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Nova geração de treinadores se consolida no Brasileirão

Fábio Carille, Zé Ricardo, Ceni, Roger Machado e Hellmann conquistaram espaço na Série A

24 ago 2019
17h11
atualizado às 18h43
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Dos 20 treinadores dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, 12 têm menos de 50 anos. Isso significa que a nova geração de técnicos brasileiros conseguiu se consolidar nesta temporada. Os novos nomes são vistos com menor resistência pelos dirigentes e alguns superaram o status de apostas. Treinadores como Fábio Carille, Zé Ricardo, Rogério Ceni, Alberto Valentim, Roger Machado e Odair Hellmann deram força à tendência de valorização dos jovens profissionais.

O cenário é dinâmico e não permite comparações entre velhos e jovens. Existem treinadores jovens com dificuldades de se recolocar, como Jair Ventura, por exemplo. E também mais antigos que sofrem para voltar à ativa, como Levir Culpi. Na semana passada, Fernando Diniz, representante notório da nova geração, tornou-se o sétimo treinador demitido no Brasileirão. Aos 45 anos, foi substituído por Oswaldo de Oliveira, representante da velha guarda aos 68 anos. Por outro lado, para sair da crise e da zona de rebaixamento, o Cruzeiro foi atrás de Rogério Ceni, outro novato.

Carille durante jogo contra o Fortaleza
Carille durante jogo contra o Fortaleza
Foto: Divulgação/ Corinthians / Estadão Conteúdo

O que a edição 2019 do Brasileirão mostra é que o leque de opções se ampliou na hora que um dirigente decide preencher a vaga de treinador. "Temos técnicos já em fim de carreira, outros encaminhando sua saída e outros novos surgindo, com novas ideias, bem preparados. Importante agregar conteúdo nesta transformação, a busca pelo novo. É importante e natural esta renovação", diz Alberto Valentim, do Avaí, sucessor de Geninho que, aos 70 anos, tornou-se o terceiro treinador mais idoso a trabalhar no Campeonato Brasileiro.

Quinto colocado no torneio, o Atlético-MG vem alternando treinadores novos e "medalhões", de acordo com expressão do presidente Sérgio Sette Câmara. A sequência recente inclui Thiago Largui, Levir Culpi e, agora, Rodrigo Santana.

"Sou favorável às oportunidades aos mais jovens. Fizemos isso recentemente. Em dois ou três anos, teremos uma safra pronta de novos treinadores", prevê o dirigente, que identificou diferenças entre as gerações. "Os nomes tidos como medalhões envelheceram, são pessoas que têm de ter nosso maior respeito, mas tudo evolui. Vem aí uma safra nova, com novas ideias e outras formas de trabalhar. Existe um hiato entre esses medalhões e a nova safra."

O presidente do Ceará, Robinson de Castro, tem visão parecida. "Independentemente da idade, o técnico precisa se qualificar. É preciso inteligência emocional e entender de tecnologia para aproveitar as informações que existem hoje e sinto que os treinadores mais jovens parecem mais adaptados a lidar com isso", diz o dirigente.

Processo natural

Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, afirma que o processo é natural. "Quem é considerado veterano já foi jovem. Muricy, Luxa, Felipão, Abel já foram promessas e hoje são veteranos. Como todas profissões, os mais novos ganham projeção, mas há espaço para todos."

O técnico Dorival Junior, que negou convite do Fluminense, pois negocia sua ida para o exterior, destaca que os treinadores ainda têm pouco tempo para mostrar seu trabalho. "Todos agregam. O mais importante é que esses trabalhos tenham tempo para que sejam implantados. Isso ainda não acontece no Brasil. É preciso paciência", diz o profissional de 57 anos.

Outro problema, dos jovens e dos velhos, é a falta de representatividade no exterior. Hoje, nenhum treinador brasileiro atua nos grandes times das principais ligas europeias. Para Mario Celso Petraglia, presidente do conselho deliberativo do Athletico-PR, o problema é a formação dos treinadores. "Não há instituições formadoras de alto nível nem para treinadores, preparadores físicos, gestores e outros profissionais do futebol", critica.

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Estadão
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