Goytacaz celebra 114 anos lançando um filme sobre o seu legado
Tradicional clube, dono da maior torcida do interior do Rio, no dia de seu aniversário, lança no YouTube "Goytacaz, o Filme"
Ao celebrar 114 anos, o Goytacaz lançou no YouTube o documentário "Goytacaz, o Filme", de Leo Puglia, que retrata a rica trajetória do tradicional clube de Campos. Dono da maior torcida do interior fluminense e com glórias históricas como o vice da Taça de Prata em 1985, o time superou severas crises recentes, leilão do estádio Arizão e quedas de divisão. Após vencer a Série B2 em 2025, o clube agora foca na Série B1 em 2026, mantendo viva sua força histórica no futebol do Rio de Janeiro.
Dono da maior torcida do Rio de Janeiro, excetuando os quatro grandes, o Goytacaz, de Campos, celebrou neste 20 de agosto 114 anos de fundação. Mas de uma maneira especial: com o lançamento no YouTube de um longa, "Goytacaz, o Filme". A obra do jornalista e professor universitário Leo Puglia narra a história do clube, um dos mais tradicionais do estado. E mesmo longe de disputar o Carioca de forma efetiva desde 1989, consegue manter aficionados fiéis, principalmente no Norte Fluminense. Além disso, conta com torcedores ilustres, como o ator Tonico Pereira, que é um dos homenageados no filme, e o sambista (já falecido) Roberto Ribeiro, que foi goleiro do Goyta.
Pentacampeão do Campeonato Fluminenses (quando os times do interior do Rio não jogavam o Carioca, que eram os times da extinta Guanabara, isso até 1976), o Goytacaz viveu seu melhor momento no fim dos anos 70 e nos anos 80. Afinal, disputou a elite do Brasileirão em três oportunidades, jogou na Primeira Divisão do Carioca com sucesso, alcançando o Top 6 em duas oportunidades. Nacionalmente, sua maior façanha ocorreu em 1985, quando foi vice-campeão da Taça de Prata (atual Série B). Naquele ano, apenas o campeão subia para a Taça de Ouro (a Série A). O time campista perdeu o título para a Tuna Luso-PA.
Goytacaz: crise e
Em 1989, o Goytacaz caiu de divisão no Carioca. Voltou em 1992 mas num regulamento inusitado. Afinal, o time ganhava o turno da Segundona jogava o returno na Primeira Divisão, mas praticamente sem chance de se manter na elite). Em 2017, conseguiu o acesso de divisão. Mas o regulamento indicava que os times da Segundona jogavam uma seletiva (quadrangular) para tentar a vaga no grupo principal. Disputou em 2020 e 2021, mas, em ambas, não conseguiu a classificação. Na segunda, inclusive, caiu de divisão.
Nos últimos anos, o Goytacaz viveu seus piores momentos. Caiu para a Terceirona e, sem condições de montar uma equipe, se afastou em 2024, o que era inédito. Além disso, ocorreu uma briga política, com a presidência sendo trocada na Justiça e, por pouco, o clube não perdeu seu bem maior, o Estádio Ari de Oliveira e Souza. A casa azul-anil chegou a entrar em leilão. Mas a numerosa torcida fez vários manifestos, abraçou o estádio e, no fim das contas, o Arizão (inaugurado em 1938) seguiu com o clube e virou patrimônio histórico, não podendo ser demolido.
A luta para voltar por cima
Final bem mais feliz do que aconteceu com os estádios dos dois mais tradicionais rivais campistas. O Americano vendeu o Estádio Godofredo Cruz a uma empresa que iria demolir o estádio para fazer prédios no local e construiria um outro para o clube. Mas ela faliu. O Godofredo foi demolido e virou um terreno com escombros. Já o Rio Branco vendeu seu estádio para uma empresa que construiu um shopping no local. O que tem hoje é um campinho de futebol soçaite nesse shopping.
Em 2025, jogou a Série B2 (quarta divisão), sendo campeão, e ganhou notoriedade nacional, pois um de seus jogadores, Yuri, atuava com tornozeleira eletrônica e fez o gol do título. Em 2026, o time disputará em setembro a Série B1 (Terceirona), lutado para subir à Segundona.
Goytacaz Futebol Clube
Fundação: 20 de agosto de 1912, em Campos (RJ)
Estádio: Estádio Ary de Oliveira e Souza, inaugurado em 9/1/1938 (capacidade de 15 mil. Hoje, 5 mil)
Maior público: Goytacaz 0 x 1 Flamengo: 14.996 em 9/4/1978.
Principais Títulos: 5 Campeonatos Fluminenses (o último em 1978*), 20 Campeonatos Campistas** (o último em 1977).(*) O campeonato profissional Fluminense foi extinto a partir de 1979, com os times passando a jogar com os antiga Guanabara e formando o atual Campeonato Carioca
(**) extinto em 1979
Maiores jogadores prata da casa: Amarildo, o Possesso (bicampeão mundial em 1962, mas defendendo o Botafogo), Amaro (primeiro jogador do clube a defender a Seleção Brasileira e pai de Amarildo, o Possesso) e Manuelzinho (defendeu a Seleção na Copa de 1930).
Alguns dos maiores ídolos: Totonho, Piscina e Zé Neto.
Time histórico (Carioca de 1983): Jorge Luís, Ditinho, Cléber, Gaúcho, Lima e Valtair; Cláudio Neves, Gilmar e Cláudio José; Luis Müller (Chiquinho), Petróleo e Helinho (Sidney).
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