Como chega a Chéquia para a Copa do Mundo
País retorna ao Mundial após 20 anos com destaque para vitórias nas penalidades e mudanças de última hora na seleção
20 anos depois de uma geração que colocou muita expectativa, a Chéquia está de volta à Copa do Mundo! A classificação veio apenas na repescagem, com duas vitórias nos pênaltis, retratando bem um ciclo que contou com várias viradas de chave e problemas internos na seleção.
Nas Eliminatórias para a Euro, começou bem, com uma vitória contra a Polônia. Porém, logo tropeçou com a Moldávia. Na sequência, venceu as Ilhas Faroe, mas voltou a vacilar, desta vez contra a Albânia, com um empate e uma derrota. Depois de um novo triunfo contra a Landsliðið, empate contra os poloneses e a decisão ficou para a última rodada, em duelo direto contra os moldavos. Por fim, vitória tcheca por 3 a 0 e vaga garantida.
Depois da classificação, Jaroslav Šilhavý deixou a seleção após cinco anos. Em seu lugar, assumiu Ivan Hašek, que comandou a Chéquia na Eurocopa. Nos amistosos preparatórios, quatro vitórias. Porém, no torneio, derrotas para Portugal e Turquia e empate contra a Geórgia, que provocaram uma precoce eliminação.
Virada a página, veio a Liga das Nações, que começou com uma goleada sofrida contra a Geórgia. Porém, a Nároďák conseguiu se reabilitar, não perdeu mais e conseguiu garantir o acesso para a Liga A, após vitória contra os georgianos por 2 a 1.
Crise nas Eliminatórias
Nas Eliminatórias da Copa a missão era contra a Croácia. Depois de três vitórias, veio a dura goleada por 5 a 1 contra os croatas. Ainda com chances de classificação direta, veio o triunfo contra Montenegro, mas o empate sem gols contra os vice-campeões de 2018 encerrou a chance da vaga sem passar pela repesccagem. Porém, o pior ainda estava por vir. Na rodada seguinte derroa para as Ilhas Faroe por 2 a 1, que gerou uma crise interna na seleção.
O ídolo Paul Nedved pediu renovação e mudança na equipe. Hašek deixou o seu cargo e Jaroslav Köstl assumiu de forma interina, confirmando a vaga na repescagem com uma goleada contra Gibraltar. Para a fase decisiva, a seleção trouxe Miroslav Koubek. Sem muita moral, os tchecos conseguiram a reabilitação contra a Irlanda, após saírem perdendo por 2 a 0 e vencerem nas penalidades.
No jogo mais importante das últimas duas décadas, a Chéquia abriu o marcador logo no início contra a Dinamarca. Porém, sofreram o empate na segunda etapa. A partida seguiu para a prorrogação, na qual os tchecos voltaram a marcar, mas foram vazados novamente. Nas penalidades, outra vitória por 3 a 1 e fim da espera de 20 anos. A Nároďák volta à Copa ocupando a 41ª posição do ranking da Fifa.
O destaque
Com nomes nas principais ligas europeias, a Chéquia possui uma seleção com jogadores que carregam experiência. Porém, nenhum deles chama mais atenção que Patrick Schick. O atacante de 30 anos está desde 2020 no Bayer Leverkusen, e fez parte do elenco que conquistou de forma histórica o título da Bundesliga em 2024, além de ser um dos destaques do clube alemão nesta temporada.
Pela seleção, Schick passou por todos os níveis das categorias de base e atua desde 2016 pelo time principal. Sua primeira convocação aconteceu justamente para a Eurocopa daquele ano. O atacante ainda defendeu a Nároďák no torneio continental em 2021 e 2024. Com a camisa tcheca, são 52 jogos e 25 gols marcados.
O comandante
Chegando em um cenário completamente desafiador, Miroslav Koubek assumiu a seleção tcheca em dezembro do ano passado com a missão de garantir a vaga na Copa. Curiosamente, o treinador conseguiu o objetivo sem vencer nenhuma partida, já que comandou a Chéquia em apenas dois jogos, com dois empates e vitórias nos pênaltis.
Koubek tem 74 anos e atuou como goleiro em sua carreira como jogador. Na beira do gramado, o treinador atua desde 1983 e passou por diversos clubes tchecos e a seleção sub-19, entre 2013 e 2014. O técnico conquistou o título nacional na temporada 2014-15 e a Supercopa tcheca em 2015 e foi eleito melhor treinador na temporada em 2024.
Campanhas em Copas
A Chéquia herdou o desempenho da antiga seleção da Tchecolosváquia. Neste período, o país disputou oito Mundiais, sendo vice-campeão em 1934 e 1962, perdendo para Itália e Brasil na final, respectivamente.
Porém, após a dissolução da Tchecoslováquia, a Chéquia participou apenas da Copa de 2006. Com uma geração que chegou à semifinal da Euro de 2004, com a presença de Nedved e Cech, a expectativa era alta. Porém, os tchecos decepcionaram, com vitória contra os Estados Unidos na estreia, mas derrotas para Gana e Itália, com a eliminação na primeira fase.
Entretanto, a seleção tcheca chama a atenção pela sua inconstância nos torneios. Se essa a apenas a segunda participação em Copas, a Chéquia tem uma presença constante na Eurocopa. Afinal, desde a dissolução da Tchecoslováquia, a Nároďák participou de todas as edições do torneio continental, com direito ao vice-campeonato em 1996.
Time-base
Kovar; Chaloupek, Hranac e Krejci; Coufal, Provod, Souček, Darida e Zeleny; Sulc e Schick.
O país
A Chéquia surgiu após a desunificação da Tchecoslováquia, em 1993. Seu território possui uma área de 78.871 km² e uma população de 10.827.529 habitantes. Sua capital é Praga e o país é uma república parlamentarista, tendo Petr Pavel como presidente e Andrej Babiš como primeiro-ministro.
O país é um dos mais prósperos do leste europeu, com um PIB per capita na média da União Europeia. Cerca de 37% da sua economia tem como fonte a indústria automotiva, com exportação para outros países do continente, especialmente a Alemanha.
Desde 2016, o governo local vem alterando o nome do país para o nome curto. Depois de duas décadas sendo conhdido como República Tcheca, a Chéquia mudou seu nome oficial na ONU e em outros registros internacionais.
Celebridades
O país é berço de vários nomes de artistas do começo do século passado. Entre eles está Franz Kafka, considerado um dos maiores nomes da literatura moderna.
Nos esportes, destaque para Martina Navrátilová. A tenista liderou o ranking mundial por 332 semanas durante os anos 80, estabelecendo a segunda maior marca da WTA. Em sua carreira, Navrátilová ganhou 18 títulos de Grand Slams no individual, sendo metade deles conquistados em Wimbledon. Além disso, ela venceu 31 Grand Slams de duplas e estabeleceu recorde ainda não superado. No total, são 1442 vitórias e 219 derrotas, com 83,81% de aproveitamento em mais de 30 anos no Tênis.
O que esperar da Chéquia
Com uma seleção em reconstrução, os tchecos chegam ao Mundial como uma incógnita, apesar da motivação pela vaga conquistada após 20 anos. O equilíbrio do grupo, com México, África do Sul e Coreia do Sul pode auxiliar na busca por uma classificação e melhores resultados, mas pode trazer à tona o desempenho apresentado na última Eurocopa, na qual a Chéquia decepcionou.
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