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Gigante dos games entra em greve

Funcionários se mobilizam contra o fim do teletrabalho e medidas de austeridade anunciadas pela gigante francesa de videogames

10 fev 2026 - 12h50
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(Imagem gerada por IA)
(Imagem gerada por IA)
Foto: Esporte News Mundo

Uma greve, descrita pelos sindicatos como "massiva e internacional", tem início nesta terça-feira, 10 de fevereiro, na Ubisoft, uma das maiores empresas do setor de videogames do mundo. A paralisação, prevista para durar três dias, ocorre em meio a um processo de reorganização interna da companhia e apenas dois dias antes da divulgação dos resultados trimestrais do grupo, o que aumenta a pressão sobre a direção da empresa francesa.

O movimento foi convocado em resposta direta ao quase desaparecimento do regime de teletrabalho e à implementação de um novo plano de economia, anunciado no fim de janeiro. Desde as primeiras horas da manhã, piquetes estão programados em frente aos estúdios da Ubisoft em cidades como Paris, Bordeaux, Montpellier, Annecy e Lyon. Além disso, sindicatos organizam uma grande concentração às 14h, em Saint-Mandé, diante da sede do grupo na capital francesa. A mobilização pode ganhar caráter ainda mais amplo, já que outros estúdios da empresa ao redor do mundo avaliam aderir ao protesto, incluindo uma manifestação prevista em frente ao escritório de Milão, na Itália.

Reorganização, austeridade e clima de desconfiança

A insatisfação dos trabalhadores ganhou força após o anúncio, em 21 de janeiro, de uma nova organização interna que prevê o cancelamento de diversos jogos e um rigoroso plano de austeridade de 200 milhões de euros ao longo de dois anos. Para os funcionários, a medida reacendeu conflitos que marcaram 2024, quando já havia críticas à redução do teletrabalho e às condições salariais oferecidas pelo grupo.

Entre os pontos mais sensíveis está a intenção da Ubisoft de retomar o trabalho presencial em cinco dias por semana, mantendo apenas uma cota anual de home office. Em um panfleto intersindical divulgado nas redes sociais, os representantes dos trabalhadores pedem o fim do que chamam de "obsessão anti-teletrabalho", criticam decisões consideradas autoritárias e denunciam um "diálogo social desprezado".

Segundo Vincent Cambedouzou, delegado do Sindicato dos Trabalhadores de Videogame (STJV), o sentimento entre os funcionários é de profundo desgaste. "As pessoas tiveram a impressão de um retorno ao inferno. Já fechamos estúdios e demitimos gente em todo o mundo", afirmou em declarações reproduzidas pela France Info. Para Pierre-Étienne Marx, também membro do STJV, há um clima claro de raiva entre os cerca de 3.800 empregados da Ubisoft na França. Ele avalia que decisões industriais equivocadas minaram a confiança na liderança da empresa.

A preocupação aumentou após a confirmação de um projeto de plano de saída voluntária que pode afetar 200 pessoas na sede da Ubisoft, onde trabalham cerca de 1.100 funcionários. Representantes sindicais temem que essa iniciativa seja apenas o início de novas medidas de corte. "É potencialmente o prelúdio para outros planos sociais", alertou um delegado da CGT Ubisoft, lembrando que o quadro de funcionários da sede já encolheu 10% nos últimos dois anos.

Esporte News Mundo
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