Infantino se desculpa, mas é cobrado por conselheiros em reunião da Fifa
Dirigente presta explicações sobre o plano para a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE)
Em reunião tensa do Conselho da Fifa, Gianni Infantino pediu desculpas pelo plano fracassado de vender direitos comerciais da Copa, mas foi duramente cobrado por dirigentes da Europa, Ásia e Concacaf pela falta de transparência, chegando a ter sua liderança questionada. Apesar de prometer investimentos bilionários e contar com o apoio de associações africanas para buscar o quarto mandato, o presidente enfrenta forte pressão para renunciar, mas descarta deixar o cargo.
A reunião do Conselho da Fifa em Zurique não foi da maneira que Gianni Infantino imaginava, nesta quinta-feira, 15. De olho no quarto mandato, o presidente da entidade pediu desculpas pelo fracassado plano de vender participações comerciais da Copa do Mundo, o programa Fifa Forward Enterprise (FFE), e mesmo assim foi bastante cobrado por não dar explicações claras, ouvindo que no momento "não está apto para liderar."
Foram três horas e meia de reunião na sede da Fifa. Apesar de se desculpar na presença de dirigentes de todas as entidades mundiais, Infantino ainda sofre forte pressão da Europa, Ásia e até Concacaf para abrir mão do cargo, o que ele desconsidera. Após o debate, o mandatário evitou atender a imprensa, optando por um comunicado gravado.
"Antes de mais nada, peço desculpas pelos erros que cometemos em relação ao processo de comunicação e consulta referente ao projeto Fifa Forward Enterprise, que acarretaram diversas consequências", disse Infantino na gravação divulgada nas páginas oficiais da Fifa. "Mas é importante lembrar que se tratava de uma proposta, e não de um acordo fechado, que tinha como objetivo permitir que a Fifa investisse mais em suas associações membro, em vez de substituir o apoio proveniente de recursos já existentes", se defendeu.
O dirigente anda visitando o planeta em busca de apoio - o continente africano é quem dá o maior respaldo ao dirigente. "Após finalmente retirar essa proposta, o presidente Gianni Infantino pediu desculpas aos membros do Comitê Executivo. Seguiu-se um debate responsável, durante o qual a questão foi, de certa forma, deixada de lado. Acredito que, no interesse do futebol, o Comitê Executivo está olhando para o futuro e buscando soluções - acima de tudo, com uma atitude positiva -, concentrando-se nos aspectos positivos que o futebol tem a oferecer hoje e tentando seguir em frente", afirmou Ahmed Yahya, membro do Conselho da Fifa e presidente da Federação Mauritana de Futebol, um dos fortes apoiadores do atual gestor e tentando pregar a paz.
O encontro na capital suíça era apenas para tratar da concessão de aproximadamente R$ 125,6 milhões a todas as associações, medida que visava amenizar a cobrança dos opositores e possível apenas após a ampliação de seleções na Copa do Mundo. O plano envolve uma bagatela de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 30,16 bilhões) para o desenvolvimento do futebol entre 2027 e 2030, um valor 25 vezes maior do anterior, disponível há uma década. Os dirigentes europeus, porém, não queriam saber de dinheiro e saíram insatisfeitos com a falta de muitas respostas.
"Foi uma reunião mais robusta, franca e aberta. Uma das coisas decepcionantes é que não obtivemos respostas para nada do que solicitamos especificamente. Por exemplo, obter os documentos da FFE", reclamou Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA) e vice na Fifa, à BBC Sports.
"Eu perguntei e nos pediram para enviar essas perguntas por escrito. Acho que esse homem precisa responder a essas perguntas e, se não as responder agora, não está apto para ser presidente da Fifa. E foi isso que foi discutido na reunião", revelou. "Já pedi repetidamente que os documentos fossem compartilhados. Não os recebi e, apesar do pedido de hoje, ainda não os recebi."
A pressão de um lado contrasta com a apoio do outro, sobretudo das entidades africanas, mais pobres e satisfeitas com as medidas anunciadas por Infantino.
"Já afirmei que o presidente Gianni Infantino está impulsionando o futebol em todo o mundo. Venho do continente africano e sei do que estou falando. Ele quer promover o futebol e deseja que todos participem", defendeu Ahmed Yahya, reconhecendo uma dura convivência de Infantino com os europeus.
"Veja bem, uma das coisas boas do futebol é a sua democracia. Quanto aos europeus, alguns têm uma opinião, outros não. É verdade que nossos amigos, nossos irmãos europeus, desejam reformas na Fifa, mas nós também defendemos que, se é para realizar reformas na Fifa, elas precisam ocorrer em todos os níveis (associações, confederações e própria entidade)", explicou.
Infantino mostrou-se disposto a reformas e aprimoramentos no futebol sem abrir mão de ser o responsável por gerir tais modificações. Ele ainda prometeu responder todos os questionamentos "em tempo oportuno."
"Como tem sido dito muitas vezes desde 2016, o dinheiro da Fifa, incluindo as suas reservas, pertence às 211 Associações-Membros, e a proposta de aumentar o investimento em todas as Associações-Membros, confederações e outras partes interessadas para 6,35 mil milhões de dólares visa reforçar o nosso compromisso inabalável de continuar a apoiar o desenvolvimento do futebol e o acesso a nível global, graças ao extraordinário resultado financeiro do Campeonato do Mundo da Fifa de 2026", declarou Infantino ao site da Fifa, sobre a reunião e se esquivando das polêmicas.
"Em dez anos desde que me tornei presidente da Fifa, passamos de um milhão de dólares por Associação-Membro para 25 milhões de dólares para cada uma, em todo o mundo. Ao mesmo tempo, gostaria de agradecer a todos os que apresentaram sugestões ao longo dos últimos meses sobre a distribuição dos fundos às nossas 211 Associações-Membros, uma vez que precisamos olhar para o futuro num espírito de unidade e no melhor interesse do futebol."
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