Ponte Preta enfrenta crise com dívida milionária e pedido de intervenção
Denúncia reúne 50 assinaturas, incluindo ex-jogadores históricos, e solicita o afastamento de dirigentes em meio à crise financeira do clube
Apoiados por ídolos históricos, grupos de oposição da Ponte Preta acionaram o Comitê de Ética da CBF para pedir o afastamento da diretoria e intervenção administrativa no clube. A denúncia aponta gestão temerária, falta de transparência e crise financeira crítica, agravada por atrasos salariais recorrentes e uma dívida de R$ 320 milhões. O presidente Luiz Torrano admitiu erros esportivos após rebaixamentos, mas criticou a ação por afastar investidores. O caso aguarda decisão da entidade.
A crise da Ponte Preta ganhou um novo capítulo. Um documento com 50 assinaturas foi encaminhado ao Comitê de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), solicitando o afastamento de dirigentes e uma intervenção administrativa no clube.
A iniciativa foi organizada pelos grupos de oposição Mãos Pontepretanas e Ponte Pode Mais. O movimento também recebeu o apoio de ex-jogadores que marcaram a história da equipe de Campinas.
Entre os signatários estão Dicá, maior artilheiro da história da Ponte Preta, e os ex-zagueiros Oscar Bernardi, Juninho Fonseca e André Cruz. Os três últimos também defenderam a seleção brasileira em Copas do Mundo.
O documento surge em meio às dificuldades financeiras da Macaca, que enfrenta atrasos salariais, dívidas milionárias e problemas administrativos.
Ídolos da Ponte Preta apoiam pedido de intervenção
A denúncia foi protocolada no sábado, 24 de outubro, e possui 58 páginas. O material reúne alegações de irregularidades administrativas e solicita providências da CBF.
Além de Dicá, Oscar Bernardi, Juninho Fonseca e André Cruz, outros nomes conhecidos do futebol pontepretano aparecem entre os apoiadores. A lista também inclui Nelsinho Baptista, Adrianinho, Marcelo Borges, Osvaldo, Renato Cajá e Diogo Silva.
Os responsáveis pela iniciativa defendem que uma intervenção independente poderia contribuir para reorganizar a administração e criar condições para a recuperação do clube.
O pedido também busca preservar a instituição e proteger os profissionais afetados pela crise.
O que diz a denúncia contra a diretoria?
Os movimentos de oposição questionam a gestão do presidente Luiz Alves Torrano e do vice-presidente Marco Antônio Eberlin, que também ocupa o cargo de diretor de futebol.
Entre os principais argumentos apresentados estão:
- Suspeitas de gestão irregular: os autores apontam possíveis infrações éticas e administrativas que, segundo eles, precisam ser investigadas.
- Falta de transparência: a denúncia questiona práticas de governança e a condução administrativa do clube.
- Crise financeira: os grupos destacam os atrasos salariais e as dificuldades para manter as atividades.
- Ausência de um plano de recuperação: a oposição cobra medidas para reorganizar as finanças e a estrutura esportiva.
- Mudança na administração: os movimentos defendem a saída da atual diretoria e a criação de uma gestão independente.
Além do presidente e do vice, o documento solicita o afastamento de outros três dirigentes.
São eles Jeronimo Tognolo, segundo vice-presidente; José Armando Abdalla Júnior, presidente do Conselho Deliberativo; e Nilton Levantesi, vice-presidente do Conselho Deliberativo.
O advogado André Megale, ex-diretor da CBF e responsável técnico pela denúncia, afirmou que o material apresenta fundamentos para solicitar a intervenção.
"É um documento robusto, que reúne elementos que, em nossa avaliação técnica, apontam para uma administração temerária e fundamentam o pedido de intervenção apresentado ao Comitê de Ética da CBF", declarou.
As acusações apresentadas representam alegações dos responsáveis pela denúncia e dependem de apuração pelas instâncias competentes.
Presidente da Ponte Preta critica movimentação da oposição
O presidente Luiz Torrano se manifestou sobre os pedidos de afastamento durante entrevista à Rádio Brasil de Campinas.
O dirigente criticou a iniciativa dos oposicionistas e afirmou que a disputa política prejudica as negociações com possíveis investidores.
"Tem um grupo de conselheiros que está pedindo o meu afastamento, que está pedindo o afastamento do vice. Tudo isso atrapalha", afirmou.
Torrano também atribuiu parte das dificuldades financeiras às dívidas acumuladas em administrações anteriores.
Segundo ele, recursos que poderiam ser utilizados nas atividades atuais precisam ser destinados ao pagamento desses compromissos.
Apesar das críticas à oposição, o presidente reconheceu sua responsabilidade pelos resultados esportivos negativos da temporada.
"Gostaria aqui de pedir desculpas a toda a nação pontepretana, a essa gloriosa torcida pelos dois descensos. Assumo a culpa, fiz algumas indicações de diretoria incorretas", declarou.
O dirigente ainda afirmou que a administração busca novos patrocinadores e investidores para melhorar a situação financeira.
De acordo com Torrano, o clube precisaria de aproximadamente R$ 3 milhões para quitar os pagamentos atrasados e manter recursos disponíveis para outras despesas.
Dívida da Ponte Preta chega a R$ 320 milhões
A crise financeira é um dos principais desafios enfrentados pela Ponte Preta.
Uma auditoria realizada durante as negociações com investidores para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) apontou uma dívida próxima de R$ 320 milhões.
O valor não considera aproximadamente R$ 20 milhões relacionados a débitos de IPTU.
O levantamento também identificou um déficit mensal estimado em R$ 2,8 milhões.
A proposta de transformação do clube em SAF chegou a ser discutida, mas acabou rejeitada pelos associados.
Já o balanço financeiro referente a 2025, último ano de Marco Antônio Eberlin na presidência, apresentou um déficit de aproximadamente R$ 33,6 milhões.
Os números ajudam a dimensionar as dificuldades enfrentadas pela instituição para manter suas atividades.
Atrasos salariais agravam situação do clube
A falta de recursos também afeta diretamente jogadores, integrantes do departamento de futebol e funcionários.
Desde 2025, a Ponte Preta enfrenta episódios recorrentes de atrasos salariais.
Em agosto de 2026, os atletas chegaram a interromper as atividades por uma semana como forma de protesto.
Na ocasião, os jogadores relataram que alguns integrantes do elenco estavam há aproximadamente seis meses sem receber.
Segundo informações divulgadas pelo GE, determinados atletas e profissionais do departamento de futebol acumulavam atrasos superiores a um ano.
A situação financeira também se reflete no desempenho esportivo da equipe.
Em 2026, a Ponte Preta sofreu rebaixamentos no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro, ampliando a pressão sobre a diretoria.
O que pode acontecer com a Ponte Preta?
Com o protocolo da denúncia, os grupos de oposição aguardam a análise do Comitê de Ética da CBF.
O documento solicita o afastamento provisório dos dirigentes citados e a implementação de uma administração independente.
Entretanto, a apresentação do pedido não significa que a intervenção será determinada. As medidas dependem da avaliação da entidade e dos procedimentos aplicáveis ao caso.
Enquanto isso, a Ponte Preta enfrenta o desafio de reorganizar suas finanças, regularizar os pagamentos e recuperar a estabilidade esportiva.
Para os movimentos responsáveis pela denúncia, a mudança administrativa seria uma forma de preservar a história do clube, marcada pela tradição no futebol brasileiro e pela participação da torcida na construção do estádio Moisés Lucarelli.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.