Paredes faz tratamento que usa o próprio sangue em lesão para enfrentar o Vasco
Volante do Boca Juniors marcou gol após rápida recuperação de lesão na coxa
O volante Leandro Paredes, do Boca Juniors, recorreu a um tratamento com plasma rico em plaquetas (PRP) para acelerar a recuperação de uma lesão muscular e enfrentar o Vasco pela semifinal da Copa Sul-Americana. O argentino conseguiu jogar no Maracanã mesmo sem estar em sua melhor condição física, após apresentar evolução, segundo a equipe médica do clube.
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Paredes sofreu uma lesão de grau 2 no músculo posterior da coxa direita durante a partida contra o Instituto Atlético Central Córdoba, pelo Campeonato Argentino. A recuperação desse tipo de lesão costuma levar de quatro a seis semanas, mas graças ao tratamento, o jogador se recuperou mais rápido.
O tratamento usa o próprio sangue do paciente para obter uma concentração de plaquetas, que participam dos processos de cicatrização e reparação dos tecidos. Apesar da evolução clínica, o meio-campista ainda apresentava limitações físicas e poderia entrar em campo no sacrifício, segundo informações do Lance!.
O Boca Juniors venceu o Vaco por 3 a 1 nesta terça-feira, 20, inclusive com gol de Paredes. Lautaro di Lollo e Miguel Merentiel marcaram os outros dois gols do Boca. Puma Rodríguez marcou o gol do Vasco.
Como funciona o tratamento PRP?
O plasma rico em plaquetas (PRP) é obtido a partir do sangue do próprio paciente. O material passa por um processo de centrifugação, que permite separar seus componentes e concentrar as plaquetas no plasma. As plaquetas contêm substâncias envolvidas na resposta do organismo a lesões. Após o preparo, o plasma concentrado pode ser aplicado na região afetada, conforme a indicação médica. No caso de Paredes, o material foi injetado na região lesionada da coxa.
O PRP não garante uma recuperação mais rápida em todos os casos, e os resultados dependem da lesão tratada, das características do paciente e das evidências científicas disponíveis para cada indicação. A resposta de Paredes ao tratamento foi considerada positiva pela equipe médica do Boca Juniors. O volante voltou a treinar com bola, mas ainda não estaria completamente recuperado, e mesmo assim, se colocou à disposição do treinador para enfrentar o Vasco.
É permitido no Brasil?
Sim, o uso do plasma rico em plaquetas recebeu uma regulamentação específica do Conselho Federal de Medicina (CFM) em julho de 2026, com a entrada em vigor da Resolução nº 2.464/2026. A norma autorizou o procedimento como tratamento médico complementar para quatro condições osteomusculares: osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral do cotovelo e reparo meniscal.
De acordo com o CFM, a resolução substituiu uma norma anterior, de 2015, que classificava a técnica como experimental. A autorização, porém, não abrange automaticamente qualquer lesão muscular ou aplicação esportiva. A lesão na coxa atribuída a Paredes não está entre as quatro indicações expressamente previstas na resolução, por exemplo.
Segundo o Conselho, o PRP deve ser utilizado como recurso complementar, sem substituir outros tratamentos clínicos, procedimentos de reabilitação ou intervenções cirúrgicas indicadas para cada caso. A aplicação exige diagnóstico médico, avaliação individualizada, cumprimento das normas sanitárias e acompanhamento do paciente.
A resolução também estabelece que o procedimento é um ato médico e exige consentimento livre e esclarecido, com informações sobre benefícios esperados, limitações científicas, riscos e alternativas terapêuticas. O conselho proíbe promessas de cura ou garantias de regeneração dos tecidos.
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