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Escritora, palestrante e atleta: a história de Juliana Silva

2 set 2024 - 09h18
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Paris - Juliana Silva nunca teve uma ligação forte com esportes em sua juventude, mas isso mudou depois que sofreu um acidente automobilístico e ficou tetraplégica. A princípio como reabilitação e depois de forma competitiva, encontrou no esporte uma forma de recomeçar. Sua história é contada em seu livro de autobiografia, lançado no ano passado, e nas palestras de cunho motivacional que dá pelo Brasil. Ela iniciou no tênis de mesa e, no ano passado, migrou para o tiro com arco. Em apenas 18 meses praticando a nova modalidade, a "Ju Fênix" representou o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Paris-2024.

"Como coach, eu fiz um quadro de realizações que eu faço a cada quatro anos e coloquei lá que eu ia para as Paralimpíadas de Paris, não importava a modalidade. E estou aqui. Imagina a minha emoção de tanta luta, tantas batalhas, treinos, totalmente amarrada em uma cadeira, presa para conseguir puxar o arco. No início, eu não conseguia nem levantar o arco, então foi um desafio bem grande para que eu pudesse levantar e puxar o arco. E hoje estar em uma Paralimpíadas é mais que um sonho, acho que ainda não caiu a ficha", disse Juliana, que tem 39 anos de idade.

Engenheira elétrica aposentada, Juliana Silva sempre teve uma vida bem ativa. Durante uma viagem a trabalho para o Rio de Janeiro em junho de 2015, sofreu um acidente na Rodovia Presidente Dutra. O carro que ela dirigia caiu de uma ribanceira e atingiu uma rocha. Ao chegar no hospital, foi diagnosticada com tetraplegia. Ela precisou passar por cirurgias e teve muitas complicações, mas sobreviveu.

O começo no esporte

Juliana iniciou o processo de reabilitação e foi quando conheceu a paracanoagem através de um projeto de Fernando Fernandes, tricampeão mundial da modalidade. Antes dançarina e professora de tango, a paranaense de Goioerê pôde ter seu primeiro contato mais profundo com o esporte. Depois da canoagem, conheceu o tênis de mesa, modalidade que permaneceu por oito anos e teve muitas conquistas nacionais e internacionais. Foi somente no início do ano passado que ela conheceu o tiro com arco, através de um workshop que participou.

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"Eu nunca pratiquei esporte na minha vida. Eu comecei como um propósito de reabilitação, mas nunca passou na minha cabeça em praticar como competitividade. Da canoagem, migrei para o tênis de mesa e comecei a competir. E percebi que eu era competitiva e que o esporte realmente era minha área. O esporte foi entrando cada vez mais na minha vida, competindo e viajando a nível Brasil. E eu falei que queria Paralimpíadas e também passei a ir para campeonato internacional. E no meio de tudo isso, fui apresentada para o tiro com arco", lembrou.

Dedicação ao tiro com arco

A princípio, o tiro com arco entrou em sua vida mais como um desafio do que uma tentativa de competir em uma nova modalidade, uma vez que ela mal conseguia segurar o arco quando começou. "Eu pensei assim: se não for por esporte, vai ser como reabilitação. Eu comecei, fui adaptando e foi um processo de formiguinha bem rápido, tanto é que esse ano eu fui vice-campeã parapan-americana de tiro com arco individual e mista", falou Juliana, se referindo à competição que aconteceu em abril, em São Paulo.

Por conta dos bons resultados nacionais e internacionais, a paranaense ganhou destaque no tiro com arco e, pouco a pouco, passou a se dedicar exclusivamente à modalidade. Hoje, ainda aparece na 17ª colocação do ranking mundial da classe 2 do tênis de mesa, mas é a 14ª colocada do ranking mundial da classe W1 do tiro com arco. Foi a nova modalidade quem a projetou e a fez conseguir uma vaga paralímpica. Em Paris-2024, ela parou nas oitavas de final na disputa individual e caiu nas quartas de final no duelo por equipes mistas, ao lado de Eugênio Franco.

Escritora e palestrante

Além de atleta, Juliana Silva também é escritora e palestrante. Para contar sua trajetória de vida, Juliana escreveu sua autobiografia no ano passado, intitulada "Fênix: A paratleta que renasceu por meio do esporte e da gratidão". No livro, ela traz ensinamentos de sua trajetória de vida e relata como sua vida se transformou após o acidente. Ela também mostra por que é uma "fênix" desde antes mesmo de quase ter morrido no ocorrido.

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Foto: Silvio Ávila/CPB / Olimpíada Todo Dia

"Quando eu sofri o acidente, a primeira coisa que você procura são respostas para as coisas, principalmente na situação que você se encontra. Eu procurei respostas para as minhas perguntas em livros, filmes, documentários e eu não achava. Decidi pegar a minha vida e colocar tudo aquilo que eu queria como resposta quando eu estava no leito só mexendo a cabeça. O livro todo conta de como eu fui preparada até o meu acidente. Eu passei por bullying, depressão e anorexia e tudo isso me fez fortalecer para o meu acidente de carro", falou.

No livro, assim como nas palestras de cunho motivacional que dá, ela também fala sobre como o esporte a ajudou a seguir a vida depois que ficou tetraplégica. "As portas foram se abrindo e parece que o esporte te abraça. Ele te deixa em casa, ele é uma família, é seu marido, seu irmão, é tudo. E o esporte te abraça de uma forma que te transforma em um ser humano grato de estar vivo", expressou a atleta.

Foco em Los Angeles

Depois de disputar sua primeira Paralimpíada, Juliana Silva já promete um segundo livro, que contará sua trajetória no tiro com arco e no megaevento. Afinal, estar nos Jogos lhe rendeu muitos ensinamentos que ela quer levar para a vida e para a carreira. Ela foca em seguir ainda mais competitiva nos principais eventos internacionais do tiro com arco, que incluem a Paralimpíada de Los Angeles-2028.

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Foto: Patrícia Almeida/CPB / Olimpíada Todo Dia

"Cada coisa que aconteceu aqui eu aprendi. A gente fica feliz, a gente chora, muitas emoções ao mesmo tempo. E a maior de todas, que é um grande aprendizado: a gente volta para o Brasil com uma lista enorme de tudo que a gente vai se preparar pra Los Angeles, com certeza a gente trazer medalha", disse Ju. "Enquanto eu estiver puxando o arco, com certeza eu vou estar em todas as Paralimpíadas que tiver. É empolgante. Não importa quantas adaptações eu tenha no corpo, com certeza eu vou estar em todos os Mundiais, Parapans e por aí vai".

Olimpíada Todo Dia
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