Assessor de Infantino deixa cargo em meio à crise na FIFA
Gianni Infantino enfrenta crise após renúncia de aliado, pressão de federações e fracasso de plano bilionário para a Copa do Mundo.
Gianni Infantino vive o momento mais delicado desde que assumiu a presidência da FIFA. O dirigente passou a enfrentar uma onda de críticas após o fracasso da proposta de criar um modelo de investimento privado ligado à Copa do Mundo, avaliado em US$ 20 bilhões. A pressão ganhou força nesta sexta-feira (31), quando o primeiro-ministro britânico Andy Burnham defendeu sua renúncia.
A crise se intensificou com a saída de Carlos Cordeiro, conselheiro sênior de Infantino e um dos principais nomes ligados à organização da Copa do Mundo de 2026. Em comunicado, o ex-dirigente afirmou que não participou da elaboração do projeto e classificou a iniciativa como um "mau negócio" para as associações filiadas, para o futebol e para o futuro do esporte.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que a permanência de Infantino no comando da entidade ficou ameaçada. A renúncia de Cordeiro se soma à crescente resistência de federações e confederações ao plano, reduzindo significativamente as chances de aprovação da proposta durante o processo de consulta da FIFA.
O cenário se agravou após a Confederação Asiática de Futebol (AFC) anunciar apoio às posições já adotadas pela UEFA e pela Concacaf. As três entidades manifestaram preocupação com a possibilidade de investimento privado nas principais competições da Fifa e defenderam a preservação da Copa do Mundo diante das mudanças propostas.
Carlos Cordeiro, asesor de la FIFA y mano derecha de Gianni Infantino, anunció su dimisión tras estar en desacuerdo por la nueva propuesta del organismo en la venta de participaciones de la Copa del Mundo #FIFA pic.twitter.com/hyijVxBbz9
— Fútbol de Primera (@fdpradio) July 31, 2026
A reação internacional praticamente inviabilizou o projeto. Como Europa, Ásia e América do Norte concentram um grande número de associações filiadas, dirigentes do futebol internacional afirmam que a proposta não reúne mais apoio suficiente para alcançar o consenso necessário. Nos bastidores, integrantes das federações chegaram a definir o plano como "morto e enterrado".
Mesmo diante da forte oposição, a FIFA informou que pretende manter o período de consultas previsto para as 211 associações membros. Em nota oficial, a entidade negou que esteja "vendendo o futebol" e afirmou que cada federação terá o direito de analisar a proposta de forma independente antes de qualquer decisão.
A organização também atribuiu parte da repercussão negativa a informações consideradas incorretas sobre o projeto. Segundo a FIFA, o objetivo continua sendo ampliar as receitas destinadas ao desenvolvimento do futebol mundial, reforçando que nenhuma decisão será tomada sem a participação das federações nacionais.
Enquanto isso, a pressão política e esportiva sobre Gianni Infantino aumenta a cada nova manifestação contrária ao plano. Com a eleição presidencial da Fifa marcada para o próximo ano, dirigentes já discutem possíveis adversários para a disputa, em meio ao que pode se tornar a maior crise institucional enfrentada pela entidade nos últimos anos.
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