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Barcos: “presidente do Palmeiras não foi homem”

Em entrevista exclusiva, o capitão do Grêmio fala sobre sua tumultuada saída do clube paulista, suas chances de jogar a Copa do Mundo pela seleção argentina e as metas do tricolor gaúcho para 2014

4 abr 2014 - 16h12
(atualizado às 16h15)
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Exclusivo: Barcos detona Paulo Nobre "não teve hombridade":

Aos 29 anos, o camisa 9 do Grêmio respira aliviado. “Meu 2014 começou muito bem”, diz o argentino. Do alto da experiência de quem já jogou em seis países e defendeu a seleção de seu país ao lado do gênio Lionel Messi, Hernán Barcos sabe o que diz, mas mantém o pé no chão. E mostra que aprendeu muito com as reviravoltas e a ética um tanto tênue do mundo do futebol.

Comunicando-se com desenvoltura, em um portunhol de respeito, o atacante já sabe que entrou no seleto clube dos hermanos que conquistaram a torcida brasileña – grupo que reúne ídolos como Juan Pablo Sorín, Carlos Tevez e Andrés D’Alessandro. Isso não quer dizer, claro, que sua amada celeste y blanca saiu da sua lista de prioridades. “Tomara que a Argentina ganhe a Copa”, afirma o artilheiro. A sorte está lançada.

Com 14 gols em 2014, média de 0,82 gol por jogo, Barcos recuperou a confiança nesta temporada depois de um primeiro ano irregular no Grêmio desde a polêmica troca por quatro jogadores com o Palmeiras no início do ano passado.

Sobre a saída do time paulista, o atacante afirmou que a perseguição posterior da torcida do Palmeiras foi em razão de o negócio não ter sido bem explicado pelos cartolas. "(Paulo Nobre) não foi homem para dizer o que realmente aconteceu".

Veja a entrevista exclusiva com Barcos:

Terra – Quando você percebeu que levava jeito para a coisa, que poderia ser um jogador de futebol?

Hernán Barcos – Eu sempre tive o sonho de jogar. Meu pai e meu avô eram treinadores, a família toda era do fútbol. Desde pequeno eu via os jogos na TV e dizia: “quero estar aí”. Ganhei destaque nas categorias de base e continuei sonhando. Com 15 anos saí da minha casa, fui a Córdoba e cheguei ao Racing um ano depois. Ali eu senti que estava no mesmo nível dos outros jogadores e que poderia conseguir.

Terra – Você passou pela Sérvia, pela China, está aqui no Brasil e fez muito sucesso no Equador. Como é ser um cidadão do mundo?

Barcos – É muito bom, porque uno aprende muito saindo do seu país. Com 19 anos, fui para fora pela primeira vez, quando apareceu a oportunidade de jogar no Guarani do Paraguai. Aproveitei e me mantive na primeira divisão por um ano e meio. Aí um treinador que eu já conhecia, Gabriel Perrone, me levou para o Equador pela primeira vez. Fiz uma boa temporada e apareceram várias oportunidades. Mas quando voltei ao Racing, depois do período em que fiquei emprestado, não tinha lugar no time e fiquei encostado. Aí saliu Sérvia, e me mandaram para lá.

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Terra – Quantos anos você tinha?

Barcos – Vinte e três. E eu não sabia nada da Sérvia. Me falaram: “você vai jogar a Champions”. E eu: “vamos lá”. O dinheiro era bom e então a gente foi. Tive uma experiência muito boa, joguei a Copa Uefa e a pré-Champions. Foi muito positivo, apesar de não ter sido o melhor ano da minha carreira. Aí voltei para a Argentina e joguei pelo Huracán. Depois de seis meses, quando ainda tinha contrato com o Racing, me apareceu a China. Fiquei por lá um ano, fui artilheiro do campeonato, um momento muito positivo. Voltei mais uma vez, e saí do Racing. Fiquei cinco años e nunca joguei. Então saí, eles me deram esta libertad. E ai a LDU me comprou. Foram dois anos inesquecíveis. Ganhamos e fizemos muita coisa boa no Equador.

Terra – Como você explica a sua identificação imediata com a torcida brasileira? Apesar de toda a rivalidade entre Brasil e Argentina, você foi muito bem recebido quando chegou ao Palmeiras, em 2012.

