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A evolução do Japão: como o futebol do rival do Brasil mudou desde Zico

Projeto começou no fim da década de 80, passou por Copas consecutivas e tem seu maior desafio nesta segunda

29 jun 2026 - 09h46
(atualizado às 10h10)
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Zico treinou a seleção japonesa no ciclo entre 2002 e 2006 –
Zico treinou a seleção japonesa no ciclo entre 2002 e 2006 –
Foto: Junko Kimura/Getty Images / Jogada10

O teste final do Japão chegou. Quando a bola rolar para o duelo com a Seleção Brasileira, nesta segunda-feira (29), às 14h, em Houston, os asiáticos colocarão à prova mais de 35 anos desde o início do projeto para evoluir no futebol. Afinal, vencer uma partida de mata-mata de Copa do Mundo é algo inédito para o país.

A geração atual é considerada a mais completa e madura que o Japão já teve. Com uma defesa mais forte e ótimos nomes entre os 11 titulares, a expectativa é de que o desenvolvimento gere frutos. E há motivos para acreditar. Afinal, derrotaram o próprio Brasil em um amistoso em 2025, por 3 a 2. E somam uma invencibilidade de 11 jogos contra europeus, incluindo vitórias sobre Alemanha (duas vezes), Espanha e Inglaterra.

Zico é peça-chave desde a década de 90

O país do futebol sempre foi a fonte de informações que os japoneses buscaram. Tanto que vieram à região Sul para uma excursão em 1989, ainda sem uma liga profissional organizada. A delegação voltou com um caderninho cheio de contatos e anotações.

"Estamos aqui (Brasil) para aprender e ganhar experiência. Estou certo de que um dia o Japão terá uma grande seleção de futebol", disse à época o técnico Kenzo Yoloyama.

As primeiras lições foram criar uma base de formação de jogadores e fortalecer o campeonato local. Além disso, contrataram veteranos que pudessem contribuir com a evolução do esporte, dentro e fora de campo. Aos poucos, treinadores também chegaram.

Zico treinou a seleção japonesa no ciclo entre 2002 e 2006 –
Zico treinou a seleção japonesa no ciclo entre 2002 e 2006 –
Foto: Junko Kimura/Getty Images / Jogada10

Assim, Zico desembarcou no Japão para se tornar uma espécie de embaixador e ver se o joelho permitiria que ainda jogasse em bom nível por alguns anos. O pontapé inicial da J-League foi em 1993, e o ex-camisa 10 de Flamengo e Seleção Brasileira vestiu o vermelho do Kashima Antlers. Rapidamente, virou ídolo e ajudou a febre do futebol se espalhar. Na bola, ensinou a importância de aspectos como a malícia e a visão de jogo. Depois, voltou como treinador.

O atacante Alcindo, o lendário inglês Gary Lineker e o artilheiro da Copa de 1990, Salvatore Schillaci, também disputaram a competição. Entre os nativos, o destaque ficava por conta de Kazuyoshi Miura, o King Kazu, que se tornou o primeiro a jogar na Europa, ao assinar com o Genoa, da Itália.

Primeira Copa e anfitriões

Superada a decepção por perder a vaga para o Mundial de 1994, a seleção estreou na França, quatro anos depois. Caiu na primeira fase, sem marcar pontos, mas trouxe na bagagem a experiência necessária para seguir evoluindo. Isso sem falar que o torneio seguinte seria em casa - dividido com a Coreia do Sul. E foi em 2002 que a primeira classificação veio, com vitórias sobre Rússia e Tunísia.

O trabalho de base surtiu efeito, e nomes como Nakata, Kagawa, Nagatomo e Honda partiram para o futebol europeu desde cedo. Daí em diante, os resultados só melhoraram. Dominante na Ásia, o Japão participou de todas as Copas desde 1998 e já foi às oitavas quatro vezes no total. A mais marcante delas foi a última, no Catar, quando derrotaram Alemanha e Espanha em um um "grupo da morte".

Fera do Japão há duas décadas, Nakata fez história –
Fera do Japão há duas décadas, Nakata fez história –
Foto: Christof Koepsel/Bongarts/Getty Images / Jogada10

Os próprios jornais nipônicos classificaram as vitórias como "chocante" e "inesperadas". Mas a verdade é que a consolidação do trabalho era questão de tempo. Mesmo assim, o projeto é cauteloso - afinal, a federação crê que a seleção poderá ganhar um Mundial somente em 2050.

Time maduro e completo

A geração de 2022 parece mais pronta para a próxima façanha. A parte física, que era um obstáculo, hoje é um dos trunfos. Taticamente, os japoneses permanecem disciplinados e têm muita velocidade e entrosamento na troca de passes no ataque. Além disso, marcaram gols nas últimas dez partidas.

A confiança é tanta que o reserva Kento Shiogai deu uma provocada na Seleção Brasileira, antes da partida decisiva desta segunda-feira.

"Não acho que seja aquele Brasil de antigamente. Por isso, acho que precisamos entrar para dominar o jogo de verdade. Mas, ainda assim, se aparecerem momentos difíceis, espero que nós, os jogadores que estão no banco, consigamos ajudar e salvar o time", declarou o atacante do Woflsburg, da Alemanha.

Linha do tempo da evolução do Japão:

1989 - a delegação japonesa vem ao Brasil para uma excursão e perde para Coritiba e Joinville

1991 - Zico desembarca no Japão e inicia o projeto da J-League, criada em 1993

1996 - primeiro grande resultado: vencem o Brasil na primeira fase das Olimpíadas de Atlanta

1998 - classificam-se para a Copa pela primeira vez, mas perdem todos os jogos

2001 e 2005 - Japão empata com Brasil duas vezes seguidas (0 x 0 e 2 a 2), em amistosos

2002 - anfitrião do Mundial, garante a vaga nas oitavas e estreia em mata-mata

2003 a 2006 - Zico assume o comando da seleção e fecha o ciclo até 2006

2010 - de novo nas oitavas da Copa, abre 2 a 0 sobre a Belgica, mas sofre a virada

2014 - um marco japonês no Brasil: chega à quinta Copa seguida e reforça o domínio na Ásia

2018 - a vitória sobre a Colômbia é a primeira do time principal sobre um sul-americano

2022 - assume o protagonismo mundial ao vencer Alemanha e Espanha na fase de grupos

2025 - Japão obtém a classificação mais rápida da história nas eliminatórias, com apenas um empate com a Austrália

2025 - faz 3 gols no Brasil e vira o jogo em amistoso de outubro do ano passado

2026 - soma 11 partidas de invencbilidade contra europeus - incluindo empates com Holanda e Suécia na primeira fase desta Copa, antes de desafiar o Brasil

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Jogada10
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