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Jornal inglês revela salário não declarado de Infantino para bancar vida luxuosa em Miami

Declaração tributária nos Estados Unidos aponta pagamento adicional de R$ 8,82 milhões em 2024; entidade nega irregularidades

13 out 2026 - 10h57
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Resumo
Segundo o jornal The Times, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, teria recebido valores não declarados no balanço da entidade, totalizando US$ 1,76 milhão pagos pela organizadora da Copa de 2026 nos EUA. O montante teria financiado despesas como o aluguel de uma mansão de luxo em Miami. Em nota, a Fifa negou qualquer irregularidade ou a existência de um segundo salário, defendendo a transparência de suas contas, enquanto o dirigente já planeja disputar seu quarto mandato em 2027.

Gianni Infantino está mais uma vez no centro das polêmicas que envolvem seu mandato à frente da Fifa. Segundo reportagem do jornal inglês The Times, o presidente da entidade teria recebido valores superiores aos divulgados nos balanços financeiros anuais da organização. As fontes ouvidas pelo veículo afirmaram que o suíço usou esses recursos para sustentar uma vida luxuosa em Miami, na Flórida. A Fifa, por meio de comunicado oficial, nega quaisquer irregularidades.

Os pagamentos da entidade ao presidente e ao secretário-geral são divulgados oficialmente desde 2016. Em 2024, por exemplo, o relatório anual indicou que Infantino recebeu 4,274 milhões de francos suíços (cerca de R$ 2,57 milhões). Porém, uma declaração tributária apresentada nos Estados Unidos pela FWC2026 US Inc., empresa criada para organizar a Copa do Mundo de 2026, aponta que o presidente recebeu outros US$ 1,76 milhão (cerca de R$ 8,82 milhões) no mesmo ano. O valor não aparece no balanço anual da Fifa, segundo o The Times.

De acordo com a reportagem, cerca de US$ 626 mil (cerca de R$ 3,142 milhões) desse montante foram registrados como outros pagamentos sujeitos à declaração e teriam sido destinados a despesas com o aluguel de uma mansão de luxo em Miami Beach, na Flórida. Fontes ouvidas pelo jornal também afirmaram que pagamentos semelhantes ou até maiores teriam sido realizados em 2025 e 2026.

Em resposta, a Fifa negou pagar um segundo salário ao presidente e afirmou cumprir todas as exigências de divulgação de sua remuneração. A entidade também declarou que os valores e benefícios contratuais de Infantino são definidos por uma subcomissão independente e que suas contas passam por auditoria externa. A organização, no entanto, não explicou por que os pagamentos adicionais apontados pela reportagem não aparecem no relatório anual de 2024.

O novo episódio ocorre em meio a outras polêmicas envolvendo a gestão de Infantino. Em maio, o suíço anunciou que disputará um quarto mandato à frente da Fifa, na eleição prevista para março de 2027. Meses antes, a entidade desistiu de um plano para vender a investidores privados uma participação de 20% em uma nova empresa responsável pela exploração comercial de competições, incluindo a Copa do Mundo.

A proposta enfrentou resistência de federações e foi seguida pela demissão de Kevin Lamour, então diretor de operações da Fifa. O dirigente havia criticado publicamente o plano de Infantino, acusando o presidente de conduzir o projeto sem transparência.

Confira a nota da Fifa

"A Fifa não paga um segundo salário ao presidente da entidade e cumpre todas as exigências de divulgação relativas à remuneração. A remuneração anual do presidente da Fifa, assim como outros benefícios contratuais, é definida pela Subcomissão Independente de Remuneração.

"A Fifa rejeita veementemente quaisquer alegações de que tenha deixado de divulgar informações financeiras ou violado seus Estatutos. As contas da Fifa são auditadas de forma independente, e todas as declarações estão em conformidade com as normas tributárias da Suíça, dos Estados Unidos e de outros países.

"A Fifa está totalmente concentrada na reunião do Conselho da entidade, na quinta-feira, e aguarda as discussões com seus membros para continuar desenvolvendo o futebol, após a Copa do Mundo mais bem-sucedida da história."

Estadão
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