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Motociclismo

Retrospectiva 2022: Quartararo carrega Yamaha nas costas rumo ao vice da MotoGP

Em um ano onde a YZR-M1 apresentou importantes fragilidades, o francês de Nice conseguiu chegar à última corrida do ano ainda vivo na briga pelo título, mas foi o único piloto da marca a ser competitivo com o protótipo japonês

8 dez 2022 - 05h01
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Fabio Quartararo foi derrotado por só 17 pontos apesar dos problemas da moto da Yamaha
Fabio Quartararo foi derrotado por só 17 pontos apesar dos problemas da moto da Yamaha
Foto: Divulgação/MotoGP / Grande Prêmio

Fabio Quartararo carregou a Yamaha nas costas na temporada 2022 da MotoGP. Em um ano em que tinha a missão de defender o título, o francês fez das tripas coração para ser competitivo e conseguiu arrastar a briga pelo campeonato para a última etapa, mas pouco pôde fazer ante o poderio da Ducati.

Em termos de performance individual, Fabio, possivelmente, esteve melhor do que em 2021. Assim como no ano anterior, ele chegou para a temporada com uma versão atualizada, mais competitiva, um passo à frente do que mostrou no ano anterior. A deficiência maior, contudo, estava na moto.

Fabio Quartararo recebido nos boxes da Yamaha após a derrota para Francesco Bagnaia em Valência
Fabio Quartararo recebido nos boxes da Yamaha após a derrota para Francesco Bagnaia em Valência
Foto: Yamaha / Grande Prêmio

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Não que a M1 fosse uma moto ruim, longe disso. Mas é que, de certa forma, a moto da Yamaha não é mais como costumava ser. Como o próprio Lin Jarvis, diretor da equipe admitiu, ela perdeu a doçura, uma tradicional característica do protótipo dos diapasões. A M1 se tornou uma moto que exige uma pilotagem agressiva e ninguém mais conseguiu se entender com ela.

Fabio conseguiu, mas sentiu falta de velocidade. E, para azar dele, isso era o que sobrava nos adversários diretos pelo título. E essa fragilidade da moto acabou condicionando o desempenho dele ao longo de todo o campeonato. Se estivesse no meio do bolo no início da corrida, pouco restava a fazer.

Na primeira parte do ano, 'El Diablo' aproveitou os tropeços de Francesco Bagnaia para abrir uma ampla vantagem na classificação do Mundial, que chegou a 91 pontos no GP da Alemanha, mas, uma vez que o italiano entrou no eixo, Fabio se viu mais e mais contra a parede.

Foi na unha que ele conseguiu fazer tudo que o que fez em 2022: três vitórias, outros cinco pódios e uma pole. E a própria Yamaha reconhece isso. Tanto é assim que, ao fim da temporada, encaminhou um comunicado à imprensa intitulado: "A Yamaha agradece sinceramente a Fabio Quartararo por seus esforços incríveis na MotoGP 2022".

No texto, a montadora de Iwata recorda o campeonato e assume que, já no Catar, quando o francês conquistou a nona colocação, ficou claro que "não seria uma temporada fácil". A equipe destaca a performance que rendeu o segundo lugar na Indonésia, sublinhando a evolução do piloto na chuva.

Ainda, a fábrica japonesa indica que a vitória no GP de Portugal marcou um "novo capítulo", já que foi seguido pela melhor fase dele no campeonato: um segundo lugar na Espanha, um quarto na França, outro segundo na Itália e duas vitórias na Catalunha e na Alemanha.

A chegada à Holanda, contudo, marcou um revés. Fabio cometeu um erro até que bobo, mas com consequências maiores, já que colocou Aleix Espargaró para fora ao cair na curva 5. Mesmo tendo seguido naquela corrida e com bastante tempo hábil para cumprir uma punição — já que o abandono veio só mais adiante —, o Painel de Comissários da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) impôs uma volta longa para ser cumprida só na Grã-Bretanha, o que revoltou piloto e equipe. E impactou o resultado em Silverstone, onde ele foi só oitavo.

A reação foi heroica. E de maneira absolutamente inesperada. Fabio foi segundo na Áustria, uma pista absolutamente favorável às Ducati. A atuação rendeu até mesmo elogios da equipe rival, que falou em dois vencedores para a disputa no Red Bull Ring.

No GP de San Marino e da Riviera de Rimini, Fabio ficou em quinto e, em Aragão, abandonou. Mas a fase asiática da temporada foi especialmente custosa às pretensões de título. No GP do Japão, ele aproveitou um abandono de Bagnaia até para recuperar alguns pontos, mas, só em oitavo, não fez muita diferença.

No GP da Tailândia, Quartararo não pontuou. Mesma coisa que aconteceu na Austrália, quando cedeu a liderança do Mundial a Pecco pela primeira vez. Na Malásia, fez o que precisava para empurrar para Valência a decisão do título, mas só um milagre tiraria do italiano a conquista de 2022.

Fabio liderou o campeonato em 12 das 20 corridas, mas acabou vice-campeão, 17 pontos atrás de Pecco. A derrota doeu, Quartararo chorou ao voltar para os boxes no circuito Ricardo Tormo, mas fechou o ano reconhecido pela equipe como responsável pelo resultado. Além disso, ganhou o carinho de ter sido presenteado com a moto do título de 2021, que recebeu da Yamaha durante o Salão de Milão.

O que ele quer, porém, é outra coisa: uma M1 competitiva para 2023. Essa foi a condição que ele colocou para renovar o contrato por mais dois anos. A marca dos três diapasões se comprometeu a investir na moto e ganhou a confiança do piloto. Nos primeiros testes, o novo motor até animou, mas, na última atividade do ano, a sensação não foi boa, foi de ter ficado empacado no mesmo lugar. A Yamaha aposta em um revés temporário, mas só a pré-temporada poderá dar respostas mais definitivas.

Até lá, Quartararo pode descansar com a consciência tranquila de quem fez o que lhe cabia, com o material que tinha em mãos.

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Grande Prêmio
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