Como chega a Nova Zelândia para a Copa do Mundo
Sem muita concorrência no seu continente, All Whites garantiram vaga pela primeira vez forma direta e tiveram tempo para focar na preparação
Sem precisar passar pelo drama da repescagem, a Nova Zelândia disputa a sua terceira Copa do Mundo, o que pode iniciar uma sequência histórica. Afinal, agora a Oceania possui uma vaga direta para o Mundial e os All Whites sobram no continente. O que resta é saber se a seleção consegue ou não bater de frente com os adversários na América do Norte.
Sem muitos compromissos oficiais, o ciclo neozalandês foi marcado por amistosos. Nos primeiros jogos, somou uma vitória e um empate contra a China. Depois, a Nova Zelândia acabou sendo goleada pela Suécia e vencia o Qatar, em uma parada abandonada por uma acusação de racismo. No segundo semestre de 2023, empates contra a República Democrática do Congo e Irlanda e derrotas para Austrália e Grécia.
No começo de 2024, disputou a Fifa Series, na qual perdeu para o Egito no primeiro e, nos pênaltis, para a Tunísia, na disputa de terceiro lugar. Para a participação na Copa das Nações da Oceania, a Nova Zelândia optou por sua equipe Sub 23, que iria jogar as Olimpíadas. No torneio, confirmou o favoritismo. Vitória sem sustos contra Ilhas Salomão e Vanuatu na primeira fase, goleada sobre o Taiti na semifinal e triunfo contra os vanuatenses na decisão, conquistando o sexto título na competição. Por outro lado, voltou aos gramados com o time principal perdendo para o México e empatando com os Estados Unidos.
Nas Eliminatórias, os All Whites também não tiveram muitos problemas. Afinal, venceu o Taiti na estreia e goleadas de 8 a 1 e 8 a 0 contra Vanuatu e Samoa, respectivamente. Além disso, bateu a Malásia por 4 a 0. Na semifinal, fez 7 a 0 em Fiji. A confirmação da vaga veio no triunfo, um pouco mais complicado, contra a Nova Caledônia, por 3 a 0.
Com mais de um ano para a Copa, a seleção se dedicou aos amistosos. No primeiro, venceu a Costa do Marfim por 1 a 0. Entretanto, na sequência, os All Whites perderam seis dos outros sete jogos que fizeram: Ucrânia, Austrália, duas vezes, Polônia, Colômbia e Equador. O único resultado diferente veio com a Noruega, em um empate em 1 a 1.
No começo de 2026, sediou uma edição da Fifa Series. Na estreia, perdeu para a Finlândia por 2 a 0. Porém, se despediu goleando o Chile por 4 a 1. No momento, a Nova Zelândia ocupa 85ª posição do ranking da Fifa, sendo a seleção com a pior colocação a disputar a Copa do Mundo.
O destaque
Não é de hoje que o nome de Chris Wood é o mais popular da Nova Zelândia dentro do futebol. Afinal, desde 2009 o atacante atua no futebol inglês, alternando entre clubes da Premier League e Championship. Porém, nada se equipara com que o jogador fez na temporada passada. Com a camisa do Nottingham Forest, o neozalandês marcou 20 gols em 40 jogos, todos anotados na liga inglesa, terminando na quarta posição da artilharia.
Porém, o craque viveu um drama nesta temporada. Em outubro, Wood sofreu uma grave lesão no joelho direito e ficou fora dos gramados por seis meses. O retorno aconteceu há poucos meses da Copa, em abril. Até então, o atacante atuou em 14 partidas e marcou quatro gols.
Agora, Wood se prepara para disputar o Mundial da melhor maneira possível. Inclusive, essa não será a primeira vez do jogador no torneio. Em 2010, com apenas 18 anos, foi convocação para disputar o torneio na África do Sul. Naquela ocasião, participou das três partidas da seleção, vindo do banco. Agora, 16 anos depois, após o auge da sua carreira, com 45 gols marcados pelos All Whites, Wood tenta mostrar, na Copa, porque é um dos maiores nomes da história do seu país.