Barcos – Eu cheguei como um ninguém. Não eram muitos os que me conocían. Mas o Felipão (então técnico do Palmeiras) me conocía. E ele me deu toda a confiança. Cheguei muito bem e aproveitei cada jogo. Graças a Dios, deu certo no Palmeiras e ganhamos uma Copa do Brasil. Fazia muito tempo que o clube não era campeão. Lamentavelmente fomos rebaixados depois, mas são coisas que acontecem. Una coisa de loco. Tenho muito carinho pelo Palmeiras. Me trataram sempre muito bem, pelo menos até a hora em que saí.

Barcos comemora gol do Grêmio
Barcos comemora gol do Grêmio
Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA / Divulgação
Terra – Como foi trabalhar com o Felipão?

Barcos – É muito bom. Aprendi muito, conversava bastante com ele. Tenho o Felipão como um exemplo. Ele me ouvia todos os dias, sempre que eu queria conversar. Tivemos um ano de trabalho juntos e, graças a Deus, aprendi bastante.

Terra – O sucesso no Palmeiras finalmente te levou para a seleção argentina. Como foi esse momento?

Barcos – Obviamente, não acreditei quando me ligaram. No momento, falei: “o que tá acontecendo?”. Graças a Deus, me receberam da mejor forma. Eu achava que seria muito difícil entrar em um grupo já formado, mas me abraçaram desde o primeiro dia. A humildade dos jogadores é muito grande, e isso é o que faz um grande grupo. Aproveitei cada momento e desfrutei muito a seleção.

Terra – Como é jogar e conviver com o Messi?

Barcos – É muito lindo, né? Esse momento era inalcançável para mim, algo muito distante. Ele é uma pessoa igual a nós, com toda a humildade do mundo, uma tranquilidade. Nem parece que é o Messi. Ele não fala muito. Mas, quando faz isso, fala bem. Compartimos muitos momentos legais, é um cara muito solto. Entonces, tive de aproveitar um momento como esse. Messi não é apenas um grande jogador, e sim una grande persona.

Terra – Você espera estar na Copa do Mundo?

Barcos – Tenho uma esperança, um sonho. Meu 2014 começou muito bem, o Grêmio está no caminho certo, e espero ter essa oportunidade. Estou sonhando, mas sei que é difícil porque há grandes jogadores na seleção argentina.

Terra – Fazendo três gols por jogo, como você fez contra o Juventude no Gauchão, pode ficar fácil...

Barcos – Tá de bom tamanho, né? (risos)

Terra – É verdade que você cogitou pedir a cidadania equatoriana para jogar pela seleção do país?

Barcos – Meu filho é equatoriano, e se falou da possibilidade de eu conseguir a cidadania. Aí eu pedi, mas o documento não saiu por diferentes motivos. Eu via a possibilidade de jogar pela seleção argentina muito longe, quase impossível. Mas é claro que, se aparece a oportunidade de jogar pela seleção do meu país, tenho de aproveitar. Sempre foi meu sonho vestir a celeste y blanca.

Exclusivo: Barcos fala sobre seleção, Messi e Copa do Mundo:
Terra – Você jogaria pelo Brasil, caso tivesse a chance?

Barcos – É, não é fácil (risos). A pergunta é complicada, mas eu acho que não.

Terra – Quem ganha a Copa do Mundo?

Barcos – Tomara que a Argentina. Há vários favoritos, vai ser uma Copa muito boa. É claro que o Brasil vai brigar muito, a Seleção tem grandes jogadores e um grande treinador. E a Argentina tem as mesmas qualidades que o Brasil, não vai ser fácil de enfrentar.

Terra – Muita coisa se falou sobre a sua saída inesperada do Palmeiras. Gostaria que você contasse sua versão.

