Nascimento: 4 de agosto de 1973
Altura: 1,93 m
Camisa preferida: 12
Jogos pelo Palmeiras: 530
Jogos pela Seleção Brasileira: 29
Clubes: Palmeiras
Títulos: Campeonato Brasileiro (1993 e 1994); Campeonato Paulista (1994, 1996 e 2008); Copa do Brasil (1998); Copa Mercosul (1998); Copa Libertadores (1999); Torneio Rio-São Paulo (2000); Copa dos Campeões (2000); Campeonato Brasileiro Série B (2003).

Pela Seleção: Copa América (1999); Copa do Mundo (2002) e Copa das Confederações (2005)

Marcos tem uma carreira com frases polêmicas
Marcos tem uma carreira com frases polêmicas
Foto: Getty Images
Fonte: Terra
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