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Infantino recebeu valor fora do salário de administradora da Copa do Mundo, aponta site

Presidente da Fifa recebeu cerca de R$ 8,5 milhões além do salário regular em 2024; entidade nega irregularidades e afirma cumprir as regras de transparência

13 out 2026 - 13h42
(atualizado às 13h47)
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Resumo
Documentos fiscais revelaram que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, recebeu um pagamento extra de US$ 1,72 milhão em 2024 da FWC2026, administradora da Copa do Mundo nos EUA, valor omitido do relatório anual da entidade. A quantia levanta suspeitas de violação das regras de transparência, embora a FIFA negue irregularidades. O caso soma-se a outras polêmicas da gestão, como tentativas de vender cotas do torneio a investidores e suspeitas de interferência política em punições esportivas.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, em conferência com prefeitos nos Estados Unidos
Gianni Infantino, presidente da Fifa, em conferência com prefeitos nos Estados Unidos
Foto: Alex Wong/Getty Images / Esporte News Mundo

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, recebeu uma remuneração adicional de US$ 1,72 milhão, cerca de R$ 8,5 milhões na cotação da época, em 2024. O pagamento foi feito pela FWC2026, entidade criada pela FIFA nos Estados Unidos para administrar e organizar a Copa do Mundo de 2026, e ocorreu além do salário e dos benefícios regulares recebidos pelo dirigente. A informação foi revelada pela ESPN, com base em documentos da entidade e da Receita Federal norte-americana.

De acordo com o relatório financeiro da FIFA referente a 2024, Infantino recebeu naquele ano 4,274 milhões de francos suíços, valor equivalente a aproximadamente US$ 4,86 milhões. O pagamento adicional, porém, não aparece no relatório anual da entidade, o que levantou questionamentos sobre a transparência da remuneração do presidente.

A situação pode contrariar as regras internas da própria FIFA. O artigo 43 dos estatutos da entidade determina que o Subcomitê de Remuneração seja responsável por definir os pagamentos do presidente, dos integrantes do Conselho e do secretário-geral. As normas também estabelecem que os valores recebidos individualmente por esses dirigentes sejam divulgados publicamente.

FIFA nega irregularidades

Procurada pela ESPN, a Fifa negou que tenha cometido qualquer irregularidade e afirmou que cumpre todas as exigências de divulgação de informações financeiras. Em uma primeira manifestação, um porta-voz rejeitou a possibilidade de violação dos estatutos da entidade.

Em uma segunda resposta, a organização declarou que não paga um segundo salário a Infantino e que a remuneração anual do presidente, assim como os demais benefícios previstos em contrato, é definida pelo Subcomitê de Remuneração independente.

A Fifa também afirmou que suas contas passam por auditorias independentes e que as declarações financeiras seguem as regras tributárias da Suíça, dos Estados Unidos e de outros países. A entidade não reconheceu qualquer omissão na divulgação dos valores recebidos pelo dirigente.

O jornal britânico The Times foi o primeiro a publicar informações sobre o pagamento adicional e a levantar a possibilidade de descumprimento das regras internas. Miguel Maduro, ex-presidente do Comitê de Governança da Fifa, afirmou ao veículo que a falta de transparência sobre valores pagos por entidades ligadas à organização pode contrariar os estatutos.

Maduro ressaltou que não questiona a possibilidade de o presidente receber uma remuneração elevada, mas defendeu que todos os pagamentos sejam divulgados de maneira clara. Para o ex-dirigente, a transparência é uma obrigação prevista nas regras da entidade.

Outras controvérsias envolvendo Infantino

A revelação sobre o pagamento extra ocorre em meio a outros questionamentos envolvendo a gestão de Infantino. Neste ano, veio à tona um plano para vender a investidores externos uma participação de 20% na Copa do Mundo. A iniciativa, chamada Football Forward Enterprises, teria Joshua Kushner como principal nome entre os investidores.

Kushner é irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nos últimos anos, Infantino estreitou relações com Trump e passou a frequentar a Casa Branca com regularidade, em um período de preparação para a Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

A proposta de participação de investidores provocou reações de dirigentes do futebol internacional. Segundo as informações divulgadas, representantes da Uefa, da Concacaf e da AFC (Confederação Asiática de Futebol) pediram a saída de Infantino. A Uefa também chegou a ameaçar boicotar futuras competições organizadas pela FIFA.

Desde então, o presidente da entidade tentou reconstruir a relação com dirigentes das confederações por meio de uma carta na qual concordou com uma proposta de distribuição de US$ 10 milhões para cada associação-membro.

Outro episódio citado nas críticas à gestão de Infantino envolve o atacante norte-americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo deste ano. O jogador recebeu cartão vermelho na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, pelas oitavas de final, e inicialmente deveria cumprir suspensão contra a Bélgica, nas quartas.

No entanto, após uma ligação de Trump para Infantino para tratar do caso, Balogun recebeu uma punição condicional que permitiu sua participação na partida seguinte. A Bélgica venceu o confronto por 4 a 1 e avançou na competição.

Enquanto as informações sobre a remuneração adicional levantam dúvidas sobre a divulgação dos pagamentos, a FIFA sustenta que segue as regras e nega qualquer irregularidade. A entidade também afirmou estar concentrada na reunião de seu Conselho, marcada para quinta-feira (15), em Zurique, na Suíça, quando pretende discutir medidas para continuar desenvolvendo o futebol após a Copa do Mundo.

Esporte News Mundo
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