Brasileiro transforma casa no Texas em ponto de apoio para atletas de jiu-jítsu
Bruno Alves foi incluído no Hall da Fama da GFTeam em 2025.
Com mais de 30 anos no jiu-jítsu, o brasileiro Bruno Alves transformou sua casa no Texas na "Cachanga no Texas", ponto de apoio para competidores internacionais, incluindo campeões mundiais como Rodolfo Vieira. Faixa-preta 5º grau da GFTeam, ele atua no ensino da arte marcial para policiais, militares e universitários. Reconhecido no Hall da Fama de sua equipe em 2025 por sua trajetória e ações voluntárias, Bruno agora planeja expandir ao Brasil um projeto de doação de kimonos.
Uma residência em San Antonio, no Texas, tornou-se ponto de passagem para atletas de jiu-jítsu que buscavam apoio durante períodos de preparação nos Estados Unidos. O espaço, conhecido entre os praticantes como "Cachanga no Texas", foi aberto pelo brasileiro Bruno José Correia Alves e sua esposa, Alessandra, e recebeu competidores de diferentes países, incluindo nomes que posteriormente conquistaram títulos mundiais.
A iniciativa integra a trajetória de Bruno Alves, que acumula 32 anos de dedicação à modalidade e também participou de atividades voluntárias e intercâmbios esportivos entre Brasil e Estados Unidos.
Entre os atletas recebidos pelo casal estão Gutemberg Pereira, David Cabral, Max Gimenes, Clarissa Rocha, Geovanna Carneiro, Joel Adan, Santiago Guerra, da GFTeam Argentina, e Rodolfo Vieira, que também construiu carreira no MMA, com participação no UFC.
"Quando Alessandra e eu recebíamos um atleta, sabíamos que ele trazia um objetivo e uma história. Abrir nossa casa era uma maneira de contribuir com aquele caminho e retribuir o apoio que também recebi ao começar", afirma Bruno.
A experiência de acolhimento está relacionada à própria formação do brasileiro, que começou a praticar jiu-jítsu aos 13 anos, depois de acompanhar um primo às aulas. Na época, as mensalidades eram pagas por sua tia, que contribuiu para que ele continuasse treinando.
Bruno é aluno direto dos fundadores da GFTeam, Júlio César Pereira, Marcus Bello e Alexandre Baraúna, e mantém vínculos com a equipe desde o início de sua trajetória.
Em 1994, ainda faixa amarela, participou da primeira edição do Campeonato Brasileiro organizado pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ). Chegou ao local da competição às 10h, mas só entrou no tatame por volta das 22h. Ao lado de Alexandre Baraúna, aguardou aproximadamente 12 horas até a primeira luta.
Depois de cinco combates, com o último encerrado perto da meia-noite, terminou como vice-campeão brasileiro. "Aquela primeira competição me ensinou a respeitar o processo. Eu ainda era muito novo, mas entendi que continuar, mesmo diante do cansaço e da incerteza, também fazia parte da minha formação", relembra Bruno.
O apoio da família e dos professores esteve presente nos primeiros anos de sua trajetória. Décadas depois, ele passou a oferecer suporte a outros praticantes, especialmente atletas que viajavam aos Estados Unidos para treinar e competir.
Na residência do casal, os visitantes encontravam um espaço de convivência durante períodos longe de suas famílias. Alguns dos atletas acolhidos conquistaram títulos mundiais; outros seguiram carreira na formação de alunos e na abertura de academias.
Além de receber atletas, Bruno participou de atividades de ensino de jiu-jítsu e defesa pessoal para diferentes grupos em San Antonio.
Em 4 de janeiro, realizou um seminário ao lado de Joe Brown, com a participação de 50 policiais. A atividade integrou suas iniciativas de compartilhamento de conhecimentos com profissionais da segurança pública.
Em maio de 2025, três cadetes que receberam apoio direto de Bruno concluíram sua formação. A participação no processo de preparação dos cadetes foi uma iniciativa distinta do seminário realizado com policiais.
Seu histórico também inclui atividades voluntárias com integrantes do Exército dos Estados Unidos e na University of the Incarnate Word (UIW). Na universidade, participou de uma ação ao lado de sua aluna Romana Sidhu, levando conhecimentos da modalidade a outro ambiente de aprendizado.
"O voluntariado merece tempo e atenção. Para mim, compartilhar o que aprendi é uma forma de contribuir com a comunidade que me recebeu e de reconhecer que o conhecimento pode ser útil em diferentes momentos da vida", destaca Bruno.
As relações construídas por Bruno com seus alunos também tiveram continuidade fora dos Estados Unidos. Os americanos Josué Lopes e Trey Rick começaram a treinar com ele ainda na faixa branca e chegaram à faixa-preta.
Durante uma viagem ao Rio de Janeiro, os dois conheceram filiais da GFTeam, incluindo a sede da equipe. A visita permitiu contato com professores, atletas e locais ligados à origem de sua formação.
Na mesma passagem pelo Brasil, Josué e Trey ministraram um seminário beneficente no CT Baixada, reunindo praticantes e compartilhando conhecimentos adquiridos durante os anos de treinamento.
"Os resultados esportivos fazem parte da história, mas também valorizo as pessoas que seguiram seus caminhos e encontraram maneiras de ajudar outras. Ver esse conhecimento circular dá sentido a tantos anos de dedicação", afirma Bruno.
Reconhecimento no Hall da Fama da GFTeam
Em março de 2025, Bruno José Correia Alves foi incluído no Hall da Fama da GFTeam, equipe à qual está ligado desde sua formação no jiu-jítsu.
O certificado, assinado por Júlio César Pereira, reconhece sua dedicação, habilidade e conquistas no mais alto nível competitivo, além da contribuição de sua trajetória para o reconhecimento da equipe.
Sua graduação de faixa-preta de quinto grau foi concedida por Alexandre Baraúna e Marcus Bello, dois dos professores que participaram de sua formação.
O reconhecimento ocorreu após uma trajetória que inclui participação em campeonatos, atividades de ensino, acolhimento de atletas e iniciativas voluntárias.
Entre os próximos planos de Bruno está uma colaboração com a americana Alexa Yanes, fundadora da Open Guard Collection, iniciativa comunitária de arrecadação e distribuição de kimonos doados para crianças e adultos.
O projeto busca atender pessoas que precisam de equipamentos para começar ou continuar praticando jiu-jítsu. Bruno pretende colaborar com a iniciativa para ampliar o alcance das doações e incluir beneficiários no Brasil. A parceria ainda está em fase de planejamento, sem anúncio de cronograma ou quantidade de pessoas atendidas.
Texto escrito por Flávio Perez, 20/10/2026
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