Quanto é necessário guardar de dinheiro para poder ir à próxima Copa em 2030? Especialistas opinam
Surpresas com aumento do valor dos ingressos, passagens e hotelaria devem ser levadas em conta no planejamento
A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim neste domingo, 19, e os olhos já se voltaram para a próxima edição, em 2030. Com sedes em Espanha, Marrocos e Portugal e partidas iniciais realizadas na América do Sul (Argentina, Uruguai e Paraguai), marcando o centenário do torneio, o Mundial é sonhado por muitos.
A adoção de preços dinâmicos para a definição do valor de ingressos e restrições para entrar nos Estados Unidos impediram que muitos torcedores estivessem ali, mas os que foram, presenciaram o maior campeonato de futebol do mundo. Para vivenciar o Mundial, é necessário planejamento e, à espelho dessa edição, esperar alguns imprevistos financeiros. Mas afinal, quanto deve ser guardado para estar na Copa em 2030?
Leandro Benincá, consultor de investimentos da API Capital, afirma ao Estadão que além de reservar uma parcela dos rendimentos para a viagem é necessário ter uma sobra de 20% para possíveis surpresas, já que o custo para sair do Brasil e a moeda europeia podem variar.
Além disso, nesta edição, ocorreram algumas proibições que mexeram no bolso dos torcedores, como a impossibilidade de chegar a pé, de carro próprio ou de aplicativo nos estádios, forçando a utilização do transporte público que sofreu um reajuste pela administradora NJ Transit e custou cerca de US$ 98 durante o Mundial.
Para o consultor, começando o mais rápido possível, o torcedor teria algo em torno de 46 meses até a próxima Copa, sendo possível alguns tipos de planejamento, por pessoa.
Uma viagem mais econômica, mantendo-se 10 dias dormindo em hostel, assistindo a três jogos da fase de grupos e um do mata-mata e com uma alimentação mais simples, precisaria de uma meta entre R$ 24 mil a R$34 mil investindo entre R$ 450 e R$ 600 por mês.
Para uma versão mais confortável, dormindo em hotel por 14 dias e presenciando quatro jogos da fase de grupos e um do mata-mata a estimativa salta para R$ 42 mil, sendo necessário investir mais de R$ 800 mensalmente até lá.
Já uma experiência mais completa, com jogos da fase de grupos, mata-mata e a tão sonhada final, o orçamento aumenta para cerca de R$ 110 mil a 150 mil - a depender da categoria do ingresso na decisão. O investimento deveria ser em torno de R$ 2,5 mil a R$ 2,8 mil.
Neste ano a Fifa adotou uma precificação dinâmica, invés de uma tabela fixa, para os ingressos. O especialista acredita que pode haver uma regulação europeia contra isso, fazendo com que o aumento no valor das entradas seja menor do que nesta edição.
Nas hospedagens, é necessário estar preparado, já que 13 das 16 cidades-sede subiram preços em mais de 80% neste ano.
Para Benincá, o momento de converter precisa ser avaliado. Se o torcedor tem receio que o euro vá subir, pode ir adquirindo mensalmente guardando em uma conta internacional. Caso contrário, se acredita que não terá grande aumento, pode ir acumulando e deixar para comprar mais próximo do último ano, só não deve deixar para a última hora.
O consultor ainda indica que a melhor forma de reservar é mensal e de preferência automática - no dia que recebe já repassa para o investimento. Além disso, aconselha "se o dinheiro tem data fixa, ele deve ficar em renda fixa. Eu, pessoalmente, iria de CDI, com certeza".
Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas acredita que não se trata apenas do valor final, mas sim de tornar-se uma meta financeira.
"O mais importante não é acertar exatamente o valor final da viagem, mas transformar esse sonho em uma meta financeira de longo prazo. Quanto mais cedo a pessoa começa, menor tende a ser o esforço mensal e maior a capacidade de absorver eventuais aumentos de preços", diz ao Estadão.
A pesquisa "Placar das Finanças", realizada pela Creditas em parceria com a Opinion Box, mostrou que 74% dos entrevistados pretendiam gastar alguma quantia durante a Copa e, desses, 80% admitiram que poderiam fazer isso sem nenhum planejamento. Entretanto, o educador afirma que antecipar essa organização ajuda a transformar o sonho em uma conquista, sem dores de cabeça.
Guilherme ainda alerta para uma revisão da saúde financeira antes de começar a planejar qualquer viagem.
"Muitas famílias ainda convivem com parcelas caras de cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos com juros elevados. Em alguns casos, reorganizar essas dívidas primeiro pode liberar espaço no orçamento para construir essa reserva de forma mais saudável".
Outro ponto que o educador acredita que merece entrar no planejamento financeiro é o seguro viagem.
"Em uma Copa do Mundo disputada em três países, o viajante estará sujeito a diferentes legislações, sistemas de saúde e custos de atendimento médico. Além da cobertura para despesas médicas e hospitalares, um bom seguro pode oferecer proteção em situações como extravio de bagagem, atraso ou cancelamento de voos e outras intercorrências que podem gerar gastos inesperados durante a viagem", afirma o especialista.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.