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Após fugir do Talibã, atleta afegã estreia na Paralimpíada

Zakia Khudadadi desembarcou na capital japonesa após voar secretamente para a Austrália com ajuda internacional

2 set 2021 09h31
| atualizado às 09h51
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Zakia Khudadadi
Zakia Khudadadi
Foto: Thomas Peter / Reuters

Antes ameaçado pelo medo e terror, o sonho paralímpico foi realizado. Após conseguir fugir do Talibã, a atleta de tae kwon do Zakia Khudadadi estreou em Tóquio e se tornou a primeira mulher a representar o Afeganistão nos Jogos. Usando hijab branco, ela entrou na arena de competição Makuhari Messe, em Chiba, nesta quinta-feira. Suas duas derrotas foram detalhes perto do feito de pisar em solo japonês.

Khudadadi chegou ao Japão no último sábado, após embarcar secretamente em um voo rumo à Austrália para conseguir fugir do Afeganistão. Com o grupo extremista tomando o controle da capital Cabul e fechando aeroportos, a participação da jovem de 22 anos na Paralimpíada foi colocada em risco. O governo australiano não mediu esforços para conseguir tirar ela e o compatriota Hossain Rasouli do cenário de caos às vésperas da competição.

Apesar do êxito em conseguir sair do Afeganistão, Khudadadi preferiu não comentar seu desempenho em Tóquio, evitando conversar com jornalistas depois de suas lutas. Rasouli competiu no salto em distância masculino na terça-feira e também não falou com a mídia.

"Estou preocupada com a situação no Afeganistão, mas estou muito feliz que ela tenha conseguido vir e competir comigo", disse a ucraniana Viktoriia Marchuk depois de derrotar Khudadadi na rodada de repescagem. Em seu apelo para ir aos Jogos, Khudadadi disse que não queria que toda sua preparação tivesse sido em vão.

Zakia Khudadadi enfrenta Viktoriia Marchuk nas Paralimpíadas de Tóquio
Zakia Khudadadi enfrenta Viktoriia Marchuk nas Paralimpíadas de Tóquio
Foto: Thomas Peter / Reuters

Não se sabe imediatamente o que os atletas afegãos pretendem fazer após os Jogos, mas Alison Battisson, da organização Direitos Humanos para Todos, que esteve envolvida na evacuação, disse que a Austrália lhes concedeu vistos humanitários.

O Talibã disse que respeitaria os direitos das mulheres, permitindo-lhes trabalhar e estudar "dentro da estrutura do Islã", mas muitos afegãos temem que isso seja uma um argumento de fachada, em uma tentativa de diminuir as críticas pela comunidade internacional.

Durante seu governo de 1996-2001, também guiado pela lei islâmica sharia, o Talibã impediu as mulheres de trabalhar. As meninas não podiam ir à escola e as mulheres tinham que usar burcas que cobriam tudo para sair, e apenas quando acompanhadas por um parente do sexo masculino.

Estadão
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