Lula diz ter relação 'respeitosa' com Trump, mas critica 'segundo escalão'
'Não podemos aceitar intromissão de um país no Brasil', afirmou o petista
Em entrevista, o presidente Lula declarou manter uma relação respeitosa com Donald Trump, mas criticou a postura do segundo escalão dos EUA e rejeitou intromissões no Brasil. Lula rebateu como mentirosas as justificativas para as tarifas de 37,5% aplicadas a produtos brasileiros — baseadas em acusações sobre o Pix, desmatamento e trabalho forçado. Ele pontuou, contudo, que a conversa direta com Trump gerou avanços e viabilizou reuniões ministeriais para negociar a questão tarifária.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ter uma relação "muito civilizada e respeitosa" com seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, porém criticou a postura "impensável" do segundo escalão do governo americano em relação ao Brasil.
As declarações foram dadas em entrevista à TV Record, exibida no mesmo momento em que a emissora Band transmitia o primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, que não teve a presença de Lula nem de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
"Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu tenho a impressão de que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. Eu disse para ele: 'Não é possível. Nós conversamos, tudo vai bem'", contou Lula, que falou por telefone com o republicano no fim da semana passada.
"A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas depois o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país no Brasil", acrescentou.
No mês passado, os Estados Unidos aplicaram duas tarifas que totalizam 37,5% contra produtos brasileiros, alegando supostos prejuízos ao comércio provocados pelo sistema de pagamentos gratuito PIX, pelo desmatamento ilegal e por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado.
"Eu disse ao presidente Trump que, mais uma vez, as bases pelas quais eles impuseram novas sanções ao Brasil são mentirosas. Nós temos o menor desmatamento da história do Brasil, e eu nasci na minha vida política combatendo o trabalho escravo. Portanto, não posso admitir que alguém diga que vai culpar o Brasil porque o Brasil compra produto de país que tem trabalho escravo. Eu não posso fiscalizar os outros países", declarou Lula.
Segundo o presidente, no entanto, a conversa da semana passada com Trump "já deu fruto", em referência a uma reunião entre ministros das duas nações para discutir o tarifaço, prevista para esta semana. "E espero que seja fruto bem gostoso e saboroso, porque eu quero manter uma relação muito civilizada com os EUA", salientou.
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