Federações europeias pressionam Uefa após críticas ao calendário de seleções
Federações demonstraram insatisfação com o formato da Liga das Nações após uma sequência de lesões e querem que a Uefa pressione a Fifa pelo retorno ao calendário anterior.
Federações europeias pressionam a Uefa para que a Fifa reverta a nova pausa internacional de três semanas e retome o modelo anterior. As entidades apontam desgaste excessivo dos atletas, alta nas lesões e prejuízos financeiros com a venda de ingressos ao concentrar quatro jogos da Liga das Nações em apenas 11 dias. A mudança imediata, contudo, é improvável devido a tensões políticas e ao calendário mundial já fechado até 2030.
As federações de futebol da Europa querem acabar com a pausa internacional de três semanas adotada nesta temporada. Durante uma reunião realizada em Berlim, na Alemanha, na quinta-feira (8), representantes das entidades demonstraram forte insatisfação com o novo formato e defenderam que a Uefa pressione a Fifa a retomar o modelo anterior do calendário de seleções.
A principal preocupação está relacionada ao desgaste físico dos jogadores, ao aumento das lesões e às dificuldades financeiras provocadas pela concentração de partidas em um único período. Segundo o jornal britânico The Guardian, a oposição à mudança foi praticamente unânime entre as federações presentes no encontro.
A alteração foi aprovada pelo conselho da Fifa em 2023 e reuniu as antigas janelas de setembro e outubro em um intervalo prolongado. Com o novo modelo, as seleções europeias passaram a disputar quatro partidas da Liga das Nações em aproximadamente 11 dias, em vez de dividir os compromissos em dois períodos distintos.
Lesões aumentam preocupação das federações
O número de jogadores que apresentaram problemas físicos durante os compromissos internacionais está entre os principais motivos para a insatisfação. Kylian Mbappé, Alexander Isak, Brian Brobbey, Cody Gakpo e Alex Scott estão entre os atletas citados em meio às preocupações com a sequência de partidas.
O formato também gerou questionamentos por concentrar confrontos competitivos da Liga das Nações, geralmente disputados em ritmo mais intenso do que amistosos. Além disso, as seleções contam com menos possibilidades de substituição do que gostariam para administrar o desgaste dos atletas.
As federações de países menores demonstraram preocupação adicional com a falta de opções nos elencos. Com menos jogadores disponíveis para reposição, essas seleções têm menos margem para poupar titulares durante uma sequência de compromissos.
Outro fator envolve o equilíbrio esportivo. Na avaliação de dirigentes, países com maior poder financeiro e elencos mais numerosos podem levar vantagem ao disputar uma parcela significativa dos jogos da competição em um intervalo concentrado.
A questão também tem impacto sobre a Eurocopa de 2028, já que o desempenho na Liga das Nações será utilizado para determinar o posicionamento das seleções no sorteio do torneio continental.
Mudança no calendário também afeta receitas
As críticas não se restringem à condição física dos jogadores. Algumas federações também relataram dificuldades para comercializar ingressos de duas partidas como mandantes realizadas em um curto espaço de tempo.
Os jogos das seleções representam uma importante fonte de receita para as entidades nacionais. Por isso, a concentração dos compromissos levantou dúvidas sobre a capacidade de atrair torcedores e manter a arrecadação gerada pelas partidas internacionais.
Durante a reunião em Berlim, também foi levantada a possibilidade de adaptar as janelas internacionais às necessidades de cada continente. A proposta, entretanto, apresenta desafios logísticos e ainda não tem um formato definido.
Por outro lado, houve dirigentes que defenderam uma análise mais aprofundada antes de descartar completamente o modelo. O intervalo mais longo também oferece aos treinadores das seleções mais tempo para trabalhar com os jogadores convocados.
Uefa quer pressionar a Fifa, mas mudança é difícil
Apesar da insatisfação, uma reversão imediata do calendário é considerada complicada. O cronograma internacional já está definido até 2030, o que dificulta alterações nas próximas temporadas.
A relação entre Uefa e Fifa também atravessa um período de tensão, circunstância que pode prejudicar as negociações. Segundo o The Guardian, a possibilidade de mudança pode depender de transformações na liderança da entidade máxima do futebol.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, busca um quarto mandato, com eleição prevista para março. Até o momento, porém, não há confirmação de que o calendário será alterado.
A alternativa defendida por grande parte das federações europeias é o retorno ao modelo anterior, com cinco janelas internacionais de duas semanas ao longo da temporada. A decisão dependerá das discussões entre as entidades responsáveis pela organização do futebol mundial.
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