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Ucraniano é desclassificado dos Jogos de Inverno por capacete com imagem de mortos na guerra

12 fev 2026 - 08h40
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O atleta de skeleton ucraniano Vladyslav Heraskevych foi expulso dos Jogos Olímpicos de Inverno na quinta-feira por causa de seu "capacete da lembrança" que exibia atletas mortos desde a invasão da Rússia, apesar de um apelo pessoal da presidente do Comitê Olímpico Internacional.

O ucraniano de 27 anos, que vinha treinando na Itália com o capacete mostrando duas dúzias ⁠de compatriotas mortos, foi barrado e teve sua credencial retirada minutos antes do início da ‌competição na pista.

"Fui desclassificado da corrida. Não terei meu momento olímpico", disse Heraskevych, que, de acordo com o COI, teria violado a regra 50.2 da Carta Olímpica, ‌que proíbe a política nos campos de jogo.

"Eles foram ‌mortos, mas sua voz é tão alta que o COI tem medo deles."

Sua ⁠equipe disse que vai recorrer da decisão na Corte Arbitral do Esporte.

A presidente do COI, Kirsty Coventry, chegou de manhã cedo perto da linha de partida e se reuniu com Heraskevych antes da decisão. Ela se emocionou ao contar aos repórteres que não conseguiu chegar a uma solução.

"Achei que era muito importante vir aqui e conversar com ‌ele pessoalmente", disse ela após a reunião que durou cerca de 10 minutos. "Ninguém, especialmente eu, ‌discorda da mensagem, é uma ⁠mensagem poderosa, é ⁠uma mensagem de lembrança, de memória."

O COI sugeriu compromissos, incluindo o uso de uma faixa preta no ⁠braço ou a exibição do capacete antes ‌e depois da corrida.

"Infelizmente, não ‌conseguimos encontrar essa solução. Eu realmente queria vê-lo competir. Foi uma manhã emocionante", afirmou Coventry. "Trata-se literalmente das regras e regulamentos e, neste caso... temos que ser capazes de manter um ambiente seguro para todos e, infelizmente, isso significa que nenhuma ⁠mensagem é permitida."

Não é a primeira vez que o COI sanciona um atleta por uma mensagem política.

O caso mais famoso foi nas Olimpíadas de 1968, na Cidade do México, quando os velocistas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos levantaram os punhos enluvados de preto durante a cerimônia de medalhas ‌dos 200 metros para protestar contra a injustiça racial nos Estados Unidos.

Isso levou à expulsão dos dois dos Jogos, embora Smith tenha mantido sua medalha de ouro e ⁠Carlos, a de bronze.

Nos Jogos Olímpicos de Paris de 2024, a dançarina de break afegã Manizha Talash, membro da equipe olímpica de refugiados, foi desclassificada após usar uma capa com o slogan "Mulheres afegãs livres" durante uma competição de pré-qualificação.

"Se permitirmos essa expressão a um atleta... isso levará ao caos", disse o porta-voz do COI, Mark Adams, em uma coletiva de imprensa.

O Comitê Olímpico da Ucrânia afirmou que estava planejando algum tipo de protesto, mas não boicotaria os Jogos.

"Corrigiremos esse erro por meios legais. Vladyslav, você agiu com dignidade. Essa história certamente continuará. Estamos com você", escreveu o ministro da Juventude e Esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, no X.

Os membros da equipe ucraniana foram vistos chorando e se abraçando após a decisão.

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