Pesquisa aponta crescimento da Seleção feminina para 2027
Pesquisa mostra avanço no acompanhamento da equipe, mas maioria dos brasileiros ainda está distante dos jogos
Pesquisa da CBF com o Instituto Nexus revela que 41% dos brasileiros passaram a acompanhar mais a Seleção Feminina na última década, impulsionados pela maior transmissão televisiva. Contudo, o avanço é desigual, concentrado em classes mais altas, homens e pessoas com ensino superior, enquanto mais da metade da população segue distante. Além disso, 59% acham o apoio à modalidade insuficiente, tornando a Copa do Mundo de 2027 no Brasil um teste decisivo para consolidar o público de forma contínua.
A Seleção Brasileira Feminina ganhou espaço entre os brasileiros na última década, mas os números também expõem o tamanho do caminho que ainda precisa percorrer. Pesquisa da CBF com o Instituto Nexus mostra que 41% dos entrevistados passaram a acompanhar mais os jogos da equipe no período.
O dado indica avanço, mas não permite falar em popularização consolidada. Mais da metade dos brasileiros ouvidos ainda afirmou que não acompanha as partidas da Seleção. O aumento do interesse, portanto, convive com uma parcela expressiva da população que permanece distante.
A mudança ocorreu com maior exposição da modalidade. A Copa do Mundo de 2019 foi transmitida pela primeira vez pela Globo, que também exibiu amistosos da Seleção em TV aberta. O acesso cresceu, mas a frequência de acompanhamento ainda não avançou na mesma proporção.
Crescimento não atinge todos da mesma forma
A pesquisa revela ainda que o avanço está concentrado em determinados segmentos. Entre brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos, 51% afirmaram ter aumentado o acompanhamento da Seleção. O mesmo percentual apareceu nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Entre os homens, o índice foi de 48%. A mesma marca foi registrada entre pessoas com ensino superior. Na faixa acima dos 60 anos, 45% disseram acompanhar mais os jogos. O cenário muda nos grupos de menor renda e escolaridade.
Entre brasileiros de menor renda, 36% aumentaram o acompanhamento, índice também registrado entre pessoas pretas e com baixa escolaridade. No Nordeste, foram 35%; entre mulheres e pessoas com ensino médio, 34%.
Futebol feminino ainda não ocupa o espaço esperado
O dado mais revelador da pesquisa talvez esteja na percepção sobre o reconhecimento da modalidade. Para 59% dos entrevistados, o futebol feminino ainda não recebe o apoio e o reconhecimento que deveria.
A avaliação não significa ausência de mudança. Entre esse grupo, 32% reconhecem que houve avanço, mas consideram o resultado insuficiente. Outros 27% entendem que o apoio continua abaixo do nível considerado adequado.
A percepção de falta de reconhecimento chega a 68% entre pessoas com ensino superior e renda superior a cinco salários mínimos. O índice também alcança 63% entre brancos, pardos e moradores do Sul.
Copa de 2027 será um teste de alcance
É nesse ponto que a Copa do Mundo de 2027 ganha importância. Pela primeira vez, o Brasil receberá o principal torneio do futebol feminino. O evento terá capacidade de ampliar a exposição da Seleção, mas também colocará à prova a capacidade de transformar visibilidade em público recorrente.
A TV aberta terá papel importante. As quartas do Brasileirão Feminino de 2026 alcançaram 29,5 milhões de telespectadores únicos na Globo. A CBF também informou que o número de transmissores dobrou em dois anos, de quatro para oito.
Pesquisa mostra espaço para crescimento
O levantamento do Instituto Nexus ouviu 2.006 brasileiros com 16 anos ou mais entre 15 e 24 de agosto, nas 27 Unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Os números mostram uma Seleção mais presente, mas ainda não plenamente incorporada à rotina esportiva do brasileiro. O público cresceu na última década. A questão, agora, é saber quanto desse avanço permanecerá depois que a exposição proporcionada pela Copa de 2027 diminuir.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.