Barcos – Eu sempre fui sincero. Fiz vídeos falando, inclusive, que só uma proposta irrecusável me levaria a sair do Palmeiras. Hoje dizem que sou mercenário, eso, otro. Mas, se você pegar meu contrato no Palmeiras e o atual, no Grêmio, verá que praticamente não há diferença econômica. Fiz um benefício para o Palmeiras porque ele precisava tanto de dinero quanto de jogadores. Mas eles não me pediram para sair. Se tivessem me perguntado, eu teria dito que não queria sair. Eu falei que não queria. Mas, se ficasse, a possibilidade de não receber era grande. Naquele momento eu repeti o que o presidente e o diretor do clube disseram, que era de mútuo acordo, para o torcedor não ficar bravo com eles. Mas, depois, falaram que a culpa era minha e que eu quis sair... É brincadeira, né? Eu fiquei na minha, não disse nada, e dizem que eu forcei a saída? Aí eu me senti defraudado (decepcionado). A palavra, para mim, vale mais que um contrato. Como ele faltou com a sua palavra, falei a verdade quando saí. Eles meio que me forçaram a sair e eu não tive escolha. Vou fazer o quê? Saí do Palmeiras de um dia para o outro. Joguei na quinta-feira e no sábado já estava aqui em Porto Alegre. No ano passado sofri muito com isso, com os palmeirenses me xingando. Mas acho que isso aconteceu porque ninguém sabia a verdade e porque o presidente não teve a hombría (hombridade), não foi homem para dizer o que realmente aconteceu.

Obs. O Terra entrou em contato com o Palmeiras, via assessoria de imprensa, para uma resposta de Paulo Nobre. Até a publicação da matéria não houve retorno. 

15/08: com gol de Barcos na Arena Barueri, o Palmeiras venceu o Flamengo por 1 a 0 na 17ª rodada do Campeonato Brasileiro
15/08: com gol de Barcos na Arena Barueri, o Palmeiras venceu o Flamengo por 1 a 0 na 17ª rodada do Campeonato Brasileiro
Foto: Wagner Carmo / Gazeta Press
Terra – Então, voltar para o Palmeiras na gestão do presidente Paulo Nobre é impossível?

Barcos – Não, nunca digo que não. Todo mundo se equivoca, ele pode pedir desculpas em algum momento e falar a verdade. Não tenho nada contra o Palmeiras e nem contra o Paulo Nobre. Eu conto a minha verdade, que é aquela que os meus amigos sabem. Até mesmo muitos jornalistas sabem que a verdade é essa.

Terra – Vamos falar do seu momento atual. Você é capitão do Grêmio, cara. Como é que você está?

Barcos – Estou muito bem, muito feliz aqui no Grêmio. Ano passado foi um ano muito difícil, com troca de treinadores, ficando fora da Libertadores e do Campeonato Gaúcho. A gente sonhava muito e terminou não dando em nada. Mas conseguimos a vice-liderança do campeonato brasileiro, o que nos deu a chance de estar na Libertadores deste ano. O ano de 2014 começou diferente, com outra cabeça, outra mentalidade. O grupo mejorou muito, e isso dá mais tranquilidade e mais oportunidade para todo mundo se mostrar.

Terra – E como vai a sua relação com a torcida do Grêmio?

Barcos – É muito boa. Sempre serei agradecido ao torcedor do Grêmio. Quando eu cheguei, me receberam muito bem. Dentro do campo, às vezes, eles me xingam. Fui vaiado várias vezes no ano passado, mas faz parte da profissão. Na rua, ninguém me xingou. Como eu sempre falo, nunca vou xingar um torcedor. Em um momento ou outro, posso até ter feito isso com alguém na arquibancada (risos). Mas era só um torcedor, e não os nove millones que tem o Grêmio.

Terra – Como é fazer três gols em um só jogo? O que passa pela sua cabeça quando algo assim acontece?

Barcos – Quando eu faço um gol, já estou querendo fazer outro. Depois de conseguir o terceiro, se tiver chance, eu faço o quarto. Não me conformo com só um. É o meu trabalho, eu sempre quero mais. É muito bom, a satisfação é muito grande.

Terra – Como você espera acabar 2014?

Barcos – Temos três metas: chegar à final do Gaúcho -- que já conseguimos --, ser campeão da Libertadores e campeão brasileiro. A expectativa é muito boa. Aqui no Grêmio não podemos pensar em outra coisa. Então, a gente tem esse sonho, estamos no caminho. Estamos na final do Gaúcho, um campeonato que não ganhamos desde 2010. Muitos dizem que essa taça não é importante. Mas o que importa, para mim, é não perdê-la. Também estamos no caminho certo na Libertadores, mas não podemos dormir.

Fonte: Terra
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