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Trajetória: como o Grêmio foi do céu ao inferno em 2021

Acostumado ao status de favorito nas competições nacionais e internacionais nos últimos anos, clube despencou de produção

27 out 2021 06h34
| atualizado às 07h46
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Vagner Mancini assumiu com a missão de livrar o time da Série B (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)
Vagner Mancini assumiu com a missão de livrar o time da Série B (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)
Foto: Lance!

29 de novembro de 2017. Estádio La Fortaleza, em Lanús, na Argentina. Comandado por figuras carimbadas na história como Geromel, Kannemann, Arthur e Luan, o Grêmio chega à sua terceira conquista na história da Libertadores de maneira dominante, com um futebol de encher os olhos para conquistar o nível mais alto nas Américas. Fruto de um trabalho que estava apenas em seu segundo ano no comando de Renato Portaluppi.

25 de outubro de 2021. Estádio Antonio Accioly, em Goiânia. Apesar de um nível de atuação regular, o Grêmio perde por 2 a 0 para o Atlético-GO demonstrando enorme fragilidade emocional diante das adversidades, chega a sete rodadas sem vencer no Brasileirão e enxerga a Série B como uma realidade tenebrosa, porém cada vez mais palpável.

Se comparado os dois cenários, parece improvável dizer que se trata de um clube que está sob a mesma gestão em ambos períodos e que, seguindo o caminho inverso do senso comum no futebol nacional, apresenta um caráter financeiro absolutamente estável e superavitário, mesmo diante do enorme prejuízo acarretado com a pandemia de covid-19 que atingiu as mais diversas áreas de maneira global.

O LANCE! fez uma análise mais detalhada sobre alguns pontos que podem ser considerados como verdadeiros pilares para que a situação do clube tenha sofrido uma transformação negativa de caráter tão radical.

Sem reação: Grêmio flerta com rebaixamento e vê situação cada vez mais crítica (Bruno Corsino-ACG)
Sem reação: Grêmio flerta com rebaixamento e vê situação cada vez mais crítica (Bruno Corsino-ACG)
Foto: Lance!

Comissão técnica

Diante de resultados expressivos amplamente conhecidos entre setembro de 2016 até o término da sua passagem, em abril deste ano, a "Era Renato" acumulou diversos episódios com falas ácidas (até certo ponto folclóricas) do seu expoente. Entretanto, não se pode falar de uma coisa: a dificuldade de identificação sobre qual era a ideia de jogo mesmo abastecido com um elenco e poder aquisitivo, até aquele momento, visto como insuficiente. Tudo isso suportado pela diretoria, mesmo em momentos de natural questionamento.

Após a saída de Portaluppi, era previsível que existiria dificuldade em fazer com que outra figura tivesse o mesmo grau de aproveitamento. Mesmo assim, Tiago Nunes chegou a emendar a melhor sequência até aqui antes de se iniciar o Brasileirão, momento onde a brusca queda no aproveitamento gerou sua demissão. Fenômeno semelhante ao de Felipão onde nem mesmo a idolatria e a falta de horizonte de melhora fizeram a gestão resistir ao ímpeto do costume de demitir a figura central do comando técnico.

Transição de elenco

Mesmo nos momentos de maior rendimento, Renato reclamou em seguidas oportunidades de ter um elenco curto em alternativas, fator que usava como justificativa para poupar atletas no Campeonato Brasileiro por melhores condições na Copa do Brasil e na Libertadores, em via de regra.

Porém, aos poucos, a estrutura central da equipe até então muito vitoriosa se viu vítima da força inexorável do tempo, fazendo com que nomes como Geromel, Kannemann e Maicon, por exemplo, ficassem cada vez menos à disposição. Além disso, a venda de atletas como Fernandinho, Pedro Rocha, Luan e Arthur "forçou" o clube a se colocar em um constante processo de reformulação que leva tempo. Algo que, somado a constante troca na figura da comissão técnica, pode ter um alto custo.

Tragédia anunciada? Grêmio caiu precocemente na fase anterior à de grupos na Libertadores para o Del Valle, no início do ano (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Tragédia anunciada? Grêmio caiu precocemente na fase anterior à de grupos na Libertadores para o Del Valle, no início do ano (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Foto: Lance!

Pressão

É fato que o clube já conviveu com o amargo sabor do rebaixamento em outras duas oportunidades no Campeonato Brasileiro nos anos de 1991 e 2004. Porém, apenas uma parte do atual elenco viveu situação semelhante no Gauchão de 2018 e, ainda assim, em caráter parcial já que, naquele momento, as primeiras partidas do estadual foram disputadas com times alternativos diante das férias prolongadas as principais peças.

Com o passar das rodadas e a realidade do Z4 gradualmente mudando de status temporário para a principal briga da equipe no segundo semestre, mesmo figuras carimbadas como Diego Souza, Rafinha, Douglas Costa e cia. não conseguiram "controlar os nervos" em situações que ficaram explícitas em situações de adversidade.

Sem poder de reação e constantemente saindo atrás do placar, formou-se a receita que culmina, até o momento, com uma campanha resultando no alto risco de rebaixamento. Realidade essa que só pode ser modificada com vitórias em sequência, sendo a primeira oportunidade o Palmeiras, na Arena, às 16h (de Brasília) do próximo domingo (31).

Lance!
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