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'Quando parece forçado, é rejeição imediata': especialistas de marketing analisam 'Vai, Brasa'

Uniforme principal da seleção brasileira é lançado com elementos que remetem à cultura do País

23 mar 2026 - 19h27
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A nova camisa da seleção brasileira para a Copa do Mundo 2026 foi apresentada pela Nike, com a campanha "Vai, Brasa". Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, analisam que há uma tentativa de aproximação de um público jovem, mas criticam elementos da divulgação.

O uniforme conta com detalhes como formas geométricas da bandeira e a expressão "Vai, Brasa". Elementos culturais, como listras inspiradas na capoeira e um escudo que mistura o retrô e o moderno, também foram incluídos.

Segundo o diretor criativo da agência End to End, que atua com soluções em engajamento esportivo, Alexandre Mota, a própria campanha já tenta se blindar de possíveis críticas e tem um esforço para ganhar as redes sociais diante da controversa camisa azul, com a Jordan.

"Acredito que colocar sua designer para falar das referências históricas e culturais da nova amarelinha não é algo gratuito, e, sim, parte da estratégia da Nike. O vídeo publicado entrega mais do que 'easter eggs'. Entrega argumentos para blindar o uniforme de possíveis críticas, fato recorrente nos últimos anos e revivido pela repercussão negativa da nova camisa azul com o Jumpman", analisa.

Vinicius Júnior é um dos garotos-propaganda do novo uniforme da seleção.
Vinicius Júnior é um dos garotos-propaganda do novo uniforme da seleção.
Foto: Nike/Divulgação / Estadão

Mota ressalva para o slogan da campanha, apontando a similaridade com "É o Brasa", utilizado pelo Time Brasil. "Pelo visto, quem acompanha a seleção ainda não abraçou o slogan olímpico", diz.

O apelo às redes sociais também é visto na análise de Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo. "Fica claro que existe uma tentativa de reposicionar a comunicação da Seleção para algo mais jovem, digital e conectado com linguagem de torcida e redes sociais. Ao mesmo tempo, há um cuidado em manter elementos históricos no design, o que mostra esse equilíbrio entre tradição e renovação", avalia.

Para Wolff, o desafio é que o slogan soe orgânico para o torcedor. "Quando parece forçado, a rejeição é imediata. Em termos de marketing, a ideia é boa, mas o sucesso depende muito mais da identificação genuína do público do que apenas da estética ou da frase escolhida".

Lucas Paquetá, que ficou fora da última convocação de Ancelotti, também aparece na campanha.
Lucas Paquetá, que ficou fora da última convocação de Ancelotti, também aparece na campanha.
Foto: Nike/Divulgação / Estadão

Essa repercussão que define o sucesso também é vista pelo CEO da Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo, Renê Salviano. "Sempre que uma instituição desportiva lança seu manto, temos opiniões que inevitavelmente se dividem pois se trata da nossa maior paixão que é a seleção brasileira de futebol. Os brasileiros se sentem técnicos, se sentem donos dessa marca", pontua.

Salviano é mais otimista sobre a campanha. "Ao se aproximar da Copa do Mundo as análises da campanha de marketing ou do design da camisa sairão do âmbito do digital e acredito que teremos mais um recorde de vendas", projeta.

A seleção brasileira estreia o uniforme azul contra a França, em amistoso no dia 26 de março. Já a camisa amarela entra em campo pela primeira vez no outro jogo desta Data Fifa, o amistoso contra a Croácia, dia 31 de março.

Estadão
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