Luisão: 'Narrativa de que a seleção na Copa de 2006 foi uma bagunça é mentirosa'
Ex-zagueiro afirma que problemas de logística foram confundidos com falta de comprometimento do elenco e nega que o ambiente da equipe tenha sido desorganizado durante aquele Mundial
Integrante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2006, o ex-zagueiro Luisão saiu em defesa do grupo que disputou o torneio na Alemanha. Em entrevista ao programa Seleção Estadão, transmitido no YouTube do Estadão, ele contestou a visão de que a equipe viveu um ambiente de desorganização durante a preparação e classificou como falsa a narrativa construída ao longo dos anos sobre aquele elenco.
Luisão afirmou que a imagem de uma seleção sem foco ou comprometimento não corresponde ao que viveu internamente durante a competição. Segundo ele, houve um problema específico relacionado à logística da preparação, mas isso acabou sendo transformado em uma interpretação equivocada sobre o comportamento dos jogadores.
"Acho que tem uma narrativa contada que eu não concordo. Acho que houve uma falha na logística, da ideia de colocar a seleção brasileira mais próxima do público e isso acabou não dando certo com a invasão de campo. Mas fazer disso uma bagunça, que os jogadores não estavam comprometidos, que estavam acima do peso, é uma coisa completamente diferente."
O ex-defensor reforçou que acompanhou de perto toda a preparação e rejeitou a forma como parte da história passou a ser contada após a eliminação para a França, nas quartas de final.
"Não concordo com essa narrativa, estava presente e é uma narrativa mentirosa da minha parte. E nesse caso a gente vê o tamanho da camisa da seleção brasileira, da importância da camisa da seleção brasileira."
Durante a entrevista, Luisão também abordou a presença de convidados, patrocinadores e personalidades próximas à delegação. Para ele, situações desse tipo costumam ganhar destaque apenas quando os resultados dentro de campo não aparecem.
"Agora a questão aqui é se um torcedor normal não pode, mas um famoso pode causar algum tumulto também, assim como os patrocinadores, né? Então, no futebol eu parto pelo princípio de que é se a bola entra ou não."
Na avaliação do ex-zagueiro, o julgamento sobre o ambiente da seleção teria sido diferente caso a equipe tivesse avançado mais longe no torneio. "Se em 2006 a gente não tivesse perdido pra França e chegasse na final, por exemplo, não teria problema nenhum. Vegas não teria acontecido nada. A seleção da resenha, né?"
Luisão ainda comparou a situação a discussões que costumam surgir em outras seleções e clubes, destacando que fatores extracampo costumam ser apontados como culpados apenas quando os resultados são negativos. "Agora é a mesma coisa nesse caso. Se a bola entra, isso aí passa despercebido. Se a bola não entrar, os patrocinadores atrapalham o treino, o artista que foi lá."
Por fim, ele defendeu um equilíbrio entre a proximidade do time com o público e a preservação da rotina de trabalho, mas descartou que esse tipo de situação possa explicar sozinho o desempenho de uma equipe em uma Copa do Mundo.
"Então acho que parte muito disso. Acho que sempre que encontrar um meio termo, lógico, não é isolar totalmente, mas não fazer disso uma culpa de uma performance de uma seleção brasileira", concluiu o ex-zagueiro.
SELEÇÃO ESTADÃO | Para Luisão, a seleção da Copa de 2026 não viveu uma bagunça na Alemanha: 'Narrativa mentirosa, não concordo'.
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— Estadão ? (@Estadao) June 11, 2026
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