STJD usa áudio falso do VAR em julgamento e procurador admite: 'Não tinha verificado'
Conteúdo de um perfil de paródia foi apresentado durante o julgamento de envolvidos na confusão do Ba-Vi
A Procuradoria do STJD utilizou um áudio falso do VAR, extraído de um perfil de paródia, durante o julgamento da confusão no clássico Ba-Vi. O procurador admitiu a falta de checagem e descartou a prova após alerta da defesa do Vitória. Ao final da sessão, Cacá foi suspenso por dois jogos, Marinho recebeu advertência, Jean Lucas foi absolvido e o Bahia multado em R$ 2 mil. O tribunal já havia registrado um incidente similar com áudio falso no mês anterior.
Um áudio falso atribuído ao VAR foi apresentado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) durante um julgamento nesta quinta-feira (27). O conteúdo apareceu na análise dos episódios ocorridos no Ba-Vi 508, mas acabou descartado depois que a defesa do Vitória alertou que o material vinha de um perfil de paródia.
O episódio ocorreu durante o julgamento de Cacá, Marinho e Jean Lucas por causa da confusão após um dos gols do Bahia no clássico. O procurador Roberto Maldonado reconheceu que não havia conferido previamente o vídeo apresentado na sessão.
"Esse daí deveria estar na denúncia, mas eu não tinha verificado. Ele parece realmente, até pelo linguajar, até acredito que devemos desconsiderar esse vídeo", afirmou Maldonado após o questionamento.
O alerta partiu do advogado do Vitória, Matheus Moreira Saleão. Ele disse ter quase certeza de que a página responsável pelo conteúdo já havia se envolvido em outro episódio relacionado a um falso áudio do VAR. Após a observação, o material foi desconsiderado.
Caso semelhante ocorreu há um mês
Não foi a primeira vez que um áudio falso do VAR apareceu em um julgamento no STJD. Em julho, a defesa do Internacional apresentou um conteúdo desse tipo durante o processo envolvendo o zagueiro Victor Gabriel pela falta que provocou a fratura de Gabriel Pec, do Cruzeiro.
Na ocasião, três auditores já haviam apresentado seus votos quando surgiu um questionamento sobre a autenticidade do material. O julgamento prosseguiu, e o advogado do Internacional afirmou posteriormente que não houve má-fé na apresentação da prova.
No julgamento desta quinta-feira, Cacá recebeu dois jogos de suspensão por tentar rasgar a camisa de Jean Lucas durante a comemoração do jogador do Bahia no Ba-Vi. Marinho recebeu uma partida de suspensão, convertida em advertência, enquanto Jean Lucas foi absolvido da acusação de provocar a torcida adversária.
O Bahia também recebeu multa de R$ 2 mil por atraso no início da partida. As punições estão relacionadas à confusão registrada após Jean Lucas marcar, tirar a camisa e exibi-la em direção à torcida do Vitória.
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