Seleção "resgata" tradição e usa numeração de 1 a 11
Em busca do futebol e dos gols que a consagraram em outros tempos - nem tão distantes assim -, a Seleção Brasileira parece começar a resgatar esse passado na numeração das camisas dos jogadores, como se pode ver na Copa América.
Atualmente, em muitos dos principais campeonatos mundiais, é possível ver números como 42 e 57 na parte de trás das camisas, com escolhas baseadas em questões hierárquicas entre os jogadores ou em superstições. Para a estreia contra a Venezuela, no entanto, o técnico Mano Menezes relacionou seus titulares com camisas de 1 a 11, como na época em que o Brasil ganhou a maioria de seus títulos e contava com nomes como Zizinho, Pelé, Garrincha e Zico.
Isso pouco tem a ver com o que ocorre especialmente na Europa, onde Ronaldinho Gaúcho não via problemas em usar o número 80, e Ronaldo supria a impossibilidade de brilhar com a 9 adotando a 99. O zagueiro John Terry e o atacante Nicolas Anelka usaram os números 26 e 39 no Chelsea, respectivamente, e o italiano Cristian Vieri gostava do 32. Um dos precursores dessa "revolução dos números" foi Johann Cruyff, eternizado com a camisa 14 na seleção holandesa, no Ajax e no Barcelona.
A história das Copas do Mundo registra dois casos curiosos de definição dos números a serem usados pelos jogadores, e uma delas, até hoje não esclarecida, envolveu a Seleção Brasileira. Em 1958, segundo algumas teorias, a escolha foi feita de forma aleatória, ou coerente com o número das malas usadas pelos atletas, ou ainda segundo o gosto do dirigente da Fifa responsável pela inscrição.
Com isso, Garrincha ficou com o número 11, ao invés do habitual 7, que coube a Zagallo. O goleiro Gilmar usou a camisa 3, como um autêntico zagueiro, e o lateral Nilton Santos ficou com a 12. Por mera coincidência ou pelo destino, a 10 foi vestida por Pelé.
Outro caso curioso aconteceu com a Argentina campeã do mundo em 1978. Os jogadores foram inscritos por ordem alfabética, com Osvaldo Ardiles ficando com a camisa 2 e o goleiro Ubaldo Fillol com a 5. E mais uma vez a 10 coube ao principal jogador da equipe - neste caso, Mario Kempes.
Quando um jogador se consagra com um número e, ao trocar de equipe, se vê impossibilitado de usá-lo, uma alternativa comum é acrescentar mais um dígito - como Ronaldo e seu 99 no Milan -, e outra é adotar os dois últimos números do ano de nascimento, caso de Ronaldinho Gaúcho no mesmo Milan.
Mas no quesito originalidade é difícil lembrar de melhor exemplo que o de Ivan Zamorano na Inter de Milão, quando perdeu a camisa 9 para Ronaldo, com quem fazia dupla de ataque. Para a temporada 1998-1999, o chileno escolheu o número 18, e colocou entre o 1 e o 8 um pequeno sinal: "+".