De 'menino de favela' a sócio de negócio de R$ 500 milhões: quem é o parça de Neymar que nunca recebeu um centavo do craque
Cris Guedes foi um dos responsáveis por trazer a Kings League, criada pelo ex-jogador espanhol Gerard Piqué, ao Brasil
Cristian Guedes, mais conhecido como Cris Guedes, deixou de ser apenas o “parça” de Neymar para se tornar um dos principais empresários do esporte e entretenimento no Brasil. Aos 34 anos, ele é, ao lado do camisa 10 do Santos, um dos nomes por trás da chegada da Kings League ao País, competição criada por Gerard Piqué.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Responsável por liderar o primeiro time campeão do torneio no Brasil, Cris está desde 2024 à frente da divisão de Fut7 da Furia, hoje uma organização global de eSports com cerca de 200 funcionários e valuation superior a US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões). Segundo ele, esse valor não vem de um único negócio, mas da estrutura da organização como um todo.
“A Furia é como se fosse um clube. Assim como o Santos tem várias modalidades, a gente também tem vários braços: CS, LoL, Rainbow Six e agora o futebol. É isso que constrói o valuation”, explica ao destacar que a organização conta com centro de treinamento, equipe multidisciplinar e estrutura profissional comparável a clubes esportivos, além de uma grande base de fãs.
Apesar de dividir os holofotes com Neymar na Kings League, Cris esclarece que seus papéis são diferentes dentro da operação. Ambos são presidentes na liga, função que envolve comunicação, engajamento e participação no espetáculo, como bater pênaltis durante os jogos. No entanto, ele afirma que sua atuação vai além.
“Eu não sou só o cara que comunica. Eu contrato jogador, mando embora, pago salário. Eu vivo o futebol no dia a dia. Já o Neymar é mais da parte de entretenimento e divulgação”, afirmou Guedes.
A Furia foi fundada por Cris ao lado de André Akkari, Jaime Pádua e outros sócios, e hoje conta com diversos investidores. Neymar, por sua vez, não é sócio da organização como um todo, mas participa diretamente do braço do futebol, especialmente na Kings League.
A trajetória até esse patamar, no entanto, começou longe dos holofotes. “Saí de casa com 12 anos, sempre fui um menino de favela, perdi meu pai muito cedo”, contou. Criado na periferia de São Vicente, ele viu a mãe, empregada doméstica, trabalhar ainda mais para afastá-lo do risco do tráfico.
A virada aconteceu quando conseguiu estudar em uma escola particular em Santos, onde conheceu Neymar, aos 13 anos. A amizade começou ali e nunca mais se rompeu. “Desde aquele momento a gente nunca mais se largou”, relembrou.
Cris destaca que a relação com Neymar foi fundamental, mas de uma forma diferente do que muitos imaginam. Segundo ele, o jogador nunca foi um financiador direto de seus negócios.
“O Neymar nunca investiu um real nas minhas empresas, nunca me pagou salário. O que ele faz é muito mais valioso: ele abre portas”, afirmou.
Para o empresário, o verdadeiro impacto da amizade está no acesso e nas conexões proporcionadas pelo jogador. “Melhor do que me dar R$ 10 milhões é me apresentar para grandes empresários, grandes empresas. O nome do Neymar já é o dinheiro.”
Ele também rebate a visão superficial sobre a relação dos dois. “As pessoas veem a gente viajando, de helicóptero, mas não veem o trabalho do dia a dia. O Neymar é um grande impulsionador dos amigos dele”, afirmou.
Essa proximidade, segundo Cris, foi decisiva para o crescimento de sua rede de contatos, algo que ele considera seu maior ativo. Após a falência de uma casa noturna que abriu em Santos, foi justamente essa rede que permitiu sua retomada.
“O que eu tinha naquele momento era contato. Contato para pedir emprego, para investir, para recomeçar”, explicou.
Foi essa habilidade de conexão que o levou à criação da Furia, em 2017, após convite de André Akkari. Sem recursos suficientes, Cris apostou em sua capacidade de conseguir patrocínios e parcerias. Durante a pandemia, com o crescimento dos jogos eletrônicos, a empresa se consolidou como uma das maiores do mundo no segmento. Hoje, além dos eSports, a Furia também aposta no futebol de entretenimento.
Ideia de trazer a Kings League ao Brasil
A ideia de trazer a Kings League ao Brasil surgiu em uma conversa com Neymar, em Paris. Ao ver o sucesso da liga, com milhões de espectadores online e estádios lotados, Cris enxergou o potencial imediato no País. “Eu falei: isso no Brasil vai ser um estouro. A gente precisa ter um pedaço desse negócio”, contou.
Meses depois, o convite veio por meio de Gerard Piqué. Neymar, impedido por questões contratuais de ter um time próprio, indicou a Furia para assumir o projeto, decisão que consolidou a entrada de Cris no novo mercado.
Hoje, além de comandar a operação, Cris também participa ativamente dos jogos e da criação de conteúdo, enquanto mantém sua atuação como empresário e influenciador. Apesar do sucesso financeiro, ele afirma que seu principal objetivo mudou: “Hoje, meu propósito é impactar vidas.”
Ele cita exemplos de jogadores que conseguiram melhorar de vida por meio da Furia e reforça o desejo de ampliar esse impacto, inclusive com apoio de iniciativas ligadas a Neymar. “Se eu puder tirar um moleque da rua, dar oportunidade, mudar a vida de alguém, já valeu.”
Entenda como funciona a Kings League
A Kings League Brasil 2026 é a versão nacional do torneio Kings League, que combina elementos do futebol com games e streaming. Os jogos são bem mais dinâmicos: duram cerca de 40 minutos (dois tempos de 20 minutos) e têm regras próprias.
Os times são comandados por presidentes, que podem ser influenciadores, streamers, ex-jogadores e personalidades do mundo digital. Então cada partida é, ao mesmo tempo, um jogo de futebol e um verdadeiro espetáculo de entretenimento.
Outro diferencial da Kings League Brasil 2026 é a transmissão multiplataforma do torneio, que acontece em redes sociais, plataformas de streaming e televisão para alcançar diferentes públicos e idades.
Diferença da Kings League para o futebol
A Kings League se diferencia do futebol tradicional em vários aspectos:
- O time tem 7 jogadores;
- As partidas são mais curtas e dinâmicas;
- Há regras especiais (como cartas douradas e gols duplos);
- Interação direta com o público por meio de chat;
- Não tem empate: todos os jogos têm um vencedor.
Além disso, as partidas da Kings League são disputadas no formato 7×7, em campos menores que os tradicionais (55 x 35 metros), assim como as traves do gol. Cada time tem até dez jogadores ao longo da partida, com substituições ilimitadas.