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Alvo do Palmeiras, Heinze é perfeccionista, tem temperamento explosivo e preza jogo ofensivo

Preferido da diretoria palmeirense no momento, argentino também se destaca pela capacidade de potencializar jovens talentos

27 out 2020
15h38
atualizado às 17h12
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Principal nome cotado no momento para assumir o Palmeiras, Gabriel Heinze, de 42 anos, é um treinador muito diferente dos técnicos brasileiros, em vários aspectos, e até departe de seus compatriotas. Perfeccionista, meticuloso e de temperamento explosivo, o argentino não permite interferências em seu trabalho, gosta de ter o controle dos ambientes em que está inserido e valoriza o jogo ofensivo e de muita intensidade.

Depois de se irritar com o espanhol Miguel Ángel Ramírez, que preferiu permanecer no Independiente del Valle, do Equador, o Palmeiras manteve sua busca por um estrangeiro, impulsionado pelo sucesso dos técnicos "importados" no futebol brasileiro e tem como principal alvo Heinze. Os dirigentes palmeirenses conversaram com o argentino, que pediu alguns dias para analisar o elenco e também outros aspectos do clube. Ele havia feito o mesmo antes de fechar com o Vélez Sarsfield, seu último time. Está sem emprego desde março.

Explosivo e perfeccionista, Gabriel Heinze é cotado para assumir o Palmeiras
Explosivo e perfeccionista, Gabriel Heinze é cotado para assumir o Palmeiras
Foto: Divulgação/Vélez Sarsfield / Estadão

O salário não é um problema para Heinze, tanto que valores ainda nem sequer foram discutidos na negociação. É certo que será pago na moeda americana, o dólar. O mais importante é o projeto oferecido a ele. Se entender que terá autonomia para capitanear um bom projeto esportivo, é muito provável que diga "sim" ao Palmeiras faça as malas e desembarque na Academia.

"Não é um treinador preso apenas ao campo. Se vai ao clube, quer ter preponderância, poder para implementar suas ideias. Se o Palmeiras lhe oferecer um projeto nessas condições, terá muitas chances de a negociação ter um desfecho positivo", considera o jornalista argentino César Luis Merlo, da TyC Sports, que tem conhecimento da personalidade e do trabalho de Heinze no país.

Mas por que Heinze interessa ao Palmeiras? Na visão da diretoria, o argentino tem as características que o clube procura no momento. O presidente Maurício Galiotte e o diretor Anderson Barros deixaram claro que buscam um treinador capaz de implementar ideias modernas e um estilo de jogo ofensivo e de agressividade, o que Luxemburgo não conseguiu.

O técnico se notabiliza por isso e também possui outro atributo que os dirigentes palmeirenses perseguem: a capacidade de trabalhar com os jogadores oriundos das categorias de base, algo que ele fez no Vélez Sarsfield, tirou da zona de rebaixamento e levou às primeiras colocações do Campeonato Argentino. O treinador deixou o clube em março deste ano, após quase três anos no cargo. O motivo teria sido desentendimentos com a direção. Ele começou a trajetória como treinador no Godoy Cruz, em 2015, e também teve sucesso no Argentino Juniors, que conduziu à primeira divisão.

"Com o Argentino Juniors, ele ascendeu à primeira divisão e sua equipe jogava um futebol de alto nível. Mesclando cadência, com intensidade, e muitos jogadores subindo ao ataque. No Vélez, Heinze saiu da zona de rebaixamento e deixou o time na zona de classificação às copas internacionais", enfatiza Merlo.

"Após assumir o Argentinos Juniors, que se encontrava na Série B da Argentina com um elenco muito jovem, realizou uma campanha excepcional com proposta agressiva, ousada, corajosa, e conceitualmente muito trabalhada. Convenceu o vestiário de suas ideias. Assumiu toda a responsabilidade do grupo absorvendo toda a pressão, e conquistou o título e, assim, o acesso à Série A", reforça Leonardo Samaja, coordenador da Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) no Brasil.

Os seus trabalhos agradaram aos dirigentes do Palmeiras, que, além dos resultados, avaliaram positivamente a maneira como Heinze enxerga o futebol e viram nele capacidade de recuperar atletas em baixa. Há alguns no elenco do clube brasileiro. Outro ponto positivo é a sua larga experiência na Europa como jogador. O argentino foi zagueiro e lateral e passou por grandes clubes do futebol mundial. Atuou no Paris Saint-Germain, Manchester United, Real Madrid e Roma, e foi treinado por técnicos renomados, como Alex Ferguson, Didier Deschamps e seu compatriota Marcelo Bielsa, hoje no Leeds United.

"Heinze é muito profissional, carrega muito do que aprendeu na Europa, principalmente com Ferguson, no Manchester United. Crescemos muito com ele. Aprendemos muito com o seu jeito intenso de trabalhar. A verdade é que só tenho palavras positivas para falar sobre ele", analisa ao Estadão o zagueiro Joaquín Laso, que foi comandado por Heinze no Argentino Juniors e no Vélez e hoje defende o Rosario Central.

Laso também destaca a visão de Heinze para revelar jovens, que posteriormente foram vendidos e renderam um dinheiro considerável para Argentino Juniors e Vélez. "Os dois clubes não vinham bem e ele conseguiu implantar projetos do zero, com jogadores muito jovens, que depois foram potencializados, valorizados e vendidos. Então, foram processos bem sucedidos esportivamente e também economicamente para as equipes", observa o defensor.

No entanto, para o comandante aceitar vir ao Palmeiras, Galiotte e Barros precisam assegurar que ele terá toda a autonomia, tranquilidade e tempo para colocar em prática seus modelo de jogo, algo raro de ver no futebol brasileiro, em que a troca de técnicos é uma constante e alguns torcedores uniformizados têm voz ativa dentro dos clubes.

A diretoria do Palmeiras também está ciente das excentricidades e do comportamento explosivo do técnico, que é "linha dura". "El Gringo", como é chamado pela sua feição europeia, é rígido, não permite ingerências, chegou a limitar o uso de celulares e videogames na concentração do Vélez e a vigiar o peso de seus jogadores. Por outro lado, é empenhado, costuma ser 100% honesto com os seus atletas e vive o futebol intensamente.

"Heinze tem um temperamento forte. Era assim como jogador e é assim também como técnico. Tem um perfil explosivo e suas equipes possuem uma intensidade tremenda", diz o jornalista argentino. "Trata-se de um treinador de grande personalidade e líder. Assim foi como jogador, líder e capitão das maiores equipes no futebol de elite, assim como na seleção nacional. Exemplo de grupo. Dessa mesma forma, ele age com seus elencos", pontua Samaja.

Heinze é o preferido, mas o Palmeiras também avalia outros nomes e já pensa em contatá-los no futuro, caso as conversas com o argentino não avancem. Por enquanto, quem segue no comando do time alviverde é o auxiliar fixo Andrey Lopes, já há duas semanas no cargo interinamente. "Cebola" vai dirigir a equipe pela quarta vez seguida nesta quinta-feira, no duelo com o Red Bull Bragantino, em Bragança Paulista, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil.

Estadão
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