Premier League é alvo de investigação sobre possível fraude com criptomoedas
Autoridades britânicas investigam empresa por suposto funcionamento de serviço de apostas sem licença; liga teve conta bancária bloqueada
A Premier League teve 10 milhões de libras (cerca de R$ 70 milhões) congelados pelas autoridades britânicas em investigação envolvendo a empresa de criptomoedas Sorare. O valor é a primeira parcela de um acordo comercial de R$ 840 milhões. A Agência Nacional de Crimes apura possíveis vínculos do dinheiro com atividades criminosas de terceiros. A liga inglesa não é alvo direto de suspeitas e pretende recorrer da ordem judicial para liberar os recursos retidos.
A Premier League teve 10 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 70 milhões) congeladas por autoridades britânicas em uma investigação que envolve a Sorare, uma empresa de criptomoedas que já teve como um de seus garotos-propaganda o craque argentino Lionel Messi. A Agência Nacional de Crimes (NCA na sigla em inglês), órgão britânico responsável pela investigação, obteve uma ordem judicial para impedir a movimentação do dinheiro enquanto apura possíveis vínculos entre os recursos e uma suposta atividade criminosa de terceiros. As informações são do jornal 'The Sun'.
Segundo a investigação, o dinheiro corresponde à primeira parcela paga pela Sorare dentro do acordo firmado com a Premier League. Em 2023, as partes anunciaram uma parceria de quatro anos avaliada em 120 milhões de libras esterlinas (R$ 840 milhões), com pagamentos anuais de aproximadamente 30 milhões (R$ 210 milhões). O contrato permitia que a Sorare produzisse cards digitais de jogadores dos 20 clubes da competição.
Além disso, a parceria colocou a Sorare em posição de destaque no futebol inglês. A plataforma permite que usuários montem equipes virtuais com cards de jogadores reais e participem de competições baseadas no desempenho dos atletas nas partidas. A empresa, entretanto, passou a enfrentar problemas com as autoridades britânicas por causa do funcionamento de seu serviço.
Empresa é investigada por possível irregularidade em apostas
Em 2024, a Gambling Commission, órgão regulador de apostas do Reino Unido, processou a Sorare por supostamente oferecer serviços de apostas sem a licença necessária. A empresa rejeita a acusação e afirma que seu produto depende principalmente da habilidade dos participantes, e não da sorte. Por isso, a companhia sustenta que não deveria se enquadrar na legislação britânica de jogos de azar. O julgamento está previsto para junho de 2027.
A Premier League, porém, não aparece como alvo de suspeitas de irregularidades. A NCA informou que o congelamento da conta bancária serve para impedir que os recursos sejam movimentados enquanto a investigação verifica uma possível ligação com atividades criminosas de terceiros.
A liga, por sua vez, pretende recorrer à Justiça para alterar os termos da ordem de congelamento. A medida permanece válida até 14 de setembro, e a Premier League deve comparecer ao tribunal para discutir o caso.
Criptomoedas ganham espaço no futebol inglês
O caso também aumenta a atenção sobre a presença de empresas de criptomoedas no futebol inglês. Nos últimos anos, clubes da Premier League fecharam acordos comerciais com companhias do setor.
O Manchester City, por exemplo, mantém uma parceria milionária com a OKX, enquanto o Tottenham exibe a Kraken em seu uniforme. Recentemente, o Chelsea anunciou recentemente a Circle como patrocinadora máster de sua camisa, em um movimento inédito envolvendo uma empresa de criptomoedas no espaço mais nobre do uniforme de um clube da Premier League.
Diante desse cenário, a Financial Conduct Authority (FCA), reguladora financeira britânica, alertou os clubes sobre os riscos de empresas não autorizadas utilizarem a confiança dos torcedores para promover produtos financeiros.
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