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Aos 21 anos, Nobre defendeu organizada e admitiu família tricolor

8 nov 2013 - 10h15
(atualizado às 11h24)
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<p>Paulo Nobre defendeu a Mancha Verde aos 21 anos, quando também admitiu que a maioria de sua família torcia pelo São Paulo</p>
Paulo Nobre defendeu a Mancha Verde aos 21 anos, quando também admitiu que a maioria de sua família torcia pelo São Paulo
Foto: Alê Cabral / Agência Lance

Paulo Nobre sempre falou com orgulho do passado como torcedor fanático do Palmeiras. O primeiro ano de sua gestão como presidente do clube, no entanto, vem sendo marcado por atritos com a Mancha Verde (hoje Alviverde), entidade que o próprio defendeu aos 21 anos, quando também admitiu que a maioria de sua família torcia pelo São Paulo.

Na edição de 25 de junho de 1989 do jornal A Gazeta Esportiva, o então estudante de direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) foi personagem da matéria intitulada "Paulo Nobre, o amor vencendo todas as frustrações". Curiosamente, ele se empenhou em amenizar as críticas à organizada.

"Todos dizem que a Mancha Verde é uma das torcidas mais violentas, mas não é bem assim. Na realidade, o que acontece é que ela responde às agressões", disse o jovem Paulo Nobre, na época apenas mais um palmeirense a sofrer com o longo período sem títulos.

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Comandado pelo técnico Emerson Leão, o Palmeiras chegou a sonhar com a possibilidade de conquistar o Campeonato Paulista de 1989. O time, então defendido por jogadores como Velloso, Neto e Dario Pereyra, fazia uma campanha invicta, mas sucumbiu ao perder por 3 a 0 para o Bragantino, única derrota da equipe no torneio.

Ao enviar uma mensagem à torcida do Palmeiras, o jovem Nobre surpreendemente adotou um discurso parecido com o atual. "Na minha opinião, os torcedores não devem crucificar a atual diretoria, a comissão técnica e os jogadores, pois o trabalho realizado por todos eles foi ótimo. Posso dizer que a fórmula do campeonato foi mal elaborada", disse.

Herdeiro de Fernando de Almeida Nobre Filho, praticante de hipismo, o então estudante contou ser admirador de golfe e garantiu se dar bem com o pai, apesar de uma sensível diferença de gostos. "O único ponto em que divergimos é o motivo pelo qual me tornei palmeirense. Toda a minha família é são-paulina", revelou.

Antes de defender a Mancha Verde, Paulo Nobre foi um dos fundadores da Inferno Verde, outra torcida organizada. Na edição do dia 31 de outubro de 1983 do jornal A Gazeta Esportiva, ele aparece, vestido com uma camiseta da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras), nas arquibancadas do Morumbi durante a derrota por 2 a 1 contra o São Paulo, pelo Campeonato Paulista.

"Entre os torcedores e suas vibrações, estava a Gazeta Esportiva. Aliás, como sempre. Fotografando, ouvindo e registrando todas as emoções que só o futebol pode dar. No sentido de estimular ainda mais essa festa, a Gazeta Esportiva coloca em suas páginas os rostos anônimos destas pessoas", escreveu o periódico.

Anônimo entre os outros 22.759 pagantes do clássico contra o São Paulo em 1983, Paulo Nobre tornou-se o mais jovem presidente da história do Palmeiras há dez meses e, ironicamente, entrou em atrito com a Mancha Alviverde no mesmo ano em que viu o clube retornar à Série A do Campeonato Brasileiro.

O desentendimento com a organizada começou em função de um incidente entre torcedores e jogadores no aeroporto de Buenos Aires, após a derrota contra o Tigre, pela Copa Libertadores. A tentativa de agressão ao elenco - o goleiro Fernando Prass sofreu um corte na cabeça ao ser atingido por uma xícara atirada pelos uniformizados - levou Nobre a encerrar as chamadas "regalias" antes oferecidas pelo clube.

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Desde então, o dirigente e a Mancha Alviverde ocupam trincheiras opostas. Ofendido pelos organizados até mesmo após o jogo em que o Palmeiras assegurou seu retorno à elite do futebol nacional, Nobre minimizou a representatividade do grupo depois do empate com o São Caetano, mas aceitou as críticas.

"Prefiro não segregar os uniformizados, porque eles são a esmagadora minoria da gigantesca torcida do Palmeiras. O palmeirense está satisfeito. Mas sou o primeiro a defender qualquer torcedor, uniformizado ou não, quando ele critica. Eles (os organizados) têm direito de achar o que quiserem. Só não podem cometer atos violentos ou ameaças", afirmou.

O meia Valdívia, motivo da ira dos organizados em Buenos Aires, também costuma ser criticado pela Mancha Alviverde. Em alguns momentos durante a temporada, os chamados torcedores comuns contestaram as posições dos organizados no Estádio do Pacaembu. A reportagem tentou contato com Paulo Nobre através da assessoria de imprensa do Palmeiras, mas o presidente preferiu não comentar as declarações de 1989.

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