Governo australiano concede asilo a 5 jogadoras da seleção do Irã
Atletas protestaram contra regime do país durante partida da Copa da Ásia
O Ministério do Interior da Austrália anunciou nesta segunda-feira (9) que cinco jogadoras de futebol iranianas que participaram recentemente da Copa da Ásia da modalidade receberam asilo no país da Oceania, sede do torneio continental.
As atletas, que receberam apoio do governo australiano, evitaram cantar o hino do Irã antes de uma partida contra a Coreia do Sul, em solidariedade às vítimas dos violentos protestos no país ocorridos em janeiro, incluindo Sahba Rashtian, uma árbitra de apenas 23 anos.
A seleção iraniana foi eliminada da Copa da Ásia no último domingo (8), após ser derrotada por 2 a 0 pelas Filipinas. Na ocasião, torcedores agitaram a bandeira do país anterior a 1979, vaiaram o hino nacional e tentaram impedir a saída do treinador. Além disso, uma petição pedindo que as autoridades locais dessem asilo às jogadoras superou a marca de 66 mil assinaturas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a dizer que falou sobre o tema com o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, e até se colocou à disposição para receber as jogadoras, posicionamento que contrastou com a política anti-imigração de seu governo.
"Albanese está no comando! Cinco já receberam assistência. Algumas, no entanto, sentem que devem retornar porque estão preocupadas com a segurança de suas famílias, incluindo possíveis ameaças caso não voltem", escreveu o republicano nas redes sociais.
A emissora da diáspora iraniana Iran International informou que as jogadoras já deixaram o hotel onde a seleção estava hospedada. Dirigentes chegaram a procurá-las, mas as atletas estão "em um local seguro".
Paralelamente, o técnico da seleção masculina do Iraque, Graham Arnold, pediu à Fifa o adiamento das repescagens intercontinentais das quais sua equipe participará para tentar garantir uma vaga na Copa do Mundo de 2026.
O australiano explicou que muitos de seus jogadores e membros da comissão técnica estão retidos no país devido à guerra no Irã e que também há problemas para obter vistos para o México, onde o Iraque enfrentará o vencedor do duelo entre Suriname e Bolívia em 31 de março, em Monterrey.
"Se a partida for disputada no México, teremos dificuldades para sair de Bagdá. Cerca de 60% dos meus atletas atuam no Iraque, toda a comissão técnica mora lá e toda a equipe médica vive no Catar. Também estamos com dificuldades para obter vistos mexicanos. Já cancelamos um período de treinamento nos Estados Unidos porque não podemos sair de Bagdá", disse o treinador.