EXCLUSIVO: Viñales projeta evolução e elogia mudanças previstas para 2027 na MotoGP
Em entrevista exclusiva ao Parabólica, o piloto espanhol falou sobre sua recuperação, futuras gerações e mudanças no regulamento
Maverick Viñales, piloto da KTM Tech3, concedeu uma entrevista exclusiva ao Parabólica durante o Grande Prêmio da Hungria. O espanhol falou sobre sua lesão e recuperação, expectativas para a temporada e para 2027. Confira:
Após retornar às pistas depois de mais um período de recuperação no ombro esquerdo, Viñales vê o restante da temporada de uma maneira mais otimista. O piloto espanhol sofreu com limitações físicas nas etapas de Barcelona e Mugello e visou competir em Balaton com mais liberdade, enxergando a possibilidade de voltar a disputar posições mais competitivas.
Ao Parabólica, Maverick comentou como os primeiros Grandes Prêmios após seu retorno serviram como um processo de readaptação:
“Estou em um momento em que estou melhorando muito depois da lesão. Obviamente, esses dois primeiros GPs foram difíceis, porque em Barcelona não queria tomar mais riscos do que era necessário e Mugello é um circuito muito físico. A cada dia me sinto melhor, me sinto mais forte. Meu objetivo é começar a estar dentro do top 10 e começar a aproveitar a moto ao máximo.”
Apesar de estar mais confiante a cada etapa, Viñales destacou que ainda não pôde avaliar o potencial de sua moto devido às questões físicas e reconhece que sua principal meta no momento é recuperar sua forma e ir evoluindo com um passo de cada vez.
“Não sei exatamente onde estamos porque ainda não pude pilotar a 100%. Quando você não consegue ir ao máximo da moto durante toda a corrida, é difícil chegar a uma conclusão. Mas acho que, pouco a pouco, vou entender melhor a moto, onde está o limite e onde realmente se pode chegar com ela.”
“É necessário ter paciência e não querer avançar rápido demais. Isso é o que faço na minha cabeça. Não tentar ir muito rápido, mais cedo que o necessário, apesar de querer chegar no momento em que possa acelerar a 100%.”
Em julho de 2025, Maverick sofreu uma fratura no ombro esquerdo durante o GP da Alemanha, realizado no icônico circuito de Sachsenring. Desde então, o piloto passou por mais cirurgias e vários períodos de recuperação.
O espanhol nos contou que começou a perceber que havia algo errado com o local da lesão após o Grande Prêmio do Brasil, onde as dores constantes fizeram com que ele voltasse a consultar um médico. Seus exames comprovaram que um dos parafusos inseridos no local havia se deslocado e Viñales teve que passar por mais uma cirurgia, enfrentando incertezas sobre a continuidade da carreira.
“Depois do Brasil entendi que algo não estava bem, porque o braço me doía sem motivo aparente. Fizemos todos os exames e vimos que o parafuso estava saindo. Também puderam limpar toda a articulação, porque havia se formado uma fibrose e eu tinha perdido muita mobilidade.”
“Realmente existia a incógnita sobre se eu voltaria a correr ou não. Depois de duas cirurgias, em um momento tão crítico da MotoGP, com o mercado e tudo o que envolve o campeonato, obviamente é complicado. Mas os médicos me garantiram que eu me recuperaria 100%, e isso passou a ser minha prioridade.”
Questionado sobre como manteve a motivação durante o processo, Viñales apontou a paixão pelo esporte como principal combustível.
“A paixão e a motivação. Ainda sinto que tenho muito a dar. Não é uma lesão fácil, mas sei que posso me recuperar. Por isso continuo insistindo e trabalhando tanto.”
O espanhol também comentou sobre o aumento da exigência física provocado pelo calendário atual da MotoGP, especialmente após a introdução das corridas Sprint: "São muitas corridas. No final, o campeonato e os organizadores decidem, mas a verdade é que, com as sprints, o nível físico aumentou muito.”
Em 2027 o regulamento passará por diversas mudanças como a chegada das motos de 850cc, a mudança para pneus Pirelli e o fim de diversos dispositivos aerodinâmicos. Maverick acredita que isso poderá fazer com que o talento do piloto volte a ter um peso maior nos resultados.
“Acho que vai se notar mais o piloto que seja bom tecnicamente. Com uma moto que corre menos, é ainda mais importante pilotá-la bem.”
“Vamos ter muitas mudanças: motor, aerodinâmica, pneus, dispositivos. É difícil saber exatamente como será, mas acredito que os pilotos bons poderão aparecer mais. As mudanças podem ajudar os pilotos que são realmente bons a estar na frente, sem depender tanto da moto.”
Ao falar sobre os jovens pilotos que surgem nas categorias de base, com muitos sendo cotados candidatos a uma vaga na MotoGP na próxima temporada, Viñales destacou o crescimento da nova geração:
“São muitos pilotos chegando. Faz muito tempo que não ando de Moto2, então não tenho uma ideia clara do nível deles. Mas sei que eles vêm muito forte, então é difícil saber exatamente qual será o nível deles quando chegarem à categoria rainha, mas espero que seja muito alto.”
Ao comentar sobre sua passagem no Brasil, o espanhol destacou o trabalho da organização do evento ao lidar com a chuva intensa. O piloto também relembrou que outras pistas passaram pelo mesmo problema.
“Foi a primeira vez que estive no Brasil. Praticamente só fiz hotel e circuito, circuito e hotel. Não consegui conhecer nada além disso. Me pareceu um Grande Prêmio que, no futuro, pode ser daqueles que você marca no calendário porque gosta de ir.”
“Foi uma pena que chovesse tanto, porque isso trouxe muitos problemas. Mas isso acontece em vários circuitos. Acho que fizeram um bom trabalho para que o fim de semana acontecesse e pudéssemos correr.”
Ao falar sobre restante da temporada, Viñales acredita que seus melhores resultados ainda estão por vir. O espanhol projeta estar próximo de sua condição ideal, pilotando sua KTM a 100%, apenas na reta final do campeonato.
“Para mim, será mais no final do ano. Em Aragão e Misano eu devo começar a estar realmente pronto. Depois, obviamente, Catar vai ser muito bom. Portugal também é um dos meus circuitos favoritos. Valência, Silverstone... ainda temos muitas corridas boas pela frente.
Quando eu estiver ao máximo, acredito que os resultados virão. A moto está funcionando bem. Será questão de encontrar os circuitos que combinem com o pacote e aproveitar as oportunidades.”
Atualmente, Maverick se encontra na 23ª posição, com apenas 6 pontos conquistados. Porém, com a recuperação avançando e a confiança voltando gradualmente, o espanhol vê o restante da temporada como uma oportunidade para reconstruir sua melhor forma e voltar a lutar pelas posições que considera possíveis de serem alcançadas.
Nesta sexta-feira (19), o piloto retorna às pistas para o GP da Tchéquia e encontra uma nova oportunidade de buscar melhores resultados. Confira aqui os horários.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.