França critica regra do COI sobre testes de elegibilidade feminina e aponta "retrocesso"
Ministra do Esporte da França critica regra do COI sobre testes genéticos em atletas mulheres e alerta para riscos éticos, legais e impacto na igualdade no esporte olímpico
A nova diretriz do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre critérios de elegibilidade para competições femininas provocou reação imediata do governo francês. A ministra do Esporte da França, Marina Ferrari, classificou a medida como um passo atrás e questionou seus impactos sobre igualdade e direitos das atletas.
Governo francês vê riscos éticos e jurídicos
Segundo Ferrari, a adoção de testes para definir a participação de atletas na categoria feminina levanta preocupações relevantes. Para a ministra, a proposta cria um recorte direcionado às mulheres e pode comprometer princípios básicos de equidade no esporte.
— Nós nos opomos à generalização dos testes genéticos, que levanta inúmeras questões éticas, legais e médicas, particularmente à luz da legislação francesa. Esses testes, introduzidos em 1967, foram descontinuados em 1999 devido às fortes reservas da comunidade científica quanto à sua relevância. A França lamenta esse retrocesso — completou.
Testes são proibidos na França, mas COI prevê alternativas
A legislação francesa impede a realização desse tipo de exame. Ainda assim, o COI indicou que atletas de países com restrições legais poderão ser avaliadas fora de seus territórios de origem.
A presidente da entidade, Kirsty Coventry, explicou que o cronograma de implementação permitirá ajustes antes da aplicação plena da política.
— Se for ilegal em um país, os atletas terão a possibilidade de serem testados quando viajarem para outras competições. É por isso que estamos dizendo que a política entra em vigor agora, mas será implementada nas Olimpíadas de Los Angeles 28. Assim, teremos tempo para analisar esse processo com todos — destacou Kirsty Coventry.
Nova política passa a valer a partir de Los Angeles 2028
De acordo com o COI, a regra será aplicada em todos os eventos sob sua organização a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. A recomendação também é que federações internacionais, comitês nacionais e demais entidades esportivas adotem critérios semelhantes em suas competições.
A diretriz abrange tanto esportes individuais quanto coletivos, padronizando os requisitos de elegibilidade feminina no âmbito olímpico.
Critério será baseado na identificação do gene SRY
O parâmetro definido envolve a detecção do gene SRY (Sex-determining Region Y), associado ao desenvolvimento biológico masculino. A presença ou ausência desse marcador será determinante para a participação na categoria feminina.
Segundo o COI, a decisão se apoia em evidências científicas e em pesquisas conduzidas pela diretora de saúde e ciência da entidade, Jane Thornton. O comitê também informou que os exames poderão ser realizados por métodos considerados menos invasivos, como coleta de saliva ou sangue.