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Polêmicas em Portimão ligam alerta da MotoGP com novos painéis e limites de pista

A MotoGP estreou novo sistema de sinalização, com painéis luminosos, no GP de Portugal. Isso não impediu punições e polêmicas nos treinos. Além disso, os limites de pista, cada vez mais detalhistas, voltaram a ceifar tempos e irritar os pilotos da classe rainha do Mundial

20 abr 2021
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Limites de pista, sempre polêmicas, voltaram a atacar em Portimão
Limites de pista, sempre polêmicas, voltaram a atacar em Portimão
Foto: SRT / Grande Prêmio

No GP de Portugal, disputado no último domingo (18), a MotoGP estreou uma novidade: os painéis luminosos de sinalização. O item de segurança, então previsto para 2022, foi adiantado após acordo da Dorna, promotora do Mundial, com a EM Motorsport. Ainda assim, uma polêmica envolvendo bandeiras amarelas movimentou a classificação em Portimão, ao tirar a pole de Francesco Bagnaia. A outra foi com os limites de pista, cada vez mais detalhistas e impiedosos.

Se o leitor está perdido, sem saber o que aconteceu, vamos recapitular. Nos minutos finais do Q2, Miguel Oliveira perdeu o controle da KTM e caiu na curva 9. Francesco Bagnaia ignorou as bandeiras amarelas, manteve o ritmo forte e fez a pole. Logo depois, porém, perdeu a volta rápida e a primeira posição no grid caiu no colo de Fabio Quartararo. Pronto, insatisfação instaurada no paddock do circuito português.

É bem verdade que a instalação dos painéis luminosos chegou à MotoGP para facilitar a vida dos pilotos e também dos comissários. As luzes são controladas pela direção de prova e podem ser alteradas instantaneamente, dependendo do status da pista. No entanto, cada tela terá um controle próprio para que o fiscal de pistal possa mudar e indicar bandeiras pontuais. Na teoria, simples. Na prática, um pouco mais complicada.

Francesco Bagnaia foi punido por desrespeitar bandeiras amarelas na classificação do GP de Portugal
Francesco Bagnaia foi punido por desrespeitar bandeiras amarelas na classificação do GP de Portugal
Foto: Reprodução / Grande Prêmio

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Francesco Bagnaia, que perdeu a pole, questionou a visibilidade do painel assim que saiu da pista. Depois de fazer a melhor volta do treino, acabou apenas com 11º lugar no grid. Além de achar a sinalização pequena, o italiano da Ducati reclamou da localização do instrumento, o que de fato, é algo pertinente.

Se analisarmos as imagens na moto de Bagnaia, vemos bandeiras amarelas no canto direito, sim, é inegável. O problema é que a curva 8 é feita para a esquerda em alta velocidade e leva para a curva 9, travada e cega em alguns momentos, além de também ser para a esquerda. Ou seja, o piloto dificilmente vai mexer o corpo e a cabeça para olhar para fora da pista, para outro lado, antes de fazer a tangência. Fosse a sinalização do outro lado e o italiano teria notado com extrema facilidade.

"A regra existe, tem de ser respeitada, mas as bandeiras precisam estar visíveis e não dava para vê-las naquele ponto. Painéis? Sim, mas nos locais certos. Eu preciso levantar a moto, então é difícil", pontou Pecco após a classificação.

As regras de fato precisam ser cumpridas. Oliveira estava caído próximo ao circuito, era perigoso seguir em alta velocidade. Mas como fazer se o piloto sequer notou que havia bandeira amarela no local? Esse foi o ponto debatido entre os pilotos da MotoGP após a sessão. Pol Espargaró foi um dos que defendeu Bagnaia no incidente.

Novos painéis luminosos estrearam na MotoGP no GP de Portugal
Novos painéis luminosos estrearam na MotoGP no GP de Portugal
Foto: Yamaha / Grande Prêmio

"Era impossível que o Pecco [Bagnaia] conseguisse ver essa bandeirinha. Entendo os comissários e, quando há um piloto no solo, deve-se penalizar [quem não diminui a velocidade]. Mas nesses momentos, não se vê nada, ainda mais em um pouco cego a mais de 180 km/h. Vi os replays do lance e era impossível enxergar", colocou o piloto da Honda.

Em um fim de semana que deveria ter sido marco para a MotoGP facilitar a vida dos pilotos, a classe rainha do Mundial de Motovelocidade viu ainda mais questionamentos e polêmicas surgindo. Bagnaia ainda conseguiu se recuperar na corrida, saindo de 11º para terminar no pódio, em 2º, atrás apenas do pole Fabio Quartararo. Tivesse largado na primeira fila, o cenário seria diferente.

A ideia está certa, a teoria é ótima. Quanto mais segurança para todos os envolvidos, principalmente os pilotos, melhor. Mas é preciso entender que cada circuito possui suas características e que nem sempre o piloto em alta velocidade vai ter a capacidade de visualizar os painéis luminosos ou mesmo as bandeiras amarelas agitadas pelos fiscais. No primeiro teste, o sinal amarelo foi ligado. Ainda estamos no início do campeonato, na terceira de 17 etapas, mas que a MotoGP estude bem melhor a localização e a visibilidade dos painéis nos outros circuitos. Conversar com os pilotos pode ser uma boa solução.

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Os limites de pista também foram bem questionados pelos pilotos em Portimão. A pista portuguesa é de alta velocidade, com subidas e descidas, não é anormal pensar em pilotos perdendo o controle do equipamento e saindo da pista. Na classificação, Maverick Viñales estava pronto para brigar pela pole, mas perdeu duas vezes a melhor volta no treino. Resultado: largou apenas em 12º. Nas categorias menores, como Moto2 e Moto3, o show de punições foi ainda maior.

Na repetição da imagem, foi possível ver que o espanhol da Yamaha teve a volta final cancelada no detalhe, escapando por muito, muito pouco. Com sensores localizados nas áreas logo após a zebra, a categoria tenta diminuir injustiças e deixar a situação bem tecnológica, mas ainda gera confusão e desconforto para pilotos e espectadores que muitas vezes se questionam se meia roda fora da pista realmente faz alguém levar vantagem em uma volta de quase 1min40s.

Novamente, o sinal está ligado na MotoGP. A tecnologia é amiga, é parceira, mas também pode trabalhar contra e gerar polêmicas. Uma lição a ser aprendida e levada adiante no campeonato.

Grande Prêmio
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