O comandante
Inglês de nascimento, Darren Bazeley adotou a Nova Zelândia como seu novo país. Quando era jogador, atuou por clubes tradicionais da Inglaterra, como Watford, Wolverhampton e Millwall. Porém, antendendo um convite do seu antigo treinador Neil Emblen, se transferiu para o New Zealand Knights, para disputar a liga australiana. Por lá, ainda atuou no Weitakere United, participando do Mundial de Clubes de 2007.
A carreira como treinador começou da Nova Zelândia e permaneceu. Bazeley ganhou a cidadania do país e trabalhou no Wanderers, além de seleções de base. Inclusive, o técnico ainda teve rápidas passagens no Newcastle Jets, da Austrália, e no Colorado Rapids, dos Estados Unidos. Em 2020, retornou ao cargo de treinador da equipe Sub 20 dos All Whites e desde 2022 comanda a seleção principal, com 31 jogos disputados, 13 vitórias, seis empates e 12 derrotas. Além disso, também esteve com o país durante as Olimpíadas de Paris.
Campanha em Copas
Por conta da ausência de uma vaga direta em Mundiais, a Nova Zelândia sempre teve dificuldades de se classificar para a Copa. A primeira participação veio em 1982, após derrotar a China na repescagem. Porém, o grupo não colaborou e os All Whites perderam todos os jogos que realizaram para Escócia, União Soviética e Brasil. Depois disso, a seleção não conseguia passar para a disputa da vaga, pois sempre perdia os confrontos para a Austrália.
Com a ida dos Socceroos para a Ásia, o caminho neozelandês ficou mais fácil e a seleção retornou ao Mundial em 2010, derrotando o Bahrein na repescagem. No torneio, não perdeu nenhum jogo, mas também não venceu. Afinal, os All Whites empataram seus jogos contra Eslováquia, Itália, atual campeã mundial, e Paraguai, sendo novamente eliminados na fase de grupos. Porém, nas edições seguintes, caiu sempre na repescagem, contra México, Peru e Costa Rica, respectivamente. Agora, a Nova Zelândia vai em busca de sua primeira vitória na competição.
Time-base
Crocombe; Payne, Surman, Blindon e De Vries; Barbarouses, Stamenic, McCowatt, Just e Old; Wood.
O país
A Nova Zelândia é considerada a nação soberana mais isolada do mundo, já que está a cerca de 2000 km do seu vizinho mais próximo, a Austrália. O país possui uma área de 268.680 km², dividida em duas grandes ilhas, uma população estimada de 5.346.150 habitantes e sua capital é Wellington.
O país é uma monarquia constitucional e, mesmo sem relação com o Reino Unido, está sob o reinado de Charles III, tendo Cindy Kyro como governadora-geral e Christopher Luxon como primeiro ministro. A economia neozelandesa teve que passar por uma reestruturação, já que era muito ligada a caça de animais, como focas e baleias. Com a proibição desta prática, a Nova Zelândia tem o setor de serviços como grandes fontes de renda, com destaque para a agricultura, pecuária e turismo.
Celebridades
Apesar de estar distante, o país tem vários nomes que fizeram sucesso no cinema. Em ação, destaque para os atores Russell Crowe, que ganhou de oscar de melhor ator em "Gladiador", Anna Paquin, que já ganhou a estatueta como melhor atriz coadjuvante, Sam Nell e Lucy Lawless. Atrás das câmeras, os cineastas Peter Jackson, diretor da saga "O Senhor dos Anéis" e Taika Waititi, vencedor do Oscar com "Jojo Rabbit" ganharam fama internacional.
O futebol não é o esporte mais conhecido da Nova Zelândia. Por outro lado, o país é muito conhecido pelo seu desempenho no rugby. Os All Blacks, como é conhecida a seleção nacional, já conquistou a Copa do Mundo da modalidade em três oportunidades. Além disso, os neozelandeses também estão sendo representados nas pistas da Fórmula 1, com o jovem piloto Liam Lawson, e na Indycar, com o experiente Scott Dixon.
O que esperar da Nova Zelândia
Em busca da sua primeira vitória no torneio, os All Whites encontram uma chave mais acessível. Apesar de terem a Bélgica como adversária, a seleção tem potencial para fazer jogos equilibrados contra Egito e Irã. Por conta disso, a Nova Zelândia tem chances de conquistar o tão sonhado primeiro triunfo e ser uma surpresa que embole a briga pela vaga próxima fase, tal qual aconteceu em 2010.
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