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Futebol

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Plano de Infantino para investimento privado na Fifa nasce e morre sem manifestação formal da CBF

Confederação não se posicionou oficialmente sobre o projeto da entidade máxima do futebol de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais de suas competições

31 jul 2026 - 23h16
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A Fifa anunciou nesta sexta-feira que desistiu da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa vinculada à entidade que receberia investimento privado. O projeto gerido pelo presidente Gianni Infantino teve repercussão negativa e gerou ameaças de boicotes a competições.

A ideia consistia em vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Para isso, seria fundada a FFE, que consolidaria os eventos e operações. Porém, a governança do futebol permaneceria sob o controle da Fifa.

Diante de toda a repercussão, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) manteve-se em silêncio, pelo menos de forma oficial. A entidade dirigida por Samir Xaud é filiada à Conmebol, que rege o futebol sul-americano e foi a última confederação continental a se manifestar oficialmente sobre o assunto.

Gianni Infantino (esq.) ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Gianni Infantino (esq.) ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O comunicado foi feito na tarde desta sexta-feira, antes da desistência da Fifa. No texto, a Conmebol informou que iria debater o tema com seu conselho e que havia iniciado "um processo de consulta junto às suas Associações Membro", o que inclui a CBF.

Embora não tenha se posicionado contra ou a favor, o discurso da Conmebol tratou de temas muito semelhantes aos vistos nos pronunciamentos de federações claramente contrárias ao projeto da Fifa, como Uefa e Concacaf. A mensagem trouxe sinais de alerta sobre a "essência do esporte", mas sem atacar diretamente a entidade.

Em contrapartida, a reação mais enfática partiu da Uefa, que dirige o futebol europeu. A instituição rejeitou de forma unânime o plano de Infantino e declarou que todos os seus 55 membros estariam dispostos a boicotar todas as competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

"Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada", disse o comunicado da Uefa.

Já a Concacaf, que administra as federações da América do Norte, Central e Caribe, também foi veementemente contra a ideia apresentada pela entidade máxima do futebol. Em nota, alegou que "o futebol deve se manter nas mãos do futebol".

"A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar", escreveu. "Construímos uma organização fundamentada na prestação de serviços, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo", argumentou a Concacaf.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) se alinhou à Uefa e à Concacaf e expôs sua insatisfação com o processo da Fifa. "Tendo em conta a posição manifestada pela Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC considera que a FFE (Fifa Forward Enterprise) proposta não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para seguir em frente", destacou.

Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a Confederação de Futebol da Oceania (OFC) optaram por um discurso mais neutro, semelhante ao da Conmebol. Os africanos decidiram convocar reuniões de seu comitê executivo, enquanto o representante da Oceania propôs conversar com as demais federações para avaliar os efeitos que a criação da Fifa Forward Enterprise poderia trazer.

Apesar do posicionamento das confederações, nem todos os membros estiveram alinhados aos seus pares. Diferentemente da Concacaf, que se manifestou contra o projeto, os mexicanos afirmaram que avaliariam o caso.

"A Federação Mexicana de Futebol foi notificada pela Fifa em 28 de julho de 2026 a respeito da proposta do presidente, Gianni Infantino, de aumentar a receita do programa Fifa Forward, principal veículo para promover o desenvolvimento positivo do futebol no mundo, com base em um novo modelo financeiro", escreveu.

Ainda na Concacaf, os Estados Unidos declararam apoio à posição da Confederação. "A U.S. Soccer apoia a Concacaf e seus membros", trouxe a entidade em suas redes sociais.

Na Ásia, a Indonésia também se pronunciou, mostrando-se a favor da iniciativa apresentada pela Fifa. Já na Oceania, a Nova Zelândia afirmou que essa deveria ser uma decisão individual, independente da OFC, e destacou a necessidade de uma "avaliação legal e financeira necessária para permitir qualquer análise robusta da questão".

Estadão
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