Nem sempre é a idade: por que cada vez mais mulheres que praticam esportes convivem com perda urinária em silêncio?
Elas correm maratonas, levantam peso, pedalam quilômetros, praticam crossfit, jogam vôlei, treinam funcional e cuidam da saúde. Mas existe um problema que poucas têm coragem de contar: a perda involuntária de urina durante a prática esportiva
O que durante muitos anos foi associado apenas ao envelhecimento ou à maternidade hoje já é reconhecido entre mulheres jovens, atletas e ex-esportistas. E o mais preocupante é que muitas abandonam atividades físicas ou adaptam seus treinos por vergonha, acreditando que isso seja "normal".
Não é. A perda urinária durante o esporte é um sinal de que o assoalho pélvico pode não estar respondendo adequadamente às exigências impostas pelos impactos repetitivos e pelo aumento da pressão abdominal. Corridas, saltos, levantamento de carga e modalidades de alta intensidade podem evidenciar um problema que merece atenção especializada.
Segundo a médica Elize Rolim de Moura, formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), especialista em Ginecologia e Obstetrícia e com especialização em Cirurgia Minimamente Invasiva pela Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, esse cenário tem se tornado cada vez mais frequente entre mulheres que fizeram ou ainda fazem do esporte parte da rotina.
"Recebo pacientes que sempre acreditaram que perder urina durante o exercício era consequência inevitável do treino ou dos partos. Na realidade, esse é um sinal de que precisamos avaliar a qualidade dos tecidos, a sustentação da região íntima e a função do assoalho pélvico", explicou a médica Elize Rolim de Moura.
Colágeno: uma peça importante para a saúde íntima feminina
Com o avanço da medicina regenerativa, uma das abordagens que vem ganhando destaque é o estímulo da produção natural de colágeno nos tecidos íntimos.
O colágeno é responsável por oferecer sustentação, elasticidade e resistência às estruturas que ajudam no suporte da bexiga e da uretra. Quando sua qualidade diminui - seja pelo envelhecimento, alterações hormonais, gestação ou sobrecarga mecânica causada pelo esporte - os sintomas podem aparecer.
Pensando nessa necessidade, a médica Elize Rolim de Moura desenvolveu um protocolo que associa uma avaliação individualizada a diferentes tecnologias disponíveis em sua clínica, integrando recursos voltados ao estímulo de colágeno e ao fortalecimento da saúde íntima feminina. A proposta é personalizar o tratamento de acordo com a história, os sintomas e os objetivos de cada paciente.
"A medicina evoluiu. Hoje conseguimos oferecer abordagens muito mais individualizadas, respeitando a anatomia, o estilo de vida e as necessidades de cada mulher", destaca.
Atletas também precisam cuidar da saúde íntima
Durante muito tempo, o desempenho esportivo foi avaliado apenas pela força, resistência e performance. Hoje, especialistas defendem que a saúde do assoalho pélvico também faz parte da alta performance feminina.
A perda urinária não afeta apenas o corpo. Ela interfere na autoestima, na segurança, na vida social e até na permanência da mulher no esporte.
Na Serra Gaúcha, a médica Elize Rolim de Moura vem se dedicando ao atendimento de adolescentes, mulheres atletas e ex-esportistas que buscam recuperar qualidade de vida, confiança e desempenho sem abrir mão da prática esportiva.
O tema ainda é cercado por preconceitos, mas especialistas reforçam um recado importante: perder urina durante o exercício não deve ser encarado como algo normal. É um sinal de que o corpo precisa ser avaliado e que existem alternativas terapêuticas capazes de contribuir para a saúde íntima e para o bem-estar feminino.
Porque a verdadeira performance começa quando a mulher pode se movimentar com liberdade, segurança e confiança.